MULHER APAIXONADA
Substitute Bride
Margaret Pargeter





rf, Emma teve de ir morar com parentes em uma fazenda, trabalhando como escrava. Todos a humilhavam, a chamavam de feia, magra, desajeitada. At que, um dia, Emma 
imaginou ter encontrado a felicidade, quando Rick Conway, o homem mais rico e fascinante da regio, a pediu em casamento. Porm, depois de casada, Emma s recebeu 
maus-tratos do marido. Se Nick a desprezava, por que se casara com ela? Que mistrio havia nas decises desse homem? Seria por vingana que havia se unido a Emma? 
Perguntas terrveis que maltratavam o corao dessa mulher apaixonada...

Digitalizao: Ana Cris
Reviso: Cris Paiva
LIVROS ABRIL
Romances com Corao
Caixa Postal 2372 - So Paulo
Copyright: Margaret Pargeter
Ttulo original: "Substitute Bride"
Publicado originalmente em 1981 pela
Mills & Boon Ltd., Londres, Inglaterra
Traduo: William Granam Clark
Copyright para a lngua portuguesa: 1983
Abril S. A. Cultural e Industrial - So Paulo
Composto e impresso em oficinas prprias
Foto da capa: Blumebild


CAPITULO I

Emma Davis sorriu de leve ao se virar para Jim Brown.
- J  tarde e acho melhor ir para casa agora, Jim, seno Mary ficar preocupada com voc.
- Tem certeza de que se arranja sozinha, Emma?
- Se no conseguir, eu mandarei cham-lo de volta - ela prometeu. - Mas esta no  a primeira vez que me arranjo sozinha. A menos que haja complicaes, acho que 
Daisy no vai precisar de muita ajuda. Afinal - as feies jovens de Emma se suavizaram -, esta no  exatamente uma experincia nova para ela, no  mesmo?
- No - Jim admitiu, enquanto os dois ponderavam sobre a vaca que, nessa noite, iria ter o seu quarto bezerro. - Mas nunca se sabe... Quanto mais velho fico, mais 
eu compreendo que at mesmo o caso mais simples pode se complicar.
Emma encolheu seus ombros magros, mas no contestou a teoria de Jim. Ningum sabia melhor do que ela como, numa fazenda, pouqussimas coisas aconteciam exatamente 
conforme os planos. O segredo era no se preocupar demais.
- Eu o verei pela manh, Jim - disse, com firmeza.
Depois que ele se foi, Emma sentou-se no velho banquinho de madeira, ao lado de Daisy, tentando ignorar o cansao que sentia. Fora um dia cansativo e ela sabia que 
to cedo no sairia dali. A fazenda no era grande, mas havia sempre muita coisa para se fazer e ela s tinha a Jim para ajud-la. Um dia de trabalho seria suportvel 
se comeasse s seis da manh e terminasse doze horas depois, mas com Emma raramente era assim. Mesmo que tudo corresse bem na fazenda, e que ela terminasse cedo 
o seu servio, havia geralmente muita coisa para se fazer dentro de casa. E era um alvio saber que, nessa noite, sua tia Hilda e sua prima Blanche no estariam 
em casa, assim no teria que preparar o jantar para elas. Faria apenas um lanche.
Um pouco mais feliz por pensar nisso, Emma mudou de posio no banquinho, para que pudesse encostar-se na parede do celeiro e observar Daisy ao mesmo tempo. Sentindo-se 
mais  vontade, ela olhou para a sua velha cala de brim. Estava to desbotada que ficava difcil dizer qual era sua cor original. Tambm a blusa estava remendada 
e puda. Num momento de reflexo, coisa que ela geralmente no se permitia, pensou no que a me diria se a visse agora. Sua me tinha morrido h muitos anos, mas 
Emma ainda se lembrava dos modos delicados e exigentes dela. A prpria Emma havia desenvolvido esse trao, embora em menor grau, quando sua vida fora feita em pedaos 
pela segunda vez. Foi a poca em que, por ironia do destino, os negcios de seu pai foram  falncia, e ele, no resistindo, teve um ataque cardaco do qual jamais 
se recuperou.
Aos dezesseis anos de idade, Emma tivera que deixar o internato onde estudava para ir morar naquele lugar. Seu tio, irmo mais velho de seu pai, tinha sido bondoso 
com ela, mas, comparado a seu pai, que sempre fora ativo e cheio de vida, ele parecia um velho distrado e cansado. Alm do mais, nunca parecera to intimidadora 
como sua esposa e sua filha tratavam Emma.
Assim que ela chegara  fazenda, as duas o convenceram a despedir o rapaz que ele havia empregado, para que Emma tomasse o lugar dele. E ela ficara encarregada tambm 
de cozinhar e de fazer o servio duro da casa. Quando seu tio morreu, um ano depois, elas resolveram que Emma j tinha competncia para cuidar de tudo sozinha.
Isso havia acontecido h dois anos, e Emma ainda estava cuidando da fazenda sozinha, com apenas Jim para ajud-la. Ela era esperta e inteligente, e no achava isso 
difcil demais. Afinal, havia aprendido muito bem com seu tio, mas no pretendia fazer disso uma carreira. Gostava da fazenda, mas era um trabalho que trazia muitas 
preocupaes. E, ali, nem sempre as coisas iam bem, porque havia muito pouco dinheiro separado para uma emergncia. O que sobrava era geralmente gasto por Hilda 
e por Blanche.
Emma suspirou de tristeza quando pensou na prima. Blanche tinha vinte e cinco anos de idade e era linda, mas muito difcil de agradar. De vez em quando trabalhava 
como manequim e, embora fosse para Londres quando tinha trabalho, ela preferia quase sempre ficar em casa.
Dois meses antes, Blanche ficara noiva de um homem chamado Richard Conway, que era dono de plantaes de cana-de-acar em Barbados, nas Antilhas. Haviam se conhecido 
numa festa, e Richard, ou Rick, como Blanche o chamava, lhe propusera casamento na mesma semana. Emma s o tinha visto uma vez, quando ele viera  fazenda, aparentemente 
para visitar sua futura sogra. Havia ficado durante pouco tempo e ela o vira por alguns minutos, mas ficara surpresa. Richard devia ter uns trinta e cinco anos de 
idade, era alto, moreno e bem-apessoado. Emma no gostara do jeito dele, pois ele parecia ser to spero e dominador quanto sua prima. Entretanto, havia algo no 
rapaz que lhe chamara a ateno, pois, quando encontrara os olhos azuis dele, tinha sido incapaz de desviar o olhar. Por um breve momento ela se sentira magnetizada 
por uma estranha fora que vinha de dentro dele.
Como Richard voltara logo a Barbados, ela no o vira mais. Muitas vezes, porm, se perguntava como um homem daquele havia podido se apaixonar por uma cabea oca 
feito Blanche.
- Ele est decidido a arranjar uma esposa! E, alm do mais, est apaixonado por mim! - a prima exclamara, praticamente respondendo a uma pergunta que Emma nunca 
ousaria fazer.
Blanche tinha acabado de se despedir de Richard e exibia um anel de noivado fabuloso. Estavam sozinhas, e Emma olhava para ela com os olhos arregalados.
- O que voc vai fazer de Rex?
Rex Oliver e Blanche vinham se encontrando com freqncia e Emma tinha certeza de que Blanche o amava a seu modo.
- Rex no  do tipo que se case fcil - Blanche retrucara -, mas, sendo homem, poder esperar at completar quarenta anos antes de se decidir. S que at l as minhas 
possibilidades, tanto profissionais quanto matrimoniais, iriam ficar cada vez mais reduzidas.
- Mas eu pensei... - Emma comeara a dizer, notando que, apesar de seu ar de desdm, Blanche havia ficado plida ao ouvir o nome de Rex. 
- Bem, voc pode parar de pensar - dissera-lhe a prima asperamente, ao ver Emma hesitar. - Eu vou me casar com Rick, enquanto ainda tenho uma chance, e vou morar 
em Barbados. Estou cansada de viver neste lugar chato.
- E quando vocs pretendem se casar? Richard quis lev-la para Barbados? Parece que ele no  do tipo que goste de esperar por quem quer que seja.
- E o que voc entende disso? Voc nunca teve um namorado! Para falar a verdade, Rick realmente me pediu para ir com ele, mas acontece que no gosto que me apressem. 
Eu quero um casamento decente, e no um caso qualquer. Alm disso, eu precisava de tempo para ver Rex. Acho que devo a ele pelo menos uma despedida apropriada.
Quando percebeu que despedida apropriada aparentemente significava ver Rex todas as noites, Emma ficou cada vez mais confusa. A me de Blanche parecia no saber 
nada do que estava acontecendo, e Emma no tinha nenhuma inteno de lhe contar. Mas no podia deixar de pensar no que Richard Conway diria se soubesse o que sua 
noiva estava fazendo.
Rex Oliver, rico proprietrio de um clube noturno, no tinha escrpulos quando se tratava de conseguir o que queria. Ele devia estar gastando uma pequena fortuna 
com Blanche, mas, como ela mesma dissera, no tinha a menor inteno de se casar. Vendo-os juntos, apesar de tudo, Emma no podia deixar de ficar preocupada. Ao 
encorajar Rex, Blanche podia estar cometendo um erro terrvel, pois, se Richard descobrisse, era quase certo que ele jamais a perdoaria.
Com toda a certeza, Blanche acabaria tendo sorte, pois dificilmente as coisas davam errado pra ela. As pessoas sempre  desculpavam porque ela era bonita. J Emma 
no podia dizer o mesmo. Seu espelho no refletia nada da beleza que Blanche herdara. Ela via apenas um nariz bem-feito em um rosto comum, alm de uma boca generosa. 
Seus cabelos loiros, quando bem penteados, talvez ajudassem a melhorar sua aparncia. Antes, ainda tinha o consolo de ter um corpo bem-feito, mas todo o trabalho 
na fazenda havia reduzido sua delicada esbeltez a uma magreza esqueltica. E suas curvas eram agora quase inexistentes.
- Ol!
Ao ouvir to inesperadamente a voz do homem em quem tinha acabado de pensar, Emma teve um sobressalto. Levantou-se, afobada e j com o seu pequeno rosto vermelho, 
e olhou para a porta.
- Sr. Conway! - exclamou, ofegante. - O senhor me deu um; susto tremendo!
- Se no estivesse sonhando de olhos abertos, voc teria ouvido eu me aproximar - ele disse, sorrindo. - E o meu nome  Rick.
- Sim. - Ela procurou recobrar o flego. - Mas  que eu no sabia que estava a. Quando foi que voltou?
- Eu cheguei de avio esta tarde. - Ele entrou no celeiro e fechou a porta. - No encontrei ningum na casa. Saiu todo mundo?
Emma abaixou a cabea.
- Sim, saram todos - respondeu. Ele suspirou com impacincia.
- Mas que azar! Onde est Blanche? Emma engoliu em seco.
- Acho que ela est trabalhando, mas no sei onde. Deveria ter avisado a ela que viria.
- Talvez... - Ele a olhou de maneira penetrante. - Ento voc no sabe onde posso encontr-la?
Emma hesitou, sabendo que jamais poderia contar-lhe que sua noiva estava com outro homem. Sem jeito, ciente de que Rick estava esperando por uma resposta, ela moveu 
negativamente a cabea. De repente ficou horrorizada com a idia de que ele talvez resolvesse ficar ali at que Blanche voltasse.
- Eu no estou com pressa. - Ele sorriu, confirmando os seus temores. - Eu estava passando por aqui e decidi fazer uma surpresa a Blanche. Mas, como geralmente acontece 
- acrescentou, secamente -, a surpresa no deu muito certo. Tem certeza de que ela no disse onde estava trabalhando, para que eu possa ir busc-la?
Os olhos cinzentos de Emma se arregalaram apreensivamente ao encontrarem os olhos azuis e desconfiados dele. Felizmente, Daisy deu uma espcie de grunhido agoniado 
e inquieto, que atraiu a ateno deles. Logo constataram que o grunhido de Daisy no significava que iria dar cria imediatamente, mas pelo menos houve tempo para 
Emma respirar.
- Infelizmente, eu nem sempre pergunto onde Blanche est trabalhando - respondeu ela evasivamente. - Talvez at ela me tenha dito, mas acho que no prestei ateno.
- Entendo. - Rick pareceu aceitar a resposta dela. Atravessou o celeiro e parou ao lado de Emma, que voltou a sentar-se em seu banco. O rapaz ficou em p olhando 
para ela. - Acredito que no haja nada a fazer seno esperar.
O celeiro foi ficando cada vez mais escuro,  medida que anoitecia, mas estava bastante aconchegante e quente.  Estranhamente, Emma voltou a ter aquela mesma sensao 
de intimidade que tivera quando ele havia olhado para ela pela primeira vez. Constrangida, desviou o olhar, desejando que Rick no fosse to msculo. Tendo vindo 
diretamente do aeroporto, ele estava usando o mesmo terno cinza com o qual viajara. Alguma coisa dentro dela se contraiu quase dolorosamente, e s melhorou quando 
ele voltou a olhar para Daisy de novo.
- Vocs no tm por aqui um homem que cuide dessas coisas? - ele perguntou, franzindo o cenho.
Emma sorriu, mostrando seus dentes pequenos e perfeitos.
- Daisy no precisa de muita ajuda, e eu estou acostumada a fazer isso.
- Ainda acho que voc deveria chamar o seu administrador - disse Rick laconicamente. - Isso no  trabalho para uma moa.
- Ns no temos um administrador - ela explicou. - S temos o velho Jim.
- Mas eu pensei... - Ele franziu as sobrancelhas e, ento, deu de ombros. - Devo ter entendido mal alguma coisa que Blanche disse. Pensei que vocs tivessem muitos 
empregados. - Rick no deixou de notar a expresso irnica que passou pelo rosto dela. - Por que voc fez essa cara?
- Que cara?
- Parece que estou notando um certo ar de crtica quanto  sua prima. Ser que voc tem inveja dela?
- Inveja? - Emma se levantou num pulo, o rosto inflamado de indignao.
Com um sorriso irnico nos lbios, ele a estudou friamente.
- Deve ter notado que Blanche  linda, ao passo que voc...
O rubor de Emma aumentou ainda mais, mas, quando tentou responder  altura, um fluxo sbito e inexplicvel de lgrimas ameaou sufoc-la. Vendo as lgrimas escorrendo 
por suas faces, Rick sentiu-se embaraado.
- Sinto muito... o qu eu disse foi imperdovel e cruel. s vezes me esqueo de como as mulheres so sensveis. Mas, pelo amor de Deus, no chore. A verdade geralmente 
no machuca ningum.
Sentindo-se totalmente humilhada com a sua prpria fraqueza, Emma aceitou o leno branco dele.
- Por favor, no ligue - murmurou ela, constrangida. - No  tanto pelo que voc disse. Acredite, eu no tenho iluses a respeito da minha aparncia. Deve ter me 
apanhado num momento vulnervel. Tenho trabalhado muito ultimamente e estou muito cansada.
- E parece que eu tambm no ajudei muito... Eu deveria ter avisado Blanche que viria. Assim, pelo menos, a teria poupado disso.
- No importa, realmente - insistiu Emma.
Seus pensamentos agora estavam ocupados demais para sentir-se zangada. Percebeu que ele pretendia ficar, e no tinha nem idia de a que horas Blanche voltaria. Ser 
que sua prima no havia falado alguma coisa a respeito de trazer Rex at em casa, para que pudesse mudar de roupa antes de irem danar em algum lugar? Lanando um 
olhar furtivo a Rick, ao lhe devolver o leno, Emma se deu conta de que precisava livrar-se dele de alguma forma, antes que os dois chegassem.
- No seria melhor se voltasse a Londres e retornasse para ver Blanche amanh? - ela sugeriu, esperanosa.
- Eu no estou com pressa. Vou esperar. Emma tentou de novo.
- Ser que Blanche no vai ficar na cidade?
- No, eu telefonei para o apartamento dela. Sua companheira de quarto disse que ela viria para c.
- Pode se cansar de esperar.
O sorriso de Rick era fraco e estranho.
- Voc no acha que vale a pena? Faz muito tempo que eu no tenho uma mulher nos braos. Se um homem tiver conscincia, o fato de estar noivo limita um pouco suas 
atividades nesse sentido, caso sua noiva no esteja por perto. - Ele olhou com sarcasmo para Emma. - Mas acho que voc no entende muito desse tipo de desejo, no 
 mesmo, srta. Davis?
Emma ficou vermelha mais uma vez, com um misto de raiva e embarao.
- No sou to ignorante assim! - mentiu de modo desafiador.
- Eu tenho namorado.
- Tem mesmo? - perguntou ele suavemente. E suas sobrancelhas escuras se ergueram de maneira um tanto insolente, enquanto olhava para o estbulo. - , acho que isto 
aqui deve desgastar mesmo, depois de algum tempo.
- Est sendo insolente! - ela retorquiu rispidamente.
- Eu no pretendia ser. - Ele deu de ombros. - Pensando bem - e seus olhos azuis se tornaram repentinamente mais penetrantes -, voc tem uma boca que promete muito. 
Com um pouco de instruo adequada, voc teria grandes possibilidades.
- Para compensar a minha falta de beleza, suponho?
- Bem, ningum liga para isso na cama - ele escarneceu.
A franqueza descarada de Rick fez com que Emma tremesse e ficasse vermelha. Entretanto, no havia nada de realmente ofensivo em seus modos. Ele estava aborrecido 
porque Blanche no estava l, e procurava descarregar sua frustrao nela. Rex Oliver muitas vezes dizia a mesma coisa, mas s que o efeito era diferente. Certas 
coisas que ele dizia a Blanche deixavam Emma estupefata e com vontade de mand-lo calar a boca, s que a prima no iria gostar. Francamente, no entendia como Blanche 
conseguia suport-lo, especialmente agora que estava noiva de um homem como Rick Conway.
- Vai ficar durante muito tempo aqui na Inglaterra? - Ela procurou mudar de assunto.
- Apenas uns dois dias - respondeu ele, deixando-a surpresa. -  por isso que acho importante ver Blanche esta noite. Tenho que ir para a Austrlia, onde vou ficar 
durante mais ou menos trs semanas. Meu primo dirige algumas plantaes de cana-de-acar em Queensland para mim, e surgiu um fato inesperado. Eu poderia levar Blanche 
comigo, em lua-de-mel, mas vai haver muitos negcios a tratar e pouco tempo para o lazer. Acho que ela no gostaria disso. Acredito que essas trs semanas lhe daro 
tempo para completar seus preparativos para o casamento. E ns poderemos nos casar assim que eu voltar.
- Parece razovel. - Emma, notando que o seu tom de voz parecia muito aptico, procurou sorrir.
- Eu j consegui uma licena - ele disse jovialmente. - Acha que ela vai gostar?
-  claro...
Mais uma vez, Emma sentiu um vazio por dentro, e gostaria de saber por qu. Com certeza, no era porque iria sentir falta de Blanche. Mas, o que mais poderia ser? 
Desnorteada, levantou os olhos para Rick Conway, e sentiu-se mais uma vez tomada por uma estranha tenso. 
De repente Daisy deu mais um gemido de dor. Emma ajoelhou-se rapidamente na palha a seu lado, falando com brandura com ela, enquanto afagava seu pescoo. Depois 
de perceber o que se passava com a vaca, ps-se novamente de p.
Rick ficou observando o carinho com que Emma tratava o animal.
Em seguida, lembrou-se de que ainda poderiam ficar algumas horas naquele estbulo.
- Emma, eu estou com fome. Acho que no como h muitas horas. Por que no vai preparar algo para ns comermos, enquanto eu vigio aqui?
- Mas Daisy parece... - E olhou para a vaca. - Eu no quero que nada saia errado. - Franziu a testa, afastando-se dele. - E se alguma coisa acontecer enquanto...
- Nada vai acontecer enquanto voc no estiver aqui - ele disse calmamente -, porque eu estarei. Meus negcios giram principalmente em torno da cana-de-acar, mas 
eu tambm cuidei de cavalos e de gado a vida toda.
- Bem, j que tem certeza... - Rick se mostrava to inflexvel que ela no tinha outra escolha. Desistiu de argumentar e abaixou a cabea. - Eu admito que gostaria 
de tomar uma boa xcara de ch, mas voc deve me prometer que ir chamar-me se alguma coisa acontecer.
- Eu irei cham-la se houver alguma novidade - ele prometeu, procurando tranqiliz-la.
Na pequena cozinha da casa, enquanto preparava uma refeio leve, Emma pensou tristemente em como seria bom ter um par de ombros largos para se apoiar. Blanche era 
uma tola arriscando-se daquele jeito: ao continuar saindo com Rex Oliver, ela estava brincando com fogo. E mesmo sentindo que detestava Rick Conway pelo que ele 
dissera sobre a sua aparncia, Emma tinha a impresso de que ele era duas vezes mais homem do que Rex.
Algumas pessoas diriam que Blanche merecia perder seu noivo, mas Emma achava difcil ser vingativa. Tentou avisar a prima, assim que entrou em casa, mas no conseguiu 
encontr-la. Tentou at mesmo telefonar para Rex, em dois dos seus clubes noturnos. Teve um trabalho enorme para conseguir achar os nmeros, mas tambm no conseguiu 
falar com ele. Agora, s poderia torcer para que Blanche visse o carro alugado de Rick e que mandasse Rex embora antes que fosse tarde demais.
Deixando uma panela de sopa a ferver lentamente no fogo, ela foi dizer a Rick que o jantar estava pronto. Ficou surpresa ao encontrar Jim Brown com ele no celeiro.
- Ns dois estivemos presentes ao nascimento - Rick disse solenemente, enquanto os olhos dela se arregalavam de espanto -, por isso no precisa se preocupar.
Daisy, a me orgulhosa, estava dirigindo toda a sua ateno ao novilho recm-nascido. Emma, com seu rostinho iluminado por uma suave ternura, ficou olhando para 
ele, at que Rick recordou-lhe secamente que ainda estava com fome.
- Oh, desculpe - disse ela, corando. - Eu vim para lhe dizer exatamente isso. O jantar est pronto.
Levantando-se de onde estivera agachada ao lado de Daisy, Emma sorriu para Jim. Ele ento falou que se arranjaria sozinho agora, e que no havia nenhuma necessidade 
de ela voltar.
Lembrando-se de que ele no estava vestido para o tipo de trabalho que estivera fazendo, ela olhou ansiosamente para Rick ao entrarem na cozinha.
- Espero que no tenha estragado o seu terno.
- Encontrei umas capas velhas penduradas atrs da porta - tranqilizou-a Rick. - No que tivesse importncia. Eu tenho outro terno no carro, e poderia sempre comprar 
alguma coisa em Londres amanh.
- Como  bom ter bastante dinheiro! - ela falou de repente, antes de se dar conta do que estava dizendo.
- A petulncia geralmente acompanha as pessoas comuns - comentou ele, com indiferena.
Rick viu, com indisfarvel satisfao, Emma ficar escarlate.  ela percebeu que ele gostava de mago-la, que sentia um prazer quase sdico sempre que tinha essa 
oportunidade.
- Quando tiver acabado de me insultar - ela disse, com rispidez -, eu lhe mostrarei onde poder lavar as mos... Ou ser que voc sabe onde fica?
- Eu posso me lavar na pia da cozinha - respondeu ele. E se ps a faz-lo, depois de tirar o palet e a camisa.
De boca aberta e com a garganta curiosamente seca, Emma ficou olhando para suas costas largas enquanto ele abria as torneiras e estendia a mo para pegar o sabo. 
Quando ele se virou ligeiramente de lado, ela viu os plos crespos que cobriam seu trax musculoso.
Rick terminou de lavar as mos e os braos, e comeou a enxug-los. Emma virou-se depressa para o outro lado e, tentando normalizar sua respirao, comeou a despejar 
a sopa nas tigelas que estavam em cima da mesa. No olhou para Rick quando ele sentou-se, sentindo raiva do calor que estava atravessando seu corpo. Ficou pensando 
sobre o que estaria acontecendo com ela, e desejou que as suas mos parassem de tremer.
- A sopa estava boa. - Emma estremeceu quando ele suspirou de satisfao ao entregar-lhe a tigela vazia. - Foi voc quem fez?
- Sim. - E ela serviu o prato principal com a testa um pouco franzida. - Eu a preparei ontem  noite e estou contente que tenha gostado.
As sobrancelhas dele se ergueram um pouco, como se estivesse impressionado.
- Voc cozinha bem. Este fil tambm est delicioso. Acho que nunca provei um melhor.
- Este no  o melhor. - Emma gostaria de saber por que estava se dando ao trabalho de explicar. - Mas eu geralmente o preparo com bastante antecedncia, e fica 
bem melhor. - Sentindo o seu senso de humor voltar de repente, ela sorriu e disse: - Como v, eu tambm tenho alguns aspectos positivos.
As sobrancelhas de Rick ergueram-se de novo, mas ele no disse nada, e o sorriso dela desapareceu. Plida, ela desviou os olhos, fitando distraidamente o seu prato.
- Voc come fora com freqncia? - Ele suspirou, como se estivesse procurando um assunto para distra-la.
- Eu? Oh, quase nunca! - Ela sorriu de novo, melancolicamente.
- Quando Blanche e eu nos casarmos, voc precisa ir visitar-nos. Acho que vai gostar da nossa comida.
- Sim,  possvel. - Emma percebeu que sua resposta parecia afetada, mas no conseguiu encontrar outra coisa para dizer. Depois que Rick Conway se casasse, ela no 
sabia se seria sensato v-lo mais do que o necessrio.
- Quer que eu faa caf?- ele se ofereceu, inesperadamente.
- Percebo que voc est cansada.
Pelo fato de no se lembrar de ningum que tivesse se preocupado com o seu cansao desde que chegara quele lugar, ela pestanejou, perplexa.
- Se quiser... - E apontou para a cafeteira em cima da pia.
- Mas eu no estou nada cansada. E quando Blanche chegar vou para a cama.
Ele preparou a cafeteira antes de perguntar:
- Qual  a extenso das terras que vocs tm aqui? - Pouco mais de quarenta hectares. E as suas?
Rick sorriu, como se achasse graa de sua pergunta franca.
- Bem mais do que isso, acredito. Emma notou que ele no revelara nada.
- Acho que devo agradecer-lhe por ter me ajudado esta noite.
- No, se no sentir vontade - ele respondeu, em tom de mofa. Emma sentiu dificuldade em enfrentar o olhar dele.
- Voc deu a entender que achou bastante fcil.
- Eu tambm sou muito bom quando se trata de bebs - ele lhe garantiu despreocupadamente. - Nas plantaes de cana-de-acar as coisas geralmente acontecem muito 
depressa, e nem sempre h tempo para se chamar um mdico.
Ser que ele estava tentando embara-la de propsito? Emma desconfiava que sim. Suas faces estavam rosadas e seus dedos entrelaados com fora.
- Voc deve almejar ter um filho homem - ela comentou, com afetao.
- Essa  a prioridade nmero um - concordou ele.
- Voc fala como se se tratasse de uma atividade comercial! Os bebs precisam de amor.
- Eles devem ser fruto do amor, no  isso que quer dizer? - O olhar dele era inflexvel. - Nem todos ns somos idealistas romnticos, Emma, mas que tal cuidar dos 
seus assuntos e me deixar cuidar dos meus?
- Acho que... - ela comeou a dizer, com raiva, quando a porta do corredor se abriu repentinamente e, para o seu horror, Blanche irrompeu na cozinha, seguida de 
perto por Rex Oliver.
Emma sentiu vontade, de sumir. Se no tivesse perdido tempo discutindo com Rick, talvez tivesse ouvido Blanche chegar. Seu rosto estava to plido, ao se levantar 
desajeitadamente, que Rick olhou para ela de maneira penetrante. Desesperada, ela tentou dizer alguma coisa, mas s um som spero saiu de seus lbios.
Pouco depois, ela se deu conta de que no precisava ter se preocupado. Blanche, com sua esperteza habitual, tomou logo conta da situao, depois de um momento passageiro 
de espanto. Quando Rick se aproximou, ela se atirou diretamente em seus braos, com um gritinho.
- Rick! Oh, querido,  maravilhoso!
Paralisada, Emma viu quando ele a abraou e beijou afetuosamente.
- Eu estava comeando a pensar que voc jamais viria - Rick resmungou. No entanto, no havia nenhuma indulgncia em seu olhar quando ele se voltou para o homem que 
tinha chegado com ela.
Blanche pareceu meio ofegante, como se o leve beijo de Rick tivesse durado mais do que durara. Seus olhos tambm brilhavam, mas com um tipo estranho de emoo.
-  maravilhoso v-lo - ela repetiu -, mas voc deveria ter me avisado que viria. Eu talvez nem estivesse aqui, se no tivesse me lembrado de que Rex ia levar Emma 
para passear esta noite. Por isso lhe pedi para me dar uma carona at em casa. - Com um sorriso encantador, Blanche olhou de relance para Emma. - Rex ficou resmungando, 
dizendo que eu o estava atrasando, mas eu lhe disse que voc talvez at tivesse se esquecido. No estou certa?
Enquanto Emma tentava se recompor, Blanche virou as costas para Rick, e olhou significativamente para Rex e depois para sua prima.
Rex foi o primeiro a entender, talvez porque em seus negcios ele estivesse acostumado a tratar de situaes incomuns. Com um sorriso cativante, ele puxou Emma em 
sua direo e beijou levemente os lbios trmulos.
- Posso ver que esteve ocupada, querida. Por isso, acho que no tem importncia o fato de eu ter chegado atrasado. Mas, se formos danar,  melhor voc andar depressa.
- Danar? - ela murmurou, com os olhos cinzentos arregalados ao tentar desvencilhar-se dos braos dele, sem sucesso.
- No me diga que se esqueceu mesmo! - ele brincou, enquanto seus dedos se enterravam cruelmente no brao dela, como para dar um aviso. Suspirando profundamente, 
olhou para Rick Conway.
- Emma fica to absorta com a fazenda que muitas vezes se esquece de mim.
- Ns poderamos ir todos danar - Blanche apressou-se a dizer, como se alguma coisa na expresso de Emma lhe mostrasse que seus planos ainda poderiam falhar. - 
No poderamos, meu bem? - apelou, sorridente, a um Rick calado.
- Como voc quiser - ele assentiu preguiosamente -, mas acontece que ns temos muita coisa para conversar.
Blanche franziu a testa.
- Ser que no podemos conversar depois?
- Temos que tratar de um casamento - ele respondeu. - O nosso.
- Casamento? - Blanche pareceu espantada, quase chocada.
- Estamos noivos, no se lembra? - Rick lhe fez lembrar, num tom de voz muito seco.
- Sim,  claro! - O sorriso dela pareceu um pouquinho forado.
- Eu no me esqueci, Rick, mas voc poderia ter me avisado que viria. Eu no posso deixar tudo de lado de um momento para outro. Tenho os meus contratos como manequim 
para cumprir.
Os olhos de Rick se estreitaram. Ento ele encolheu os ombros.
- Ns no podemos conversar sobre isso aqui. - Dirigiu outro olhar enigmtico a Rex. - Talvez mais tarde. - Havia uma expresso de antipatia no rosto de Rick Conway, 
mas nenhuma suspeita.
Com um ar levemente divertido, Rex apertou ainda mais o brao que estava passado em volta de Emma. Ela conseguia perceber o prazer quase grotesco que ele estava 
sentindo com o seu desconforto. Um prazer que aumentou ainda mais quando ele lhe pediu suavemente para que se apressasse.
- Se estiver muito cansada, querida, eu posso ajud-la. - E sorriu, acrescentando de maneira ultrajante: - No seria a primeira vez.
- Eu me arranjo sozinha - murmurou Emma, reprimindo um desejo intenso de esbofetear aquele rosto cnico.
Encontrando uma expresso de irritao no rosto de Rick Conway, Emma sentiu-se nauseada. No era difcil adivinhar o que ele estava pensando. Blanche j tinha armado 
muitas confuses, mas desta vez parecia que tinha ido longe demais. A prima precisaria de toda a sua inteligncia e astcia, para sair com sucesso dessa encrenca! 
Ser que realmente esperava que ela fosse danar com eles? No poderia ter se esquecido de que ela no tinha nada para vestir.
Apesar de tudo, Emma acabou concordando com a situao.
- D-me apenas alguns minutos. Eu, infelizmente... - e dirigiu um olhar de desculpa a Rick - quero dizer, ns estivemos to ocupados, que esqueci de tudo o mais. 
- Tentando controlar o tremor em sua voz, ela se virou para Blanche. -Voc tambm no vai subir para se vestir?
- Depois que eu levar Rex e Rick  sala de estar e lhes arranjar alguma coisa decente para beber. - Blanche olhou com uma careta para o caf, que agora estava frio. 
- V indo na frente.
Quando a prima a seguiu, pouco depois, Emma estava sentada em sua cama. Olhou com os olhos arregalados para Blanche que parecia incrivelmente satisfeita consigo 
mesma, e perguntou:
- O que  que vamos fazer agora?
- Fazer? - Blanche sorriu alegremente ao tirar o casaco, como se os dois homens l embaixo no representassem nenhum problema real. - Torcer para que tudo d certo, 
acho - respondeu, com uma frieza que Emma achava difcil de acreditar.
- Acho que voc est agindo muito mal, saindo com um homem enquanto est noiva de outro! - desabafou, como se tivesse finalmente encontrado coragem.
- No precisa ficar to brava! Como  que eu poderia adivinhar que Rick chegaria? Se tivesse algum miolo, voc teria procurado me avisar que ele estava aqui, e tudo 
isso seria evitado. - Seus olhos azuis estavam frios de desprezo, e ela acrescentou maldosamente: - E voc  to hipcrita que aposto que torceu para que tudo isso 
acontecesse!


CAPITULO II

Emma olhou para a prima e engoliu em seco. As palavras de Blanche no a assustavam tanto quanto o dio e o desprezo que havia em sua voz.
Mordendo o lbio e suspirando de tristeza, Emma conseguiu manter uma certa dignidade.
- Eu tentei telefonar, mas parece que ningum sabia onde encontr-la. E, se Rick rompesse de fato o noivado, a culpa seria s sua, porque eu certamente no tenho 
nada com isso. -Emma disse isso com voz trmula e com seu rosto plido comeando a ficar vermelho.
Blanche, aparentemente receando que ela fosse ter uma crise histrica, foi logo dizendo:
- Sinto muito. Eu reconheo que voc tem razo, mas no pode me deixar na mo agora. Voc precisa me ajudar!
Emma conseguia quase ver como a mente da outra estava trabalhai do. Blanche no teria deixado as coisas chegarem a esse ponto, se no fosse pelos dois homens que 
estavam l embaixo.
- Se ajudar significa eu sair esta noite, infelizmente no posso.
- Eu no estou lhe pedindo muito, querida - Blanche estava agora adulando-a desavergonhadamente. - Ns iremos a algum lugar sossegado, onde Rex e eu no sejamos 
conhecidos, e s ficaremos l durante uma hora ou duas.
- Mas o que est me pedindo  que eu a ajude a enganar Rick - disse Emma, recuperando parte de sua compostura. - E  exatamente o que eu no gosto!
- Mas em que isso poder afetar voc? - Blanche comeou a perder a pacincia de novo. - No me diga que se apaixonou por ele!
- ! Vai ver voc tem razo! - A boca suave de Emma se repuxou, num sorriso irnico. - Que possibilidades voc acha que eu teria com um homem como aquele? Mas, se 
eu tivesse me apaixonado por ele, teria a decncia de me lembrar de que existem coisas chamadas princpios e lealdade. Se Rick soubesse o que est acontecendo, ele 
no iria querer mais saber de voc.
- Como  que voc sabe? Voc acha que ele  um santo? Se eu tenho que deixar passar os casos dele, no vejo por que ele no deva fazer o mesmo, quando se trata de 
mim. Por que  que as regras devem ser diferentes para homens e para mulheres?
- Espero que saiba o que est fazendo - disse Emma, compreendendo que era perda de tempo tentar fazer Blanche entender.
- Ns j falamos sobre isso antes, Emma. - E depois de uma pausa durante a qual ela fez um esforo quase visvel para controlar a raiva, com a voz rouca pelo esforo, 
Blanche implorou: - Por favor, vista alguma coisa e pare de discutir.
- Eu no tenho um vestido.
- O qu? - Blanche explodiu. Sua fria aumentou, por achar que Emma estava procurando criar obstculos de propsito. - Quando chegou aqui, voc tinha vrios! Qualquer 
um deles serve.
Emma levantou o queixo em desdm.
- Sua me ficou com os meus vestidos e no perguntei o que ela fez com eles. S me restou um, que ela achou que no valia a pena levar.  um que eu usava quando 
tinha catorze anos, nas ocasies em que havia algum acontecimento na escola.
Blanche teve dignidade suficiente para corar, mas no havia nenhum pedido de desculpa em sua voz quando ela disse rispidamente:
- Acontece que eram modelos absurdamente caros, de Paris... De que eles adiantariam aqui? As traas teriam acabado com eles, e voc nos custa muito dinheiro, de 
um jeito ou de outro. Essa foi a nica forma de conseguirmos recuperar pelo menos uma parte desse dinheiro.
- Agora no importa - falou Emma, querendo encerrar o assunto.
Ela mesma achava quase impossvel acreditar que j possura uma boa quantidade de vestidos de noite, cada qual valendo muitas centenas de libras. Em certas coisas, 
seu pai sempre a mimara demais, talvez porque gostasse de exibi-la. Todas as suas coisas tinham que ter um certo padro, inclusive sua filha, por mais jovem que 
fosse. Mas como ficar relembrando o passado no iria resolver o problema daquela noite, Emma suspirou e afastou esses pensamentos.
- Voc poderia me emprestar um dos seus vestidos - ela sugeriu a Blanche.
- Os meus no lhe serviriam, a no ser que voc quisesse ser objeto de risos. Eu sou muito mais alta e voc ficaria ridcula... bem mais do que j ... No.  melhor 
usar o seu vestido velho, se conseguir encontr-lo.
- Voc no se incomoda se eu ficar pior do que de costume? - Emma perguntou secamente.
- E quem vai reparar em voc, enquanto eu estiver por perto? - Blanche falou sarcasticamente.
Foi s mais tarde que Emma compreendeu como isso era verdade. Ningum a tinha notado. Engolindo em seco para aliviar um aperto que sentia na garganta, ela procurou 
se descontrair nos braos de Rex, enquanto danavam no clube noturno para onde haviam ido. Era a primeira oportunidade que tinha de falar com Rex a ss, e estava 
determinada a aproveit-la.
- Por que voc continua vendo Blanche, Rex? Voc sabe que ela est noiva.
Rex resmungou baixinho, olhando-a nos olhos.
- No estrague, Emma! - Estragar o qu?
- Bem - ele de repente sorriu -, voc pode ser meio sem graa, mas dana divinamente. Eu seria capaz de me apaixonar, s por causa do jeito como voc dana.
- Pare de ser to bobo, Rex!
Ele sorriu mais uma vez e, em seguida, ficou srio, procurando estudar as feies dela.
- Sabe de uma coisa? Acho que voc tem muitas possibilidades.
- Oh, pelo amor de Deus, Rex, no seja ridculo! Alm do mais, ns no estamos falando sobre mim! Acho que voc est s querendo mudar de assunto.
- No. - Ele meneou a cabea e continuou estudando-a. - Eu estou muito acostumado a avaliar as pessoas, para dispens-la sem mais nem menos. De repente me convenci 
de que posso transform-la em alguma coisa. Se algum dia precisar de um emprego, Emma...
- Pois eu no vou precisar. - Interrompeu bruscamente o que estava parecendo uma oferta, querendo saber por que os homens gostavam de brincar quando havia alguma 
coisa importante em jogo. - Ns estamos falando de Blanche.
- Voc est - ele corrigiu suavemente. - Voc deu a entender que eu estou corrompendo uma jovem inocente. Bem, vamos esclarecer uma coisa:  verdade que Blanche 
est noiva, mas ela no  inocente e nem  mais virgem como voc. Ela deixou de ser os dois h muitos anos.
- Mas tudo isso ficou para trs agora - Emma insistiu, sem muita convico. - Ela vai se acomodar, tenho certeza. E ainda ter Rick para ajud-la.
- Oh, Conway no liga para o jeito dela. No estou dizendo que Blanche no seja deliciosa, mas dentro de um ou dois anos, quando todo o seu encanto se desgastar, 
o que  que lhe vai restar?
Emma estremeceu ao reconhecer a verdade do que ele falara. Pelas manhs, Blanche, de ressaca e sem maquilagem, podia passar por uma mulher muitos anos mais velha.
- Mas o caso no  esse. - Emma no sabia se estava discutindo consigo mesma ou com Rex, mas sentia que precisava fazer alguma coisa para impedir um desastre iminente.
- No se preocupe com isso, minha filha. - Os braos de Rex a apertaram de maneira irritante. - Blanche  bem capaz de resolver seus prprios problemas. E eu nunca 
me meto, a no ser que seja convidado.
Mais tarde, Emma danou com Rick. No conversaram muito, mas ele lhe perguntou se conhecia Rex Oliver h muito tempo.
- H bastante tempo - ela respondeu, com cautela, tentando se lembrar inutilmente da primeira vez em que Blanche levara Rex at em casa.
- Tem certeza de que ele  do seu tipo? - Rick perguntou secamente. E, vendo que ela o olhava irritada, levantou a mo de maneira apaziguadora. - Oh, no! Espere 
um momento. Pelo que vejo, voc no tem ningum para aconselh-la. Blanche acabou de me dizer que voc no d ouvidos a conselhos.
- Ora, com todos os...
- Acho que voc tambm no me daria ouvidos, no? - Ele ignorou a sua exploso de raiva, que parecia patentear sua culpa.
- E por que eu daria ouvidos a voc ou a quem quer que seja? - Emma respirou fundo, e seu tom de voz era frio. - D-me um bom motivo! 
- , tem razo. - Rick sorriu ironicamente. - Alm de ajud-la hoje, acho que no fiz mais nada para parecer agradvel aos seus olhos, no? Sei que fui grosseiro 
ao falar sobre a sua aparncia e creio que me esqueci de que no estava falando com a minha irm mais nova.
- Acho que sim. - Emma estremeceu quando ele a apertou mais, inesperadamente.
- Voc  astuta,  uma boa cozinheira e uma danarina excepcional, alm de ser uma fazendeira competente.  provvel que, se voc apregoasse mais as suas qualidades, 
os homens talvez no notassem... as outras coisas...
- Um estranho geralmente no insulta - ela respondeu friamente, recusando-se a se deixar impressionar pelas novas palavras de elogio.
- No  assim que eu classificaria algumas palavras francas - Rick disse lentamente. - E eu tambm no posso ser classificado como um estranho.
- Ns nos vimos apenas uma vez.
- Talvez ento eu tenha cometido o meu primeiro erro. Eu deveria ter aproveitado melhor essa oportunidade, mas voc no me encorajou muito. Voc s ficou olhando 
para mim com esses grandes olhos condenadores, como se no tivesse gostado de mim logo de cara.
- Ora, no sei por que voc pensa assim. Eu nem o conhecia. Na verdade, fiquei meio curiosa em saber o porqu de voc ter escolhido Blanche... quero dizer, depois 
de todas as outras mulheres que deve ter conhecido mais perto de casa.
- Talvez nenhuma delas me quisesse.
- Ns dois sabemos que isso no  verdade.
As sobrancelhas de Rick se ergueram sarcasticamente, e Emma corou.
- No me diga que me acha bonito o bastante para atrair tantas mulheres quanto eu queira - zombou ele com um ar de insolncia que a deixou irritada.
- Talvez seja mais por causa da sua conta bancria - respondeu, sentindo um certo triunfo maldoso ao ver os lbios dele se contrarem.
Rick estava para responder, quando a msica parou. Emma ficou aliviada, pois imaginava o que ele iria dizer. Ento Blanche e Rex se aproximaram deles.
Rex quis danar com Emma durante quase todo o resto da noite, e, apesar de no gostar dele, ela comeou a se divertir. Nunca mais tinha danado, desde que deixara 
a escola, e estava gostando muito.                                                               
Estranhamente, Rex tambm estava se divertindo, e, a seu lado, aquele ar de tdio que sempre ostentava desaparecia. Uma vez, quando Emma disse alguma coisa que ele 
achou engraado, Rex riu alto e a abraou com fora. Rick pareceu notar isso e no escondeu o desprezo. Blanche fez uma carranca tambm e no fez questo de esconder 
seu desprezo ao ver Rex se divertindo.
Mais tarde, quando as duas estavam no toilete, Blanche lhe disse que no era preciso exagerar. Emma arregalou os olhos, espantada.
- Voc no queria que eu fingisse que Rex era meu namorado?
- Sim, queria - Blanche respondeu rispidamente -, mas voc no precisava exagerar!
Logo depois eles retornaram  fazenda, e tanto Rex como Rick foram embora cedo. Para surpresa de Emma, Rick foi primeiro, mas combinou voltar na noite seguinte, 
para finalizar seus planos com Blanche.
O dia seguinte arrastou-se com uma lentido pouco comum para Emma. Ela estava na cozinha lavando a loua, quando ouviu a campainha da porta tocar. Calculando que 
ningum tivesse atendido, enxugou as mos apressadamente e foi ver quem era.
Abrindo a porta da cozinha, Emma ficou espantada e embaraada ao ver Rick Conway com os braos em torno de Blanche, beijando-a de uma maneira lenta e provocadora, 
enquanto lhe acariciava as costas nuas.
Emma engoliu em seco, sentindo seu rosto ficar vermelho. Nenhum homem jamais tocara nela daquele jeito. Procurou esconder seu embarao adotando uma atitude de escrnio, 
que transpareceu claramente em seus frios olhos cinzentos, quando estes encontraram os de Rick.
Levantando a cabea, ele viu o brilho de reprovao nos olhos de Emma. Ele prprio olhou para ela com raiva e suas mos se contraram, at que Blanche, no sabendo 
o que estava acontecendo, deu um gritinho de protesto.
Sem esperar mais, Emma virou-se rapidamente, entrando de novo na cozinha. Foi quando ouviu Blanche dizer que iria subir para pegar seu casaco.
Sentindo-se ofegante como algum que tivesse corrido uma grande distncia, Emma j ia sentar-se numa cadeira quando a porta se abriu e duas mos a seguraram, mantendo-a 
em p. Ento Rick virou-a bruscamente, obrigando-a a encar-lo.
- Nunca mais olhe para mim desse jeito, moa! - ele falou asperamente, puxando-a em sua direo e beijando-a com uma volpia que ela desconhecia. - As mos de um 
homem ficam um tanto atadas quando se trata de punir uma mulher - disse depois, abruptamente. - Mas voc pediu por isso.
- No! No  verdade! - Recobrando uma parte de sua calma, Emma rebateu. - Eu no gostei do que voc estava fazendo com Blanche, e no iria fingir que gostei!
- Ora, vejam s quem est falando! - Os olhos dele estavam sombrios e caostas. - Voc no est em posio de me julgar. O seu amigo Rex Oliver contou-me muitas 
coisas ontem  noite, quando voc e Blanche no estavam presentes.
- Vocs falaram sobre mim? - Emma sentiu o sangue gelar. - Mas que ousadia!
- No era exatamente eu quem estava falando - disse Rick secamente. - Era o seu namorado, o seu amante, o homem com quem voc quer se casar. S que ele est tentando 
tirar o corpo fora. Foi por isso que ele chegou deliberadamente tarde ontem  noite. No tinha nada a ver com Blanche.
Emma empalideceu.
- Rex disse isso? Ele no poderia ter dito uma coisa dessas!
- Ora, deixe disso, Emma. No precisa se fingir horrorizada. Voc no  nenhuma virgem inocente, no precisa fingir para mim. No  de se estranhar que a pobre Blanche 
esteja tentando salv-la de voc mesma. Acho que Rex no  o seu nico homem.
Emma arregalou os olhos e se afastou. No podia fazer outra coisa. Por que no denunciava Rex e Blanche imediatamente? Suas mos estavam atadas: se tentasse se defender, 
no haveria o casamento. Por que no deixar Rick acreditar naquilo que ele tinha ouvido falar? Depois do casamento, ela no o veria mais, e ele que pensasse o que 
quisesse.
- Eu posso cuidar de mim mesma - ela disse finalmente, baixando seus olhos atormentados para que ele no notasse a sua dor.
- Estou vendo que sim, pois quase conseguiu me enganar - ele respondeu secamente. - Mas, mesmo que Rex no tivesse falado, eu teria notado isso ao danar com voc. 
Vi ento que voc no era nenhuma adolescente tmida. A maneira como voc se movia em minha frente era no mnimo provocadora.
Furiosa, Emma levantou a mo e o esbofeteou com fora. 26
- Ora, seu... Oh! no consigo encontrar palavras! Nenhum homem pode falar comigo desse jeito! Fala como se eu fosse uma... uma vagabunda!
- Foi essa a impresso que tive. - Ele sorriu com desprezo, deu meia-volta e a deixou.
Emma no viu Rick de novo antes que ele partisse para a Austrlia. Pela primeira vez, ela se sentia feliz por ficar de fora das atividades sociais da famlia. Assim 
que soube que ele tinha ido embora, disse  tia e  prima que no tinha nenhum desejo de comparecer ao casamento. Hilda, obviamente pensando que isso representaria 
uma despesa a menos, respondeu suavemente que no tinha importncia, uma vez que algum teria que ficar para cuidar da fazenda.
Foi pouco depois de uma semana que Blanche irrompeu em seu quarto.
- Mame saiu e eu preciso falar com voc - disse, sem rodeios.
Emma, que estava ocupada cerzindo um par de meias de l, levantou os olhos e franziu a testa. O rosto de Blanche tinha uma expresso que no lhe era estranha. Ela 
parecia excitada com alguma coisa.
- Voc voltou cedo hoje, no? - disse Emma, tentando fazer com que Blanche fosse direto ao assunto.
- Eu vou a Paris, passar alguns dias. Com Rex - ela acrescentou friamente, desafiando a prima a contest-la.
Emma ficou perplexa demais para dizer qualquer coisa imediatamente, mas a expresso de apreenso em seus olhos falou por ela. Apenas pestanejou e engoliu em seco.
- Eu no sou criana, Emma - exclamou Blanche, ao ver sua expresso. - Sei o que estou fazendo, e por isso no comece a perguntar sobre Rick. Ele no precisa saber 
disso.
- Mas... por qu? -. Emma sussurrou, horrorizada. - Quero dizer, voc est para se casar. E se Rick descobrir? O que vai acontecer ento?
- Ele no vai descobrir.
- Como  que voc sabe? Alm disso, no  justo!
- Oh! Cale a boca, sua santarrona! - Blanche disse venenosamente. - Voc no conhece Rick. Quando estivermos casados, ele comear a me controlar. A esposa dele 
ter que andar na linha em todos os sentidos. Ele no  realmente aquele sujeito preguioso e sarcstico que voc conhece.
Emma corou visivelmente.
- Se voc acha isso de Rick, por que vai se casar com ele, pelo amor de Deus!
- Eu j no lhe disse antes? Para no ter mais que trabalhar, para ter todo aquele sol e aquele dinheiro. Mas voc pode estar certa de que ele vai exigir muito pelo 
seu dinheiro!
- Eu acredito. Mas o dinheiro no  tudo, Blanche.
- Eu no vou me queixar - Blanche escarneceu.
- Eu ainda no compreendo como voc pode at mesmo pensar em se casar com ele, quando ama Rex.
- Voc est maluca? Gosto de Rex, sinto-me atrada por ele, mas nada de sentimentos mais profundos. E, depois, ele sempre me ajudou muito na minha carreira.
Isso tudo estava alm de sua compreenso, e Emma sentiu-se impotente ao olhar para a prima. Uma coisa era bem bvia: Blanche no estava procurando conselhos, favorveis 
ou no. Em todo caso, Emma tentou d-los.
- Ento, por que no se esquece de Rex e no procura se concentrar na fortuna de Rick? Tenho certeza de que ele vai lhe dar uma vida boa, e no acho que encare voc 
como um negcio. Na verdade, ele disse que nunca mais olhou para uma mulher, desde que a conheceu.
-Durante todos esses trs meses?!
- Numa ilha como Barbados, isso deve provar que ele gosta de voc. Deve haver muitas mulheres bonitas l, muitas tentaes...
- Eu sei muito bem o que existe em Barbados - Blanche falou asperamente -, mas ele no fica l o tempo todo. Ele tem outras propriedades no Caribe. Uma das ilhas 
 completamente isolada, e Rick adora ficar l. Provavelmente, foi l que ele esteve durante os ltimos trs meses, para evitar as tentaes. Ouvi dizer que muitas 
vezes supervisiona pessoalmente o trabalho. Mas, se ele pensa que eu vou ficar enterrada l durante semanas seguidas, est muito enganado!
- Ele talvez esteja desenvolvendo algum empreendimento l - sugeriu Emma. - Eu no consigo imagin-lo fazendo alguma coisa que no queira.
- Pois eu no sei - disse Blanche, irritada. - s vezes duvido que Rick sirva para mim. Ouvi dizer que ele  um homem muito sensual.
- Se fosse voc, no me casaria com ele! - Emma fez um esforo para se equiparar  franqueza desconcertante de Blanche. - Diria a ele simplesmente que tinha mudado 
de idia.
- Voc no diria isso se tivesse uma oportunidade de se casar com ele - Blanche zombou.
- E voc parece determinada a jogar a sua fora.
- No, eu no quero isso. Pretendo realmente ser a sra. Rick Conway, mas primeiro quero me divertir um pouco.
- E se Rick descobrir?
- Ele no vai descobrir... No, se voc prometer me ajudar.
- Eu? - O corao de Emma bateu mais depressa, ao se imaginar sendo alvo da fria de Rick. J tinha recebido uma amostra da ira dele e no pretendia receber outra!
Blanche ignorou seus protestos, como vinha fazendo h anos.
- Tudo o que estou lhe pedindo - disse ela friamente -  que diga a Rick, caso ele telefone, que eu fui visitar tia Helen, que, todos ns sabemos, no possui telefone. 
Vou levar mame at l amanh, para passar alguns dias com ela, j que titia no anda bem de sade e no pode vir para o casamento. Por isso, se Rick perguntar depois 
 tia Helen alguma coisa nesse sentido, o que eu duvido muito, no lhe ocorreria procurar saber qual de ns duas esteve mesmo com ela.
Pasma com o descaramento de Blanche, Emma exclamou:
- E se Rick perguntar  sua me sobre isso, quando voltar?
- No se preocupe... ele no vai perguntar. Por que deveria? - Blanche, muitssimo confiante, deu de ombros. - Em todo caso, eu vou conversar com mame mais tarde. 
Ela no vai me deixar na mo.
- E voc est me pedindo ajuda para enganar Rick tambm?
- Ora, deixe disso! - Blanche bufou de exasperao. - Por que voc precisa ser to dramtica? Por que no faz de conta que no quer v-lo magoado, j que a sua conscincia 
a est incomodando? Tenho certeza de que, se encarasse a coisa desse jeito, no seria to difcil. Voc sempre foi caridosa.
- Eu... eu ainda no sei...
- Bem, ento conte-lhe a verdade... qualquer coisa que voc quiser! - E Blanche foi saindo do quarto, furiosa. - Diga-lhe o que bem entender. Eu no me importo. 
Eu vou a Paris com Rex!
Quando a prima bateu a porta, Emma ficou atordoada, compreendendo que seria impossvel contar a Rick esse tipo de verdade. Ela sabia disso e Blanche tambm. Quando 
Blanche no conseguia o que queria atravs do que considerava uma argumentao lgica, recorria a um artifcio que raramente falhava.
A casa estava vazia e silenciosa, e os nervos de Emma comearam a ficar cada vez mas tensos, diante da possibilidade de que Rick telefonasse da Austrlia a qualquer 
hora. Ele j tinha telefonado uma vez, antes de Blanche partir, e era pouco provvel que telefonasse de novo antes do fim de semana. Mas tudo podia acontecer.
Ao partir para Paris, Blanche rompera o silncio incmodo que perdurava entre elas desde a conversa no quarto de Emma. Ela dissera-lhe o nome do hotel luxuoso onde 
se hospedaria com Rex. S lhe dera essa informao porque ela e a me tinham encontrado Helen pior do que esperavam, e o mdico havia avisado que a mulher talvez 
no vivesse muito.
- No telefone para mim a menos que a velha morra - Blanche recomendara-lhe, alm de amea-la, caso revelasse seu paradeiro a quem quer que fosse.
Emma, ouvindo Rex buzinar alto em frente da casa, como se fugir com a noiva de outro homem no fosse algo para se manter em segredo, tivera vontade de sair e falar 
com o rapaz. Ele e Blanche talvez formassem um bom par, mas pelo menos Rex no estava noivo de ningum. Sob aquela aparncia mundana e sofisticada, podia ser que 
houvesse uma centelha de decncia.
- No se atreva! -Blanche havia gritado, adivinhando claramente suas intenes.
- Talvez valha a pena tentar. - Emma encarara corajosamente a prima.
- E se fosse bem-sucedida? Voc se ofereceria para ir em meu lugar? Mas penso que acharia Paris grande demais para voc!
Depois disso, Blanche pegara a sua mala e partira.


CAPITULO III

Rick Conway no telefonou. Simplesmente chegou  fazenda um dia depois de Blanche ter partido. Ele no se deu ao trabalho de bater:-abriu a porta da cozinha com 
muita naturalidade e entrou.
Naquele momento, Emma sentiu a gravidade da situao e teve uma grande dificuldade para conter um riso histrico, quando ele perguntou, de modo casual:
- Por que  que voc fica sempre na cozinha quando est em casa?
Ela ficou estupefata demais para responder de imediato. Tinha acabado de ir at o campo, levar caf para.Jim, e estava para tomar seu prprio caf. Depois iria comear 
a trabalhar nos livros de contabilidade.
- Voc no devia estar aqui! - murmurou.
- Bem, eu no gostaria de estar em outro lugar neste momento - Rick disse lentamente. - Onde est Blanche?
- Blan-Blanche? - Ela percebeu uma certa tenso no rosto dele, com seus olhos se estreitando de maneira alarmante quando tirou o palet.
- Se ela saiu, diga-me aonde foi. Mas, por favor, no me venha com essa histria de que voc no sabe!
Oh, Deus, como ela iria safar-se dessa? Por trs da tenso de Rick, havia determinao e suspeita.
- Eu... acho que ela viajou para o exterior, mas no sei para onde.
- Exatamente o que voc disse da ltima vez. S que desta vez voc resolveu dizer que ela foi para o exterior.
- Como  que eu vou saber exatamente para onde ela foi? - Emma perguntou, julgando que a agresso talvez fosse sua nica defesa. - No  da minha conta, e eu no 
pergunto.  melhor indagar em Londres, em sua agncia ou em qualquer outro lugar. Estou ocupada... por isso, quer me dar licena?
Emma jamais acreditaria que Rick fosse capaz de levant-la da cadeira to depressa. Num momento, l estava ela em p, desafiando-o. No momento seguinte, ele a suspendeu 
como um furaco. Um instante depois, colocou-a de bruos em cima dos joelhos, batendo sem piedade sobre o seu traseiro, enquanto ela gritava de raiva e de dor.
- Solte-me, seu brutamontes, seno vou chamar a polcia!
Ele se fez de surdo. A mo continuou a subir e a descer com renovado vigor.
- Eu s vou parar quando voc concordar em falar - disse asperamente, ignorando suas ameaas.
Ele estava falando srio! Emma gemeu alto, soluando. Blanche no lhe havia dito que ele passava muito tempo em lugares isolados e pouco civilizados? Ela tambm 
tinha razo quanto  sua aparncia enganosa. A calma e a pacatez de Rick Conway eram superficiais. Havia uma cruel selvageria por baixo delas, que era transmitida 
claramente por sua mo.
Lgrimas escorriam pelas faces de Emma quando ela resolveu desistir.
- Pare, por favor! - suplicou.
- J chega?
Ela acenou afirmativamente com a cabea, visivelmente humilhada.
- Eu o odeio! - exclamou, quando ele a soltou.
- Isso  problema seu.
Ao ficar de p, ela sentiu-se tonta e toda dolorida.
- V para o in... No! - ela gritou, quando Rick estendeu a mo para agarr-la de novo.
Parando, ele disse rispidamente:
- Ento, fale. No estou interessado no lugar para onde voc quer que eu v.
Emma tremia de dio. Seria capaz de mat-lo. A tontura ainda persistia, minando-lhe toda a fora para enfrent-lo.
- Onde est ela, Emma?
- Est em Paris - disse Emma, soluando, sentindo como se as palavras lhe tivessem sido arrancadas. Mas isso era tudo o que ela iria dizer. Levantou seus olhos grandes 
e marejados, desafiando-o a perguntar outra coisa.
- Com quem?
- Com quem...? - Emma fez o possvel para demonstrar desinteresse.
- Vamos, fale! - Os msculos do queixo dele se contraram. - Eu quero respostas, Emma, e no evasivas... seno...
As implicaes disso no poderiam ter sido mais claras. Mais lgrimas lhe escorreram pelas faces, pois ela no conseguia cont-las, porm no havia nenhum vestgio 
de piedade no rosto duro e implacvel de Rick. Em todo caso, ela tentou ainda defender a prima, que sempre a tratara com inferioridade e desprezo.
- Eu no vou falar - disse, arquejante. - Eu no posso!
- Pode, sim. - Ele agarrou os seus cabelos, desta vez.
- Oh... - Emma gemeu, odiando-o, mas incapaz de revidar. Havia uma forma de se vingar, mas ela estava relutante em us-la. Foi preciso que ele puxasse com fora 
pela segunda vez, para ela resolver que Rick merecia sofrer, tanto quanto a estava fazendo sofrer. Furiosa e amedrontada, deixando momentaneamente de lado a discrio, 
disse, soluante: - Blanche est com Rex!
- Ah... - Rick suspirou de raiva. Durante um segundo ele ficou to imvel que Emma estremeceu. - Ento eu fiz bem em voltar mais cedo. Aquela rameira! Eu gostaria 
de...
Ela tapou os ouvidos para no ouvir o que ele disse a seguir. Ansiosamente, procurava alguma palavra que o fizesse sentir-se melhor, mas ser que haveria alguma 
coisa que pudesse acalmar um homem nessas circunstncias?
- Blanche no queria que voc soubesse disso - ela conseguiu dizer. - Tenho certeza de que ela no queria mago-lo.
- Voc acha mesmo que isso ajuda? - vociferou ele. Emma levou as mos ao rosto plido.
- O que mais posso dizer?
- Voc sabia o que estava acontecendo, no? - Rick a atacou de novo, com seu tom de voz rspido e contundente. - Voc sabia que estava lutando uma batalha perdida 
por Rex Oliver. Sabia que isso poderia acontecer facilmente, mas nunca pensou em me avisar.
- Voc teria me dado ouvidos? - murmurou Emma, horrorizada com aquela interpretao torcida dos fatos.
- Se no estivesse to ocupada tentando agarrar-se a Oliver com unhas e dentes, voc talvez tivesse tido tempo para pensar nos outros!
- Voc no inspira ningum a se preocupar com voc, Rick. Parece sempre to capaz de cuidar de tudo sozinho.
- Voc est sendo sarcstica! - Ele olhou-a fixamente, e seus olhos eram frios como ao. - Eu posso cuidar de muitas coisas, mas no de uma coisa de que no sei 
nada a respeito. Ento tenho que confiar no meu instinto, por isso voltei dez dias antes do prazo.
- Se eu tivesse conseguido falar com Rex...
- Ele teria escutado? - Rick Conway olhou-a com desdm. - Para mim est bastante claro, agora, que ele usou voc com um nico propsito. E ainda duvido muito que 
ele tenha gostado disso.
Rick estava to exaltado que precisou dar uma parada para respirar. Sua raiva era aparentemente to grande quanto a dela.
- Voc poderia ter se sado pior dessa histria toda. Rex poderia ter convencido voc a ir a Paris com ele, no lugar de Blanche. Mas, antes de comear a se congratular, 
no pense que vai se safar dessa. Voc tem muitas coisas pelas quais responder: trazer um homem como aquele at sua casa, conspirar para me enganar...
- Eu... - Emma interrompeu-se. De que adiantaria tentar convenc-lo de que no era culpada? Ele no acreditaria, e dentro de poucos minutos iria embora. De repente, 
por mais que o detestasse pelo que tinha feito, ela sentiu um forte desejo de provar sua inocncia, pelo menos quanto  maior parte das coisas das quais ele a estava 
acusando. Afinal, Blanche e Rex no teriam mais nada a perder. Mas ela precisava se certificar disso.
- Voc no pode perdoar Blanche? - murmurou. - Ser que no a ama mais? No acredito que algum possa parar de amar assim.
- Amor! - Rick escarneceu, mas, enquanto Emma esperava ouvir mais alguma coisa, ele mudou de assunto. - Eu no sou muito bom para perdoar os outros, muito menos 
mulheres que fogem com outros homens. Certamente no pretendo perdoar Blanche, e nem pretendo deix-la impune. Como voc, ela vai pagar por seus pecados.
- Espero que no esteja pensando em fazer nenhuma loucura. - Emma engoliu em seco. -  to fcil fazermos coisas das quais nos arrependemos depois.
- Voc estar comigo o tempo todo - ele prometeu, seus olhos cintilando friamente -, e assim vai ver se eu vou sentir remorsos ou no.
Do que ele estava falando? No tinha certeza se queria realmente saber. Estava cansada e gostaria que ele fosse embora logo e a deixasse em paz. Haveria mais recriminaes 
quando Blanche voltasse para casa, e ela no sabia se iria suportar. Ao olhar para Rick Conway, todo o desejo de vingana se dissipou. Se tinha algum desejo naquele 
momento, era simplesmente de v-lo sumir de sua frente.
- Infelizmente - disse ela -, eu no estou entendendo voc muito bem, mas acho que seria melhor se fosse embora. Eu mesma no me sinto muito bem. De certa forma, 
acho que sofri um choque quase to grande quanto o seu.
- Ns precisamos conversar. - Rick olhou friamente para ela, sem o menor brilho de compaixo nos olhos.
- Nem toda a conversa do mundo vai adiantar. Mas, antes de dizer mais alguma coisa, acho que voc deveria ver Blanche. Poderia haver uma explicao muito simples.
- Sexo e boa vida, com a propriedade alheia - ele respondeu causticamente. - Pensando bem, acho que o sexo no entra realmente nisso. Ela sempre foi uma vagabunda 
frgida...
- No se atreva a dizer uma coisa dessas! - Com o rosto pegando fogo, Emma interrompeu-o. - Eu no sou obrigada a ouvir esse tipo de conversa. Recuso-me a falar 
com voc de novo.
- Voc vai fazer mais do que isso: vai casar-se comigo.
-  mesmo? - perguntou ela, ofegante, incapaz de imaginar que aquilo no fosse uma brincadeira.
- Sim,  mesmo - Rick assegurou-lhe, com um brilho duro nos olhos. - Eu sempre tomei minhas decises com rapidez, e a minha intuio raramente me deixa na mo. Blanche, 
tenho que admitir, no deu certo, mas voc dar, nem que eu tenha que arrast-la at o altar. Ns nos casaremos e passaremos a nossa lua-de-mel em Paris. No mesmo 
hotel de sua prima e de seu ex-namorado.
Emma ficou paralisada. Ainda no conseguia acreditar que Rick estivesse falando srio. No entanto, ele tinha um ar to decidido que ela ficou mais ou menos convencida.
- Voc deve estar louco at mesmo de pensar numa coisa dessas!
- Estou falando srio, Emma - disse ele, irritado, aproximando-se dela. - Eu tenho uma licena de casamento... O seu sobrenome felizmente tambm  Davis, e acho 
que o segundo nome de Blanche tambm  Emma, como a av dela por parte de pai. Por isso, acho que no vai haver nenhuma dificuldade.
Olhando fixamente para ele, com os olhos arregalados, Emma de repente ficou com medo.
- A idia toda  ridcula - disse ela. - Por que no procura ser sensato, para variar? Como sabe se Blanche no mudou de idia? Ela ainda pode estar em Londres, 
longe de Paris.
- Eu posso averiguar isso. Mostre-me onde fica o telefone.
Emma, curiosa em saber o que ele iria fazer, mostrou-lhe um pequeno escritrio, onde os livros nos quais ela deveria trabalhar estavam empilhados em cima de uma 
escrivaninha. Quando se virou para sair, ele estendeu a mo e segurou-lhe o pulso.
- Fique aqui comigo. Eu no quero que voc desaparea. - Ele perguntou o nome do hotel onde Blanche e Rex estavam hospedados, e, embora ela pensasse em fingir que 
no sabia, um brilho em seus olhos preveniu-a de que seria perda de tempo. Depois de ouvir o nome, comentou: -  um dos melhores. Eu nunca fiquei l, mas conheo 
algumas pessoas que j ficaram. A mesquinhez no deve ser um dos outros defeitos de Oliver.
Esperando enquanto Rick fazia a ligao, Emma estava uma pilha de nervos. Um hotel de luxo devia ter telefonistas internacionais, mas ela no ficou surpresa quando 
o ouviu falando em francs fluente. Pelo que deu para entender, Blanche estava hospedada no hotel desde a noite anterior. Emma sentiu seu corao pesado como chumbo, 
mas, antes de Rick desligar, algo a deixou ainda mais desconcertada.
- Ela est l - ele disse secamente, com o rosto tenso de raiva -, agindo abertamente como sra. Rex Oliver.
- Tem certeza?
- Certeza? - Ele riu com sarcasmo. - Eu recebi a descrio dela e estou mais do que satisfeito. Blanche sempre gostou de dizer que ningum presta ateno no que 
 bvio, e seu amigo Oliver deve achar que no tem nada a perder.
Enquanto tentava entender isso, Emma se surpreendeu perguntando baixinho:
-  verdade que reservou quartos para amanh?
Ele olhou de maneira penetrante para o seu rosto, abatido.
- Voc entendeu o que eu estava dizendo?
- Um pouco. Voc vai... voc vai atrs deles?
- No com uma arma na mo. - Seus olhos estavam duros como ao. - Uma esposa ser uma arma muito melhor, como eu j lhe disse.
- No! - Emma exclamou.
Rick no se importou com o seu angustiado protesto, e continuou, implacavelmente, como se ela nem tivesse falado:
- Partiremos para Londres esta manh, depois que eu resolver algumas coisas aqui. Amanh nos casaremos, e em seguida iremos para a Frana.  provvel at que voc 
venha a gostar da experincia.
- Voc est louco! - ela repetiu, e seus olhos refletiam medo. - Louco varrido! Eu... eu no compreendo como voc pode gostar de uma brincadeira dessas, depois do 
que acabou de acontecer!
-  por causa do que aconteceu, sua boba - disse ele secamente, segurando com fora seus ombros magros. - Escute, ns dois queremos vingana, mas, se isso fosse 
tudo, eu a teria conseguido sem o casamento. Certamente, no tenho nenhum desejo de me amarrar a uma coisinha lastimvel como voc, mas tambm no pretendo voltar 
para casa sem a noiva que muitos dos meus amigos e parentes esto esperando para conhecer. Eu me recuso o fazer papel de bobo.
- Por que no lhes diz que voc mudou de idia? - perguntou Emma, em tom de revide.
- Mentiras desse tipo so quase sempre descobertas - respondeu Rick.
Desesperada, ela sugeriu a seguir:
- Voc deve conhecer um monte de mulheres bonitas que estariam mais do que dispostas a se casar com voc... por vrios motivos.
- Sim, um monte. Mas, se eu me casasse com uma delas, Blanche logo se esqueceria de que, por uma tolice dela, perdeu a oportunidade de se casar com um milionrio. 
Voc, minha cara Emma, sendo prima dela, vai ser um lembrete constante.
- Voc vai prejudicar a si prprio por despeito? - Emma tentou argumentar. - No se esquea de que ter que viver comigo, e no com Blanche.  provvel que, em vez 
de ficar bufando de raiva, ela termine sentindo pena de voc, por estar preso a uma esposa sem atrativos.
- No se preocupe - ele disse asperamente -, no vai ser por muito tempo. Apenas enquanto machucar de verdade.
E quem sofreria mais, enquanto isso?, Emma disse a si mesma, tristemente. E sentiu um aperto no estmago ao pensar em at que ponto um homem poderia chegar para 
vingar seu orgulho ferido.
- No est se esquecendo de alguma coisa? Apesar de me desprezar, voc precisa de mim para levar a cabo os seus planos terrveis. E eu me recuso!
- No, no vai se recusar - Rick rebateu. - A no ser que seja mais tola do que eu pensava. Voc poder rir do seu ex-namorado e sair daqui. No apenas isso, como 
tambm poder levar uma vida de luxo durante pelo menos um ano... e sem o inconveniente de ter um marido invadindo seus aposentos, exigindo aquilo a que tem direito. 
 provvel que voc venha a sentir falta do sexo, mas haver compensaes.Ver que o preo  pequeno, em vista do que eu estou disposto a lhe dar em troca.
- Voc  um grosseiro!
- Eu posso me dar a esse luxo - assegurou-lhe ele, com indiferena. - Por que no pensa na cara de Oliver, quando ouvir falar que voc pescou um peixe maior do que 
ele? Isso pode ajudar.
- Mesmo assim, eu no vou...
Rick no lhe deu ateno. Seu rosto sombrio estava distante, demonstrando enfado ante aqueles protestos que ele considerava sem sentido.
- Preciso dar uns telefonemas. Enquanto isso, por que no vai preparar um caf para ns e pensa bem no assunto? Estou certo de que voc entender logo o meu ponto 
de vista.
Era como se ele estivesse planejando uma transao comercial. Totalmente incrdula, Emma virou-se sem dizer mais nada e foi para a cozinha.
Depois de ligar a cafeteira, ela se sentou  mesa. Era exatamente isso o que Rick estava fazendo, uma transao comercial, mas ser que ele sabia disso? Com certeza, 
tinha tido um choque, e um choque pode fazer uma pessoa agir de maneira estranha. Ele devia amar Blanche, e muito!
Em todo caso, um pressentimento vago de perigo lhe dizia que deveria fugir dali enquanto tivesse uma oportunidade. Quando Blanche voltasse e descobrisse o que tinha 
acontecido, ficaria furiosa e sem dvida tornaria a sua vida insuportvel. Mas, se tivesse que deixar a fazenda sem dinheiro, sem profisso e sem um lar, para onde 
iria? O que lhe aconteceria? Que esperana teria de encontrar outro emprego? Por outro lado, Rick lhe havia prometido segurana. Poderia querer se divorciar depois, 
mas no a deixaria desamparada. O casamento pelo menos lhe daria tempo para pensar e fazer planos para o futuro.
Tomando finalmente uma deciso, Emma compreendeu que havia ainda alguns pontos pendentes, um dos quais ela considerava importante! Rick no deveria saber que Rex 
Oliver nunca tinha sido seu namorado. Se ele desconfiasse de que ela estava se casando s para fugir de l, talvez mudasse de idia. E, de repente, o medo que sentia 
de Blanche se tornou estranhamente maior do que aquele que sentia por Rick.
Depois de todo o conflito que tivera  procura de uma deciso, Emma ficou um tanto desapontada quando ele pareceu receber a sua resoluo com indiferena, enquanto 
tomava duas xcaras de caf que ela havia preparado.
- Suba e v arrumar as suas coisas - disse, com um rosto sem expresso. - Ns partiremos logo.
- Ns j vamos? - perguntou ela, engasgando e quase derramando o seu caf. - Eu no posso ir neste instante, Rick. Tenho que falar com Jim primeiro. Alm disso, 
h a casa para cuidar.
- Eu vou falar com Jim enquanto voc arruma as suas coisas. V de uma vez.
Emma ainda hesitou.
- Eu no sei Se Jim vai conseguir se arranjar sozinho. - Ela olhou ansiosamente para Rick. -  loucura pensar que eu possa sair sem mais nem menos!
- Jim dar um jeito. Ns conversamos bastante, outro dia, enquanto estvamos cuidando da vaca e do bezerro. Vocs tm muito poucos animais e as colheitas da primavera 
j foram feitas. Ele poder se arranjar sozinho at que sua tia volte para tomar outras providncias.
- Est bem - murmurou Emma, cedendo.
Subindo depressa a escada, ela foi at seu quarto. Estava tentando encontrar uma roupa adequada, quando levantou os olhos e viu Rick encostado na porta do quarto, 
observando-a. Ele no tinha demorado muito, e ela quase pulou de susto.
- Saia daqui! - exclamou, assustada com sua presena inesperada. - Ns ainda no estamos casados.
Ele sorriu friamente ao ver seu rosto ruborizado.
- No se envaidea, achando que eu vim at aqui querendo alguma coisa de voc... pois isso nunca vai acontecer.
Os lbios dela tremeram.
- Eu sinto muito - murmurou, envergonhada e com o rosto rubro -, eu no quis... quero dizer... eu no espero...
- Estou contente que compreenda. - Ele a olhou de maneira insolente. - Pensei que eu tinha deixado isso bem claro, mas talvez seja melhor refrescar a sua memria. 
S vou lhe pedir que me suporte em pblico... para salvar as aparncias.
- E, quando estivermos sozinhos, voc pretende me ignorar? - perguntou ela, com a voz estrangulada, sem saber que se sentia to triste com isso.
- Oh, talvez no a ignore de todo... Acho que no poderia am-la, mas gostaria de educ-la primeiro. Talvez seja bom fazer isso enquanto voc for jovem e ainda tiver 
jeito. Como a sua prima, voc obviamente herdou um carter deformado.
Com apreenso, os pensamentos de Emma se voltaram para o pai. Rick nunca deveria saber que os seus negcios haviam falido quando ele tentara usar de um expediente 
para enganar algum. Pelo menos era isso que Hilda tinha dito.
Quando Rick lhe perguntou o que seu pai fazia, ela respondeu nervosamente que ele no trabalhava quando morreu. Vendo a palidez do seu rosto e percebendo que no 
devia se aprofundar nesse assunto, Rick desencostou-se da porta e disse:
- Deixe isso para l. Apenas feche a sua mala, que eu a levarei at o carro enquanto voc se veste.
- Eu no tenho muita coisa. - Emma apontou para algumas peas velhas de roupa que estavam dentro da mala, que eram tudo o que ela possua. - Mas tenho algumas fotografias 
de meus pais. - E mostrou-lhe um pacote, embrulhado cuidadosamente com um jornal e amarrado com barbante. - Por favor, eu tenho que conserv-las.
- Eu no sou um monstro - Rick assegurou-lhe com impacincia. - Leve o que quiser. - Tomando o embrulho de suas mos, ele o colocou junto com as roupas, fechando 
a mala depois. - Agora, mexa-se - disse laconicamente, olhando com firmeza para a sua figura trmula. - Eu no vou falar de novo. Se no descer dentro de cinco minutos, 
vou-me embora sem voc.
Sem saber se ele estava lhe dando uma oportunidade de mudar de idia ou no, ela se vestiu rapidamente. Sentiu desprezo por si prpria durante toda a viagem para 
Londres, por no ter tido coragem de desafi-lo e ficar.
Chegando  cidade, Emma ficou espantada em ver com que rapidez Rick fazia as coisas. Era to decidido e competente que ela achou que nunca seria capaz de acompanh-lo. 
Depois de providenciar acomodaes para eles num hotel luxuoso, ele a levou a uma butique da moda, onde lhe comprou algumas roupas novas.
Quando ela foi protestar, Rick simplesmente a olhou entediado.
- Voc precisa de alguma coisa para jantar esta noite, e tambm para o casamento. O que est usando agora no serviria nem para uma vadia.
- Oh, eu o odeio! - exclamou Emma.
- No adianta ficar com esse ar de ofendida. Acho que voc anda mal vestida assim porque no suportaria trazer as coisas que usava quando saa com Oliver, no?
Espantada, Emma olhou para ele e moveu negativamente a cabea. Mas Rick entendeu como se ela tivesse concordado com aquelas palavras. Quando ia procurar corrigir 
a falsa impresso, lembrou-se de que no podia. No devia revelar seu segredo. Se Rick soubesse que ela no tinha outras roupas, passaria a suspeitar no mesmo instante... 
e concluiria logo que nunca tinha havido nada entre ela e Rex Oliver.
Emma passou o dia de seu casamento numa espcie de vago torpor. Nada, a no ser uma cerimnia breve, a convenceu de que estava realmente se casando. Desde o momento 
em que acordou pela manh, at quando ela e Rick entraram no imponente saguo do hotel da Rue de Rivoli, de Paris, ela se sentiu como se estivesse numa espcie de 
sonho.
Estava ainda perdida em seus pensamentos, quando as portas da sute, esplendidamente mobiliada, se fecharam atrs deles, e ela e Rick ficaram sozinhos.
Tentando demonstrar interesse pelo belo aposento, Emma ouviu-o dizer:
- Eu mandei que trouxessem o jantar para c. Acho que s vamos ver Blanche e Rex amanh.
Emma respirou, ofegante, virando-se depressa para ele com os olhos arregalados diante da suavidade de seu tom de voz.
- Voc... voc no pretende agredir Rex, no ? Tambm no vai machuc-lo?
Ele riu da ansiedade dela.
- No, minha filha, eu no vou chegar a esse ponto. No precisa se preocupar demais com o seu estimado namorado.
Emma abaixou a cabea, desejando poder contar-lhe a verdade, agora que estavam casados. Mas no podia, pois isso s tornaria as coisas piores para Blanche. Procurou 
mudar de assunto.
- Eu gostaria que voc no me tratasse como criana, Rick - disse, lembrando-se de que o tinha deixado furioso algumas horas antes.
- Voc s tem dezenove anos! - disse ele, segurando com fora os seus ombros. - Meu Deus, se ns no estivssemos num cartrio, eu teria cancelado tudo. Voc tem 
dezenove anos, e eu tenho trinta e cinco! Por que no me falou?
- Voc disse que j sabia a minha idade.
Ele estudou friamente seu rosto ruborizado, como se estivesse vendo seus traos muito jovens pela primeira vez.
- Blanche e Rex insinuaram que voc tinha bem mais de vinte anos.
- Bem, e isso importa? - Emma perguntou, com desnimo. - Afinal, o nosso casamento no  para valer mesmo.
Ele franziu o cenho e comprimiu os lbios.
- Mas as outras pessoas acham que .
- Voc ainda no tem idade para ser meu pai. - Ela sorriu debilmente. - Muitas garotas da minha idade casam-se com homens mais velhos.
-  possvel. - Rick deu de ombros, sem se mostrar muito convencido. - Em todo caso, no ser por muito tempo. - Soltando-a abruptamente, ele enfiou as mos nos 
bolsos e virou-se para o outro lado.
Emma foi at a janela e ficou observando as folhas tenras e as flores multicoloridas da primavera danando ao sabor de uma leve brisa. O cu estava escurecendo com 
o cair da noite e apresentava um lindo tom azul-violeta.
-  melhor voc vir escolher o seu quarto. - Rick falou to perto dela que Emma levou um susto, mas obedeceu e o seguiu.
A sute era magnfica, com seus quartos, banheiros e uma espaosa sala de estar. Ela olhou os dois quartos e escolheu o menor.
- Eu fico com este.
Rick no discutiu e nem disse nada. Entrou no outro quarto e fechou a porta.


CAPITULO IV

De repente, quando Emma estava perdida em seus pensamentos, a porta de comunicao entre os dois quartos se abriu e Rick entrou. Ele tinha tirado o palet e sua 
camisa estava desabotoada no pescoo, deixando entrever seu peito msculo.
- Eu estou arrumando as minhas coisas - disse ela. Olhando em volta rapidamente, ele respondeu com frieza:
- Eu no estou vendo grandes sinais disso, mas deixe para l. Pensei que voc estivesse no banho.
- Por qu? O que voc estava pretendendo?
- Deixe de ficar na defensiva, pois eu no tinha inteno de ir me juntar a voc - respondeu ele secamente, sem ligar para as faces inflamadas dela. - Achei que 
um banho aliviaria um pouco  sua tenso. Voc no vai ver Oliver esta noite, sabe? Por isso, pode ficar sossegada.
Os olhos de Emma se arregalaram.
- Eu no estava nem pensando... e se  por isso que est aqui...
- No  nada disso - ele a interrompeu com sarcasmo. - Mas no precisa ficar alarmada.
- Ento o qu... - ela balbuciou nervosamente, no gostando do jeito como ele a estava provocando. Rick estava comeando a deix-la perturbada com muita facilidade. 
Cada vez que a olhava, todo o seu corpo reagia.
De repente, Emma sentiu vontade de estar longe. Quando notou que ele se aproximava, fez meno de se afastar, mas ele estendeu a mo e a segurou.
- No faa isso! - exclamou, irritado. -  por isso que estou aqui. De repente me ocorreu que voc fica dura como uma esttua cada vez que eu me aproximo. Isso no 
pode acontecer. Os nossos dois amigos so muito astutos e vo perceber. Do jeito que voc est agora, eles logo adivinhariam que voc no me ama.
Emma sentiu o corao gelar diante de tanta crueldade, mas o que mais poderia esperar? Ele se casara com ela por vingana, e aquela no era uma lua-de-mel comum.
- Eu duvido que eles acreditariam que estamos apaixonados, por mais que tentssemos convenc-los disso.
- Mas ns poderemos fingir que se trata de um caso de atrao mtua, se voc se acalmar um pouco.
- Isso no fazia parte do acordo - protestou ela.
-  claro que fazia!
- Voc precisa me dar tempo para me acostumar - disse ela, mais tensa do que nunca.
- Isso  uma coisa que no posso lhe dar. E no se esquea: se Blanche vier at aqui, voc ter que desempenhar o seu papel muito bem. Ai de voc, se me deixar na 
mo.
- Por favor, Rick! - Emma j se sentia prxima das lgrimas. - Por que no desistimos de tudo? Eu voltarei para a Inglaterra, e voc poder voltar para casa. Toda 
essa histria parece to tola...
- No. - Os lbios dele se comprimiram. - Mais do que voc, posso ter motivos para me arrepender. Isso no  algo que eu faria de novo, mas vamos at o fim, j que 
chegamos at aqui.
Em seu rosto havia tal determinao que Emma no conseguiu pensar em mais nada para dizer. Rick virou-se bruscamente e saiu.
Na manh seguinte, depois de tomarem o caf da manh na sute, eles saram. Emma ficou feliz em sair um pouco do hotel, uma vez que receava encontrar Blanche e Rex.
- Voc precisa de mais roupas - disse Rick e, enquanto Emma desejava visitar o Louvre ou Versalhes, ele a levou de txi a um dos cabeleireiros mais caros da avenida 
Champs-Elyses.
- Por que tenho que vir aqui? - protestou ela. - Eu j estive no cabeleireiro em Londres.
- Seus cabelos precisam de mais cuidados, e o seu rosto - ele comentou, de maneira pouco lisonjeira, e se virou para falar com o efusivo proprietrio.
Por volta de uma hora da tarde, ela mal se reconhecia. Seus cabelos e sua pele pareciam ter passado por uma transformao milagrosa. Lembrou-se, ento, de que j 
lhe haviam dito muitas vezes que com um pouco de cuidado ela se tornaria irresistvel.
Para quem? Emma gostaria de saber. E pensou melancolicamente no estranho com quem tinha se casado. Seria melhor esquecer as coisas bonitas que o pessoal do salo 
havia dito em seus ouvidos naquela manh, e se lembrar de que era ainda simplesmente Emma Davis.
Mais tarde, Rick levou-a para almoar num restaurante famoso, onde ela comeu ostras e tomou vinho branco sem qualquer constrangimento. A facilidade com que estava 
assumindo seu novo papel de esposa de Rick tambm o estava deixando surpreso. Desejou vagamente ter podido explicar-lhe que estava mais ou menos acostumada a viver 
daquele jeito, quando seu pai era vivo. Passava, ento, a maior parte do tempo na escola, mas durante as frias o pai gostava de lev-la para toda parte consigo. 
S que ele nunca fora rico como Rick, e as viagens que faziam eram quase sempre de negcios.
Depois do almoo, ele a levou a uma loja de modas igualmente famosa, na Rue de La Paix, onde ela comprou mais vestidos.
Naquela noite, quando Rick anunciou que desceriam para o jantar, Emma ficou contente por ter includo em suas compras um vestido branco de seda, simples, juvenil 
e discreto. Enrolou os cabelos em cima da nuca, passou muito pouca pintura e colocou o vestido.
- Isso foi o melhor que aquela droga de loja pde fazer? - Rick perguntou sarcasticamente, olhando para ela com desagrado. - E eu vou ter que pagar um dinheiro 
por isso!
Inocentemente, Emma acenou que sim com a cabea, sem dizer nada sobre os outros modelos que haviam ficado na loja para pequenas alteraes e que seriam enviados 
na manh seguinte.
- Voc precisa me deixar aprender aos poucos, Rick. Eu no estou acostumada a essas coisas.
- No entanto, voc tem uma certa intuio para isso, como eu j notei - disse ele secamente.
Depois disso Rick pareceu perder a vontade de conversar, e mal olhou para ela enquanto desciam para o restaurante. Emma esperava que ele no a ignorasse a noite 
toda. Ela sentia necessidade de um pouco mais de ateno, uma vez que a expectativa de encontrar Blanche a estava deixando tensa como uma corda de violino.
Eles voltaram para o apartamento um pouco depois das dez.
- Voc vai sair? - perguntou ela quando chegaram  sute, e ele comeou a se servir de uma bebida.
- Talvez, daqui a pouco.
- No... no havia ningum l embaixo - disse Emma, nervosa, relutando em mencionar Blanche pelo nome.
- Veremos - ele respondeu enigmaticamente.
Ela ia perguntar o que ele queria dizer com aquilo, quando de repente teve a resposta. Ouviu uma batida seca na porta, mas, quando Rick disse: "Entre", nada aconteceu.
Emma olhou espantada para ele, que j estava atravessando a sala. Um empregado do hotel teria obedecido  ordem no mesmo instante. Mas, se no era um empregado - 
e eles no haviam telefonado para pedir nada -, s poderia ser algum que os conhecesse, talvez outro hspede.
Emma no conseguiu conter uma exclamao de horror quando Blanche passou apressadamente por Rick e entrou. No houve tempo para ela se esconder, como teria gostado 
de fazer.
Blanche foi seguida mais lentamente de Rex Oliver, que parecia o menos transtornado dos dois. Emma olhou para ambos. O que ser que a prima pretendia dizer? Ser 
que iria tentar mentir para se salvar? Ela sabia parecer ingnua quando queria, mas Emma achava que desta vez no adiantaria.
- Rick! - exclamou Blanche, virando-se com um movimento ligeiro e gracioso para abra-lo. - Mas que surpresa, querido! O que est fazendo aqui? Por que Emma est 
com voc? - Um olhar venenoso acompanhou esta ltima pergunta.
- E por que no deveria estar? - Rick no parecia compartilhar da insegurana de Emma. A expresso do seu rosto era dura e arrogante, como se controlasse a situao. 
Olhando friamente para Blanche, ele explicou: - Ns nos casamos ontem.
- Ca... casaram?! - gaguejou Blanche, e Emma quase sentiu pena dela. - Oh, no seja bobo, querido, no pode ser. Voc estava noivo de mim, no se lembra? No dessa... 
idiotinha! - E riu, incrdula.
- Algo que voc esqueceu antes de mim. - Com o olhar cheio de desprezo, Rick afastou os braos que enlaavam o seu pescoo.
- Como pode dizer uma coisa dessas? - Blanche tinha o rosto ligeiramente rosado. - Eu posso estar aqui com Rex, mas voc parece ter tirado concluses erradas. Estou 
apenas trabalhando para ele.
- Est mesmo? Que tipo de trabalho exige uma cooperao to estreita a ponto de vocs precisarem at dividir um quarto?
- Voc esteve me espionando! - Blanche disse, irritada, embora Emma notasse que ela fazia um esforo desesperado para se manter calma. - As coisas nem sempre so 
o que parecem. Eu e Rex...
Rex simplesmente deu de ombros diante daquele tom suplicante, compreendendo a futilidade do que ela estava tentando dizer.
- Acho que os fatos esto contra ns, minha cara. Voc jogou e perdeu... por que no admite isso?
- Eu no vou admitir nada! - Blanche se ps em guarda, como um tigre acuado. Emma conteve a respirao, num misto de admirao e medo. Infelizmente, a prima se voltou 
contra ela. - Tudo isso  por sua culpa, sua ordinria! Eu devia saber que voc iria me trair. Quanto a voc ter se casado com Rick, eu no acredito!
- Pois  verdade. - Com o rosto se suavizando, Rick estendeu o brao e puxou Emma delicadamente para si. - Eu j lhe disse. Ns nos casamos em Londres, ontem de 
manh.
Blanche arregalou os olhos para eles, encontrando dificuldades para pensar. Seus lbios finos se afinaram ainda mais.
- Est querendo dizer que vocs se amam? - perguntou sarcasticamente, parecendo finalmente convencida de que Rick estava dizendo a verdade.
- Trata-se de um caso de atrao mtua, rpida e fulminante. Ento achamos que seria uma pena desperdiar um par de alianas - disse Rick calmamente.
- Voc voltou da Austrlia antes do tempo! - Blanche o acusou, furiosa.
- Sim, felizmente. - O tom de voz ainda era suave, mas Emma sentiu que o brao dele se apertava ao redor dela.
Assustada, ela respirou fundo, esquecendo-se completamente da promessa que tinha feito de fingir que era feliz no casamento. Em vez disso, procurou afast-lo, com 
o prprio corpo. Estava to tensa que os outros no puderam deixar de notar. Em seguida, disse a Rick:
- Talvez voc queira conversar em particular com Blanche, enquanto eu falo com Rex, no? Assim voc pode explicar tudo a ela. Conte-lhe como vamos conseguir o...
- Emma! - Antes que ela pudesse dizer "divrcio", Rick a interrompeu bruscamente, com uma violncia que no teria enganado ningum.
Com um misto de tristeza e angstia, ela viu o olhar de Blanche assumir uma expresso de desprezo, e percebeu, arrasada, o quanto tinha decepcionado Rick.
- No tem nada a dizer ao seu ex-namorado? - Blanche perguntou a Emma, quando Rick a soltou. A mente astuta dela j estava trabalhando, baseando-se naquilo que Emma 
dissera de maneira titubeante. Com um sorriso encantador, ela olhou para Rick. - Ser realmente necessrio que fiquemos todos inconsolveis, querido? Ser que no 
poderamos conversar, como Emma sugeriu?
- No h nada a conversar.
- O seu casamento no tem que ser permanente - argumentou ela. - Ele certamente foi realizado num impulso.
- Isso no  da sua conta, Blanche - retrucou ele, laconicamente.
- Se no  da minha conta, por que vocs vieram para c? No me diga que foi por pura coincidncia que vocs escolheram este hotel para a lua-de-mel! Se ama tanto 
a sua... han... esposa, ento por que quis me ver?
- Por favor, Blanche... - Emma interferiu, tentando inutilmente acalmar a outra, que estava gritando.
- Cale a boca!
Quando os lbios de Rick se apertaram sinistramente, Rex interveio de novo:
- Acho melhor ns sairmos daqui, Blanche. Creio que as coisas j esto bastante ruins, para complicarmos ainda mais. - Olhou rapidamente para Emma e depois acrescentou, 
com brandura: - Eu sinto muito, Emma. Palavras raramente resolvem muito, mas, se Conway a maltratar, voc pode me procurar.
Por um momento Emma pensou que Rick fosse agredi-lo, e segurou o brao dele para det-lo.
- No faa isso, Rick! - exclamou ela, com o rosto branco. Blanche, aproveitando-se daquela situao explosiva, gritou:
- No est vendo, Rick, ela est morta de medo de que voc o machuque. No est vendo que ela ainda  louca por ele?!
Rex segurou o brao de Blanche e a arrastou literalmente para fora. Rick no fez nenhum movimento para impedi-los.
- Isso no vai ficar assim! - Blanche esbravejou, enquanto Rex fechava a porta.
Quando o silncio reinou novamente, Emma notou que estava tremendo. Tremeu mais ainda quando Rick se aproximou e a segurou pelos ombros.
- Que bela ajuda voc me deu! Ficou a tremendo, parecendo que ia desmaiar. Eu devia saber que seus sentimentos por Oliver eram mais fortes do que a sua integridade. 
Nada  maior do que aquilo que voc sente por aquele dono de boates de segunda categoria.
- Rick, por favor! Rex no  realmente assim. Se voc apenas escutasse... - Emma estava to transtornada que no tinha noo clara do que estava dizendo. S sabia 
que precisava contar a verdade a Rick.
- Ele no teve nem a decncia de lhe pedir desculpas - Rick falou, com irritao -, e voc se rebaixa a defend-lo. Eu seria um idiota se ainda quisesse ter mais 
alguma coisa a ver com voc.
- Eu estou cansada - disse ela, afastando-se dele. - Escute, Rick, eu sinto muito a respeito de Blanche e entendo que voc esteja magoado, mas a culpa no  minha 
se eles no gostam de ns.
- O problema no  esse! O problema  que voc estragou o meu plano.  possvel que voc seja uma pssima atriz, mas nem ao menos tentou fingir. Qualquer um notaria 
que voc no passa de uma adolescente assustada.
Emma percebeu ento que no tinha mais nada a dizer a Rick. Com mgoa e uma infelicidade profunda, sentiu que aquele homem nunca iria sentir por ela nada mais do 
que dio.
- Acho que vou dormir. Boa-noite, Rick.


CAPITULO V

Emma no sabia se Rick havia sado de novo depois que ela se recolhera ao quarto. Achava que sim, pois a sute ficara muito quieta. Levou bastante tempo para pegar 
no sono, e, quando acordou, sua cabea estava doendo terrivelmente. E seus ombros tambm. Mas isso, ela logo compreendeu, era por porque Rick a estava sacudindo.
- Acorde - disse ele. - Ns vamos partir.
- Partir? - Assustada, ela se soltou e olhou com os olhos arregalados para ele. - Agora? Hoje?
- Esta manh.
Percebeu que ele a olhava estranhamente, e ficou corada quando se deu conta de que estava despida. Na noite anterior, ela se sentira cansada demais para vestir qualquer 
coisa. Alm disso, o quarto estava suficientemente quente. Agora percebia que devia ter previsto uma situao dessas.
Sentiu-se um pouco aliviada ao notar a indiferena de Rick, e se enfiou debaixo dos lenis.
- Por que temos que partir com essa pressa? - protestou. E se espantou com a sua prpria contradio, pois na noite anterior ela queria partir o mais rpido possvel.
- Vista alguma coisa, que eu lhe conto.
- Vire-se, que eu vou pegar o meu robe. - E Emma estremeceu ao ver que os olhos dele no estavam to indiferentes assim.
- Ser que  preciso? E se eu no quiser me virar?
- Oh, acho que no tem importncia. - Ela fez um grande esforo para demonstrar indiferena. - Acho que eu no o atraio nesse sentido.
- ! Nisso voc tem razo - concordou ele, resolvendo se virar.
 Levantando-se rapidamente da cama para apanhar o robe, ela no percebeu que ele tinha se virado de novo e que estava admirando seu corpo mido. Logo o rubor em 
suas faces aumentou, embora estivesse entorpecida demais para puxar uma discusso. Ao ficar um pouco mais consciente, notou a expresso sombria do rosto de Rick. 
E com aquela cara ele s podia ter concludo que ela estava acostumada a desfilar nua diante dos homens.
Suas suspeitas pareceram se confirmar, quando ele disse:
- Acho que Oliver j a viu muitas vezes assim, no?
Emma amarrou o cinto de seu robe com fora, sem dar importncia para o brilho que havia nos olhos dele.
- O... o que o faz achar isso?
- No me provoque demais - ameaou ele. Depois encolheu os ombros. - Bem, deixe isso para l. Eu no vim at aqui para falar sobre seus ex-amantes. Vim para dizer 
que vamos para casa.
- Para casa?
- Para Barbados. Eu fui um idiota em ter vindo at aqui, e no pretendo ficar nem um minuto alm do necessrio. Temos reservas para o vo da manh, o que nos d 
pouco mais de uma hora.
Emma tinha levado choques demais nesses ltimos dias, para entrar em pnico, mas sentiu-se estranhamente relutante em acompanhar Rick  ilha que era o seu lar. Comeou 
ento a procurar desculpas.
- E as minhas roupas novas? A vendedora disse que elas seriam entregues aqui.
- Uma mulher sempre pensa primeiro nas roupas, mas elas j esto aqui. Acontece que Paris est acordada e trabalhando j h algumas horas.
- Ento est bem. - Depois perguntou, com certa hesitao: - Ser que Blanche no vai querer saber mais do que aquilo que voc lhe contou ontem  noite? Talvez devesse 
ir v-la. Ou ser que ela vem ver voc?
-  disso que eu tenho medo.
- Bem, ento...
- Se no estiver pronta dentro de cinco minutos - Rick a interrompeu, de maneira ameaadora -, voc ir do jeito que est. Eu no tenho vontade nenhuma de ver Blanche, 
pelo menos por uns bons tempos. E voc, como uma mulher casada, precisa aprender a se esquecer dos outros homens.
- Quantos voc pensa que eu tive? - murmurou Emma, tristemente.
- Eu no quero saber. No gosto de receber informaes que no possa conferir.
- Entendo - disse ela, suspirando. Sentia um n na garganta e desejava que ele pudesse confiar nela. Mas sabia que, mesmo que por acaso Rick viesse a gostar dela, 
isso jamais aconteceria.
- Enquanto voc estiver tomando banho - Rick avisou, ignorando a sua expresso de desnimo -, eu vou trazer os pacotes que chegaram. Depois que tiver escolhido alguma 
coisa para vestir, arrume o resto nas malas. No perca mais tempo, seno virei fazer isso por voc.
Incapaz de suportar a idia de v-lo mexendo em suas novas e delicadas roupas de baixo, Emma apressou-se a fazer o que ele havia mandado. Tomou uma ducha rpida, 
depois pegou da pilha de roupas que Rick trouxera uma cala comprida leve, uma blusa de seda e um colete combinando. Arrumou o resto em duas malas leves, e, depois 
de passar rapidamente um pente nos cabelos, pendurou sua bolsa grande e macia nos ombros magros. Estava pronta.
Eles viajaram de primeira classe. Seria uma viagem longa, e, embora Emma apreciasse o conforto extra, foi ficando intranqila bem antes de .chegarem a Barbados. 
A maioria dos passageiros da primeira classe eram homens; quase no havia mulheres. Todos eles pareciam homens de negcios, e ela ficou surpresa ao ver vrios deles 
olhando em sua direo com interesse. s vezes, quando Rick olhava para ela, ficava cada vez mais convencida de que a sua pouca idade o irritava muito, embora ele 
no tivesse mais falado nisso.
 medida que o tempo passava, Emma sentia aumentar sua apreenso. Como seria a famlia de Rick? Ela no sentira curiosidade antes. Agora queria saber de tudo.
- Seu pai  vivo, Rick?
Ele estava estudando uns nmeros em algumas folhas de papel, e respondeu sem levantar os olhos:
- No.
- Voc mencionou sua madrasta - insistiu ela -, mas no me falou nada a respeito dela.
Rick ps os papis de lado com um suspiro.
- Diga-me exatamente o que quer saber - disse ele, com resignao. - Seus modos bastariam para fazer qualquer um desistir.
Franzindo a testa, Emma olhou para ele, mordendo o lbio e sentindo-se de repente sem jeito. Tinha resolvido fazer-lhe algumas perguntas simples, mas ficou irritada 
consigo prpria por se atrapalhar mais do que planejara.
- Se... se ns fssemos um... um casal normal, eu saberia, no  verdade?
- Saberia tudo e mais alguma coisa. - Rick sorriu, to cinicamente que ela ficou vermelha, compreendendo que ele no estava se referindo a seus parentes. Em seguida, 
lanou um olhar malandro sobre ela. - Seu corpo no  l grande coisa, mas sua pele  bonita.
- Eu no estava falando de mim, e nem da minha pele - disse Emma, gaguejando de indignao.
- Eu s estava dizendo que algumas partes suas so bem atraentes...
S que voc no me deseja, Emma quase replicou, mas o rubor em seu rosto se acentuou ainda mais e ele pareceu ler em sua mente.
Inesperadamente, Rick estendeu a mo e a puxou para perto de si. Ento, inclinando a cabea, beijou delicadamente a pele macia de seu pescoo.
- Voc est com um cheiro bom. Delicioso! - E passou os dedos em seu brao, ao baixar a cabea de novo.
Naquele momento, eles estavam quase sozinhos, pois a maioria dos outros ocupantes tinha desaparecido pela pequena escada em espiral que conduzia ao bar, que ficava 
acima da cabine. Emma estremeceu e se encolheu na defensiva.
- Deixe-me em paz, Rick - sussurrou, afastando o rosto dos lbios dele. Se no fizesse isso, no poderia prever suas prprias reaes. E ela no podia demonstrar 
que sentia um desejo quase selvagem de passar os braos em volta dele e lhe pedir para segur-la com fora.
- Pena que eu no seja Oliver - disse Rick, recostando-se de novo em sua poltrona. - As viagens areas despertam emoes curiosas.
- Pelo menos Rex gosta mais de mim que voc. - Emma sentia-se confusa. Ao mesmo tempo em que o desejava, tinha vontade de feri-lo da mesma forma que ele a feria.
- No deixe ningum ouvir voc dizer coisas como essa - Rick avisou sombriamente.
- Eu queria conversar sobre a sua famlia...
- Oh, mas que diabo... - Rick resmungou. Mas, depois de uma breve pausa, explicou que, alm da madrasta, tinha um meio-irmo e uma irm. Quando Emma olhou para ele, 
preocupada, ele disse secamente: - No se preocupe demais. Rita no  muito difcil de se conviver. Ela se casou com meu pai uns dois anos antes de ele morrer. Gail 
e Ben eram adolescentes, e, s vezes, insuportveis, mas acho que agora esto tomando jeito.
- Quanto tempo faz que seu pai morreu?
- Dez anos.
- Ento, voc deve ter sido pelo menos parcialmente responsvel pela educao dos irmos. - Emma no tinha dvidas de que Rick assumiria tal responsabilidade, como 
qualquer outra coisa que ele considerasse ser seu dever. - Vocs... ainda vivem todos juntos?
- Quando estou em Barbados, isso  conveniente, e, quando no estou, eles esto l para tomar conta da casa.
- E... e agora?
- Agora? - As sobrancelhas dele se ergueram e seus olhos brilharam de cinismo. - Agora no faz nenhuma diferena, se est se referindo ao fato de eu estar casado 
com voc. Dentro de um ano ns nos separaremos. Eu, certamente, no pretendo interromper a rotina da minha famlia e nem a minha prpria, por causa de algum que 
s vai ficar conosco durante alguns meses.
Ao anoitecer, eles pousaram no Aeroporto Internacional Grantley Adams, que ficava a uns dezoito quilmetros de Bridgetown, a capital de Barbados. Aliviada por desembarcar 
do avio, Emma respirou fundo o ar fresco. O cu era lindo e o ar estava perfumado.
Ela estremeceu visivelmente e Rick notou a sua expresso sonhadora.
- Acorde, Emma. Ns no temos a noite toda, e, se estiver tentando me impressionar, voc est perdendo o seu tempo.
- Impression-lo?
- Voc achou que iria me impressionar, imaginando que tinha pousado no paraso? - ele perguntou, sarcstico.
- Eu no estava fingindo - disse ela, engolindo em seco. - E nem estava tentando impression-lo.
- No estava mesmo? - Rick deu de ombros e Emma se convenceu de que ele estava sendo indelicado de propsito, e que sentia um prazer sdico com isso.
Havia um carro esperando por eles, dirigido por um nativo negro chamado Belasco, que saudou Rick como "patro", mas que pareceu muito mais interessado em Emma.
- Nova senhora, patro? - perguntou ele.
- Sim.
Rick apresentou-os e Emma sorriu, sentindo-se um pouco mais feliz depois das observaes cruis de Rick. Surpreendentemente, Belasco pareceu olh-la com aprovao, 
e ela sentiu que tinha feito pelo menos uma amizade.
Eles viajaram em direo ao norte, para Speighstown, onde, Rick foi explicando, ficava a maior parte das plantaes de cana-de-acar. Para Emma, a paisagem campestre 
era linda, com pomares de limoeiros e laranjeiras, juntamente com abacateiros, bananeiras e vrias outras espcies que ela deixou de reconhecer. Gostaria de perguntar 
a Rick sobre as coisas que tinha visto, mas sentiu medo de ser repelida, como no aeroporto.
De repente, ocorreu-lhe que o pessoal de Rick estava certamente esperando que ele trouxesse para casa uma esposa bonita. Se acaso Belasco tivesse ficado surpreso 
com a sua feira, o que diria a famlia de Rick?
O rosto de Emma ficou visivelmente mais plido quando ela desceu do carro em frente a uma linda manso em estilo colonial. 
- Ela  sua? - murmurou, assombrada.
-  apenas uma das coisas com as quais voc vai ter que se acostumar. - Seu tom de voz era seco, embora seu olhar fosse um pouco mais bondoso, como se Rick compreendesse 
que ela no estava acostumada a viver numa casa como aquela. Mas ele tinha que estragar tudo, acrescentando, em tom de escrnio: -  muito mais fcil se habituar 
 riqueza do que  pobreza. Contanto que se lembre de que voc s tem um ano de prazo...
- No... no  com sua riqueza que estou impressionada, e voc no precisa ficar repetindo que eu s tenho um ano. Eu j ouvi isso uma vez e no quero ouvir mais. 
Estou preocupada com o que a sua famlia vai pensar.
- O que quer dizer?
- Devem estar esperando por algum bem diferente de mim. Uma mulher exuberante.
- Bem, continue trabalhando nesse sentido... Nunca se sabe o que voc pode conseguir. Muitas mulheres encantadoras no so nada bonitas logo de manh.
Emma olhou-o tristemente, mas, achando que ela ainda estava pensando em sua famlia, Rick deu um suspiro.
- Eles no so bichos-papes, sabe? E uma garota de aparncia simples, para outra mulher, pode ser at mais aceitvel do que uma bonita.
- Naturalmente, voc  uma autoridade nisso, no? - Emma se sentiu impelida a retorquir.
- Eu j conheci muitas mulheres - ele admitiu friamente. Muitas que estariam dispostas demais a se tornarem a sra. Richard
Conway, ela calculou, sentindo a sua tristeza aumentar curiosamente. Deixando Belasco encarregado das malas, eles entraram na casa. Emma seguiu Rick em silncio, 
j que ele se mostrava impaciente por causa da conversa que acabaram de ter. Ao entrarem no hall magnfico, uma mulher e uma moa saram de uma das salas e atravessaram 
o piso ladrilhado na direo deles.
- Rick, querido! - exclamou a mais velha. - Ns no o espervamos to cedo.
Inclinando-se, ele beijou levemente a face da mulher, e depois a da moa. A seguir segurou a mo de Emma e a puxou para o seu lado.
- Esta  Emma - disse friamente. - Emma, apresento-lhe minha madrasta e minha irm Gail. - E no explicou por que havia retornado antes do tempo.
Emma reparou no olhar de Rita, que a estudava.
- Perdoe-me, Rick, mas eu pensei que fosse Blanche.
- E era mesmo, mas eu mudei de idia e me casei com a prima dela - informou ele, como se no houvesse nada de extraordinrio em tal declarao. Puxando Emma para 
mais perto, Rick apertou o brao em volta de sua cintura. - Espero que faam todo o possvel para que Emma se sinta em casa.
Rita no demonstrou quase nenhuma admirao.
- Vocs j jantaram? - perguntou, como se procurasse ganhar tempo para pensar.
- Quer que eu toque a campainha para chamar a copeira? - perguntou Gail, achando impossvel despertar o interesse da quieta esposa de Rick, e procurando um pretexto 
para se afastar.
- No - disse Rick -, ns comemos no avio. Talvez um lanche, mais tarde.
- Eu providenciarei - Rita sorriu.
Rick balanou a cabea com indiferena. Sem soltar Emma, ele a conduziu para cima, mas, quando chegaram ao espaoso quarto que deveria ser dela, soltou-a bruscamente.
- Voc est bem? - perguntou. E, quando ela disse que sim, acrescentou friamente: - Os nossos quartos se comunicam, s para salvar as aparncias. Esta  a porta 
de comunicao, que eu, naturalmente, no pretendo usar. Voc pode ficar com o banheiro, que eu usarei o do corredor.
Isso lhe assegurava total privacidade, mas tambm significava que ela no o veria mais depois que se recolhessem. Rick falava educadamente, como se estivesse falando 
com uma estranha ou com uma hspede importuna.
- Est desapontada? - perguntou ela, parecendo ler seus pensamentos.
- No. Por que deveria estar?
As sobrancelhas escuras dele se levantaram, numa expresso cnica.
- Voc no pensou que eu pretendesse me divertir com os refugos de Oliver, pensou? Se eu j a beijei, no tire concluses erradas. Admito que voc consegue me atrair 
um pouco. A sua boca, por exemplo,  digna de ser beijada. Mas nada alm disso.
- O que quer dizer com... nada alm? - Emma olhou para ele de maneira rebelde.
- Quero dizer que ela no  to inocente. Voc j andou por a. Furiosa com aquela insolncia, ela exclamou:
- Suponho que nenhuma mulher com quem voc saiu j andou por a! Voc exige um documento que prove a existncia de um carter imaculado?
- Sua pirralha malcriada! Eu no preciso desse tipo de provas. Um homem geralmente sabe. E, embora eu possa ter sado com essas mulheres, esta  a primeira vez que 
me caso com uma delas.
- Mas voc no est feliz consigo mesmo - disse Emma, sentindo-se sufocar. - Voc s se casou comigo por estar num acesso de raiva.
-  verdade. Agora me arrependo disso. Eu deveria ter proposto outras coisas, como Oliver fazia com voc e com Blanche. Provavelmente, seria mais simples e divertido 
termos ido a Paris sem estarmos casados.
- Pelo menos Rex raramente  hipcrita! - exclamou Emma. Furioso, Rick agarrou o brao dela e apertou-o com fora.
- Voc vai pedir desculpas por isso! Eu no aceito insultos nem de homens nem de mulheres. Pea desculpas, seno...
Parecia to arrogante que Emma percebeu que ele seria bem capaz de cumprir a ameaa. Mesmo assim, continuou a desafi-lo.
- Eu no vou pedir, porque  verdade.
- Se no pedir - ele falou entre dentes -, eu saberei faz-la mudar de idia. A cama, por exemplo, est a menos de um metro.
- Voc no se atreveria! - exclamou ela, ofegante. Ento ficou vermelha ao compreender exatamente como ele pretendia puni-la. Emma estremeceu s em pensar nisso. 
Um pedido de desculpas seria infinitamente prefervel a isso.
- Eu sinto muito - balbuciou, desviando os olhos daquele rosto sombrio.
- Assim est melhor - Rick respondeu sucintamente.
- Eu... eu o odeio - murmurou, ela, sentindo na boca um gosto amargo que a deixou nauseada.
- No esteja to certa disso... - ele falou de modo arrastado e zombeteiro, afastando-se depois bruscamente. - Vejo voc l embaixo, daqui a meia hora.
Quando a porta se fechou atrs dele, ela deixou-se cair na cama. Sentia-se incrivelmente exausta. Seus olhos encheram-se de lgrimas, que lhe escorreram pelas faces. 
Viu-se obrigada a reconhecer que era por sua prpria culpa que Rick pensava o pior dela. Se cedesse ao desejo de lhe contar a verdade, com certeza ele a mandaria 
de volta para casa, pois havia se casado com ela mais para satisfazer seu orgulho do que por qualquer outra coisa.
De repente, ela sentiu saudades de casa, e se sentiu tentada a contar-lhe tudo. Comeou a pensar nos campos verdejantes, na chuva constante e no cu cinzento da 
Inglaterra. Nostalgicamente, lembrou-se at dos grandes olhos castanhos de Daisy. Ao pensar na fazenda, as lgrimas comearam a escorrer mais depressa. Nem pudera 
se despedir direito. Alm disso, havia a preocupao de no saber como Hilda e o velho Jim estavam se arranjando sem ela. Blanche dificilmente poderia ajudar em 
alguma coisa.
Suspirando, Emma enxugou as lgrimas do rosto antes de se despir para tomar banho. No adiantava se preocupar agora, mas ela desejava que os ltimos dias no tivessem 
passado to depressa. Se tivesse tido tempo para pensar direito, duvidava que estaria l essa noite.
Meia hora depois, usando um vestido estampado e leve, ela se encontrou de novo com a famlia de Rick. E desta vez tambm com Ben, irmo de Gail, jovem bem-apessoado 
e um tanto frgil, de vinte e cinco anos de idade. Ele se animou quando a viu.
- Puxa vida! - Ben sorriu quando Rick apresentou-lhe Emma.
- Eu no estava esperando com muita ansiedade para conhecer a garota de Rick... mas acho que sou capaz de me dar bem com voc.
Se Emma ficou um tanto espantada com essa abordagem algo sem tato, Rick a ignorou.
- Sirva ima bebida para Emma, Ben - disse ele -, e uma para mim. Estou contente porque voc j conseguiu se dar bem com ela.
Rita estava falando com uma empregada, Gail procurava uma fita numa pilha de cassetes. Aparentemente imperturbvel com o sarcasmo do meio-irmo, Ben serviu drinques 
para todos e voltou. Enquanto entregava a Emma o seu, seus olhos ainda a estudavam com curiosidade.
- Ela tem uma aparncia um tanto antiquada, assim como o seu nome. Tem uma espcie de simplicidade...
- No h nada de antiquado em minha esposa - respondeu Rick. - E, por favor, no a piore ainda mais do que ela j . 
Enquanto Emma enrubescia diante daquele novo insulto, outra criada entrou com um carrinho.
- Eu pensei que, j que s querem um lanche, vocs poderiam faz-lo aqui. - Rita dispensou as empregadas e sorriu de maneira encantadora para Rick, que acenou afirmativamente 
com a cabea. Ela ainda era atraente aos sessenta anos. Ao olhar para Emma, a expresso de seu rosto foi ficando fria. - Voc se ajeitaria melhor se sentasse ali, 
querida.
Emma levou um susto: havia se esquecido de que estava segurando um copo de bebida. E ficou sem jeito ao ver o lquido verde, que nem sabia dizer o que era, escorrendo-lhe 
pela mo.
- Eu... eu sinto muito - ela gaguejou, seus olhos arregalados de aflio.
- Ser que voc bebeu demais no avio? - Gail gracejou, com uma risadinha maliciosa.
- Sim... no. Acho que no... - Emma se atrapalhou, querendo saber por que Rick no fazia nada para ajud-la. Ele, na verdade, parecia que estava se divertindo.
- Por que no se senta? - perguntou ele, com impacincia, dando a impresso de que apoiaria Rita, ao invs de apoiar a esposa.
Emma fez documente o que ele mandou. Rita, ocupada servindo caf, falou de novo, com severidade:
- Espero que voc consiga se adaptar, querida. H muitas festas e coisas assim... h muita vida social aqui na ilha. Caso contrrio, voc vai ficar muito entediada.
Confusa, Emma encarou os olhos frios da outra, mais uma vez querendo saber por que Rick no a havia socorrido. Rita estava deixando bem claro que no tinha nenhuma 
inteno de entregar as rdeas da casa, e muito menos nas mos de uma adolescente incompetente.
Num impulso de momento, Emma se sentiu compelida a dizer, com brandura:
- Eu no gosto tanto assim de festas. Espero - e olhou deliberadamente em volta - encontrar coisas mais importantes para ocupar o meu tempo.
Os lbios de Rita se comprimiram.
- Rick quer que a sua casa seja bem cuidada, e eu estou acostumada com os hbitos dele.
Quando estava a ponto de retrucar, Emma de repente se acalmou. Para que ligar? Ela no seria esposa de Rick s durante um ano? Ele no gostaria nem que ela se fingisse 
de patroa naquela casa. Melhor seria deixar tudo por conta de Rita.
- Mas voc gosta de conhecer pessoas, no? - Rita parecia gostar de espezinhar ainda mais quando a sua vtima parava de protestar.
-  claro!
- Ela no vai conhecer muita gente por enquanto - disse Rick finalmente, e com firmeza.
Emma estremeceu. Ele devia achar que ela no saberia se conduzir diante de seus amigos finos.
- Eu prometi a Vernica que vocs iriam  festa que ela vai dar amanh  noite, Rick. - Rita fechou a cara. - Ela insistiu tanto que eu no pude recusar.
- Ela no perde muito tempo - disse Ben secamente. A me o ignorou e continuou falando com Rick.
- Ela ouviu dizer que voc ia voltar, e voc sabe como ela .
- s vezes isso  bvio demais. - O rosto de Rick ficou duro, e Emma pensou que ele fosse dizer mais alguma coisa. Ao invs disso, ele deu de ombros. - Desta vez 
poderemos ir, mas eu tenho muita coisa para fazer, para perder tempo com reunies sociais. 
- Voc geralmente no se recusa a ir a festas quando est em casa, especialmente s de Vernica - comentou Rita.
Era evidente que ela estava fazendo todo o possvel para ignorar o casamento de Rick. Emma estremeceu. Quem seria essa misteriosa Vernica, de quem Rita falava to 
bem?
Rick tentou justificar sua mudana de comportamento.
- Quero visitar todas as propriedades assim que for possvel. Por que ele estava dizendo aquilo? Emma olhou com curiosidade
para Rick, mas ele no estava olhando para ela. Ele comeou a conversar sobre outras coisas com Rita e Gail, que pareciam felizes em ignor-la.
Emma procurou conter seu ressentimento, ao se lembrar das instrues dele, sobre manter as aparncias. O prprio Rick no estava fazendo absolutamente nada para 
dar a impresso de que formavam um casal feliz.
Ben era o nico que parecia apreciar a sua presena, e nas semanas seguintes ela iria se sentir grata pelas atenes e pela companhia dele.
A noite do dia seguinte chegou logo. Emma tinha visto Rick muito pouco durante o dia todo, mas, embora tivesse sentido falta dele, havia muita coisa para distrair 
sua ateno. A casa era grande e antiga, mas tinha sido reformada e era bastante confortvel. Ela era cercada por extensos terrenos, alm dos quais se encontravam 
vrios hectares de plantaes de cana-de-acar.
Os jardins eram extensos, e Emma ficou impressionada com a beleza da paisagem. Como se interessava pela lavoura, teve curiosidade de saber sobre o cultivo da propriedade. 
Gostaria de perguntar a Rick a esse respeito, mas ele no estava por perto. Estava ocupado, Rita lhe contara quando ela perguntara por ele. E o olhar escarnecedor 
dela parecia dizer que uma jovem esposa no deveria ter que procurar muito longe para encontrar seu marido.
Em vez de sofrer mais humilhaes, Emma preferiu explorar as terras por conta prpria. E foi Ben quem respondeu a vrias perguntas suas a respeito da ilha, de seus 
habitantes e das plantaes de cana-de-acar. Ao descobrir a imensa piscina nos jardins, Emma decidiu utiliz-la, para se refrescar do calor e aliviar as tenses 
que vinha sofrendo. Tinha entrado e sado dela, e estava sentada na borda quando Ben a encontrou.
- Rick no est com voc? - Ele sorriu, sentando-se a seu lado.
- Como voc pode ver...
- Deixe para l. - E continuou sorrindo. - Ele est ocupado. Estive com Rick a manh toda e ele no parou.
Emma olhou para ele com curiosidade.
- Voc no gosta de ficar ocupado? Ben deu de ombros.
- s vezes. Oh, a maior parte do tempo, acho. Mas existem limites, e Rick  um feitor de escravos. Eu pensei que ele se acalmaria um pouco por sua causa. Voc pode 
no ser um modelo de beleza, mas  uma coisinha doce e jovem. Eu no sei o que ele est pensando da vida.
Emma corou melancolicamente, e tentou se mostrar despreocupada.
- Ele tem outras coisas em que pensar.
- Bem, se ele a negligenciar, voc no deve deixar a coisa ficar por isso mesmo...
- Seno ele ir trat-la do mesmo modo que trata todos os outros - outra voz concluiu por ele.
Virando-se, boquiaberta, Emma encontrou Gail olhando para ela. No a tinha ouvido aproximar-se, e sobressaltou-se com aquela advertncia. Enquanto as palavras de 
Ben tinham sido levemente provocadoras, as de sua irm continham um certo rancor.


CAPITULO VI

Lanando um olhar de desaprovao para a irm, Ben deu um tapinha confortador na mo de Emma.
- No ligue para ela - disse ele, sorrindo. - Gail  uma das gatinhas deste mundo. Ela no tem culpa de ter garras.
 mesmo?, Emma pensou dando um risinho zombeteiro, mas retirando sua mo.
- Voc vai precisar tomar cuidado com Vernica esta noite - prosseguiu Gail, sem se abalar. - Ela e Rick so muito chegados h bastante tempo. Ela talvez se conformasse 
com a sua glamourosa prima, mas jamais vai compreender o que Rick viu em voc.
- Emma no  feia. Ela  um pouco magra, mas muito charmosa - Ben argumentou delicadamente.
- Pelo menos a histria dela deve ser interessante, j que ela no . Os olhos de Gail se mostravam to especulativos que o rosto de
Emma ficou vermelho. Pondo-se em p, ela se atirou de novo na piscina. Tendo adivinhado o que viria a seguir, no sentiu vontade nenhuma de satisfazer a curiosidade 
de Gail em saber quando e como, exatamente, ela e Rick tinham se conhecido e se casado.
Flutuando de costas e permitindo que a gua a acalmasse, Emma logo se sentiu um pouco melhor. Ainda ouviu vagamente Ben e Gail discutindo, mas estava longe demais 
para entender o que eles diziam. Teria que se fortalecer, se quisesse sobreviver naquele lugar durante os prximos meses. Rita e Gail decididamente antipatizavam 
com ela, e ela no poderia esperar por nenhuma ajuda de Rick. Somado a isso, provavelmente ainda haveria a inimizade de suas antigas namoradas. Somente Ben mostrava-se 
disposto a ser gentil, e Emma sentiu mais uma vez gratido por isso. Se ela por acaso precisasse, era possvel que ele a ajudasse.
Vernica Ray vivia a alguns quilmetros de distncia, ao longo da costa, com seus dois irmos, Miles e Harley. A famlia possua uma grande empresa em Bridgetown, 
que rendia dinheiro suficiente para dar  moa a maior parte das coisas que a sua alma um tanto mercenria desejava. Vernica no conseguia, entretanto, perdoar 
os irmos por eles no terem conseguido conquistar Rick Conway para ela.
Durante a festa, a surpresa estampada em seu rosto, ao conhecer a jovem esposa de Rick, indicava at ao menos inteligente dos observadores que ela tinha se enchido 
de novas esperanas.
Emma, lendo muito bem a mente de Vernica, sentiu,  medida que a noite foi passando, que a outra talvez tivesse uma boa razo para se sentir to segura de si mesma. 
Ao v-los danando, ela notou o sorriso de satisfao de Rick, enquanto fitava os olhos escuros e aveludados de Vernica. Ele ignorou Emma quase a noite inteira, 
e essa negligncia estava comeando a faz-la sentir-se muito pouco  vontade. Quando uma esposa de apenas poucos dias  ignorada pelo marido, isso s pode se transformar 
em assunto de mexericos maldosos, especialmente numa comunidade to unida.
Ela sentiu um grande alvio quando Ben a convidou para danar.
- Oh, obrigada - murmurou, com um brilho de lgrimas nos olhos.
- No me diga que voc e Rick brigaram realmente! - disse ele, brincando. Mas Emma pde perceber que ele estava um tanto intrigado com a maneira como Rick estava 
se comportando. Quando ela fez que "no" com a cabea loira, ele no ficou satisfeito. - Eu no estava falando a srio, esta manh. Rick s vezes pode ser um monstro, 
mas ele geralmente  rpido em perdoar. Alm disso - Ben sorriu -, a maioria dos maridos recm-casados tende a ser indulgente...
- S porque estamos casados, isso no significa que ele tenha que ficar grudado em mim - Emma protestou.
- Ainda assim no  motivo para deix-la sozinha, minha cara. Desejando que todos parassem de trat-la daquele jeito, ela replicou, um pouco irritada demais:
- Eu no desejo que ele negligencie seus amigos.
-  possvel que os amigos dele entendam - retrucou Ben secamente, nem um pouco iludido com o brilho nos olhos de Emma.
- Oh, esquea isso. - Ela fez um esforo para falar com naturalidade e afastar Rick de seus pensamentos. - Eu gosto de danar, e voc  bom nisso.
- E voc tambm. - E Ben girou-a em seus braos de uma maneira que quase a fez esquecer-se das ms lnguas e dos olhares rpidos e especulativos que demonstravam 
curiosidade em saber o que Rick Conway tinha visto nela para se casar.
Ben danou com Emma trs vezes, antes de deix-la para ir danar com outra moa.
- Eu vou voltar - assegurou-lhe. - Voc  realmente um negcio. No me lembro de ter me divertido tanto antes.
Rick estava danando novamente com Vernica. Emma sentou-se mais uma vez sozinha, sem ningum reparar nela, procurando mostrar-se alegre. Ela viu Rick danando com 
outra garota linda, de rosto colado. A moa estava com os braos em volta do pescoo dele e o puxava em sua direo.
Quando Emma desviou os olhos, encontrou o olhar maldoso de Vernica.
- Parece que vai ser difcil voc conseguir segur-lo, querida. Eu lhe dou no mximo algumas semanas.
Emma respondeu com dificuldade: - Rick e eu nos entendemos.
- Pois eu gostaria de saber que tipo de entendimento vocs tm! - E Vernica deu uma risada sarcstica, ao se afastar.
Emma nunca soube como conseguiu passar o resto da noite. Rick convidou-a para danar uma vez, e ela se recusou, pois se sentia muito enojada com tudo aquilo. Depois 
ele a levou para jantar, porm mal conversou. Ela tentava se convencer de que era melhor assim. Mas no fundo sabia perfeitamente que teria dado qualquer coisa para 
danar com ele e t-lo a seu lado.
Mais tarde, virando-se e mexendo-se em sua enorme cama, com o perfume de jasmim e de gardnia entrando pela janela aberta, Emma achou difcil pegar no sono. Quando 
conseguiu dormir, foi para sonhar que estava nos braos de Rick. Um leve sorriso brincou em suas faces midas de lgrimas quando, no sonho, ela o abraou e beijou 
febrilmente.
Nem Rita nem Gail haviam descido para o caf, e essa era a segunda manh que elas no apareciam. Rick tambm no estava l, e a governanta disse a Emma que ele se 
encontrava na plantao.
- Ele trabalha muito - explicou a mulher.
- Eu pensei que ele tivesse um administrador. - Emma tomava devagar o seu caf. Os pezinhos estavam frescos e ela passou manteiga em um, embora no sentisse fome.
- Sim, o patro tem um administrador, que  um bom homem. Alm disso, tem o sr. Ben. Ele vai partir,  claro. Vai dirigir a sua prpria plantao, qualquer dia.
- Isso vai ser logo? - Emma perguntou, parecendo preocupada.
-  claro! - A governanta sorriu. - O sr. Rick disse que ele poder ir assim que aprender o suficiente.
Emma mordeu o lbio. Gostava de Ben e esperava que ele no desaparecesse to cedo. Olhou vagamente para a governanta, que ainda estava por perto. Sabia que seria 
de se esperar que assumisse as obrigaes de dona-de-casa, mas, alm do fato de Rick nunca lhe ter pedido para fazer isso, ela compreendeu que seria perda de tempo. 
E no tinha nenhuma inteno de aborrecer Rita, que teria que cuidar de Rick depois que ela se fosse.
Receando que a governanta estivesse esperando para receber ordens, agora que o patro tinha se casado, Emma terminou seu caf apressadamente e saiu.
- Vou ver se consigo encontrar algum.
Mas, apesar de suas tentativas, ela no viu Rick o dia inteiro, e  noite ficou irritada ao perceber que ele a estava evitando deliberada-mente. Alheia a tudo, exceto 
 sua raiva, abriu imprudentemente a porta dupla que havia entre os quartos, quando ouviu os passos dele.
- Sim, o que ? - Rick perguntou asperamente, parando de desabotoar a camisa.
Desviando os olhos daquele trax coberto de plos escuros, ela notou que ele estava cansado. Imaginando que isso devia ser em parte por causa das atenes que Rick 
dispensara s outras mulheres, na noite anterior, ficou ainda mais ressentida. Sem nenhuma hesitao, ela o acusou: 
- Voc falou em manter as aparncias! Disse que eu deveria fingir que era uma esposa amorosa! Ora, como  que posso fazer isso, quando voc praticamente ignora a 
minha existncia?
Ele a fitou friamente.
- Eu mudei de idia. De que adianta ficarmos trocando carinhos, quando isso no significa nada? Desse jeito, quando nos separarmos, no teremos que inventar explicaes 
falsas. Ningum esperara por elas, uma vez que todos vm prevendo um rompimento desde o incio.
A raiva de Emma estava se transformando rapidamente em sofrimento.
- Voc j tem tudo calculado?
- No precisa ficar to ressentida. Voc sabia desde o comeo que isso iria acontecer. Voc no entrou nesta histria cegamente.
- No, no entrei.
- Ser que estava esperando garantir uma posio boa e permanente para voc?
O rosto de Emma ficou branco.
- No! - exclamou ela, com a voz estrangulada. - Como  que eu poderia desejar isso, se voc no tem o mnimo de considerao por mim?
- Mesmo assim - acrescentou ele -, voc vai se conduzir de maneira apropriada enquanto estiver aqui.
- Enquanto voc faz o que bem entende, no?
- Sou eu quem d as cartas, no se esquea. - Rick fitou seus olhos midos e desafiadores.
- Voc espera que eu faa as suas vontades, apesar das conseqncias?
- Que...  conseqncias poderia haver?
Emma fechou os olhos. Qual seria a reao de Rick, se ela lhe confessasse que estava se apaixonando por ele? Ela ficava rezando para que a forte emoo que sentia 
em seu corao fosse dio, mas, no fundo, sabia que era amor.
- Talvez nenhuma - Emma respondeu  pergunta dele. - Talvez apenas alguns ferimentos que logo cicatrizaro.
- Ferimentos todos ns temos. Voc est achando difcil ambientar-se aqui? Ben parece estar fazendo o possvel para ajud-la.
- Ele  o nico que se incomoda comigo.
- Voc est sofrendo  de autocomiserao. - Rick continuou a tirar a camisa. - Existem muitas maneiras de tratar disso, mas eu me sinto inclinado a usar apenas 
uma. Se voc quiser, posso lhe mostrar uma parte da ilha, amanh. Faremos uma excurso rpida, e depois voc pelo menos saber andar por a sozinha.
Para que eu possa me distrair sozinha e no fique amolando, ela pensou.
Emma concordou, com um aceno de cabea e o deixou.
- Talvez seja uma boa idia.
Na manh seguinte, quando ela estava comeando a pensar que Rick talvez tivesse mudado de idia, ele apareceu  porta da frente da casa com um possante carro esporte 
e a levou para passear. A estrada se estendia ao longo da costa, onde as praias eram douradas, largas e muito bonitas. Havia muitas propriedades grandes perto do 
mar, cada uma com sua praia particular, e, apesar de suas dvidas anteriores, Emma comeou a apreciar muito o passeio.
Primeiro ela viu toda a propriedade de Rick, espantando-se ao perceber como era grande. Ela j tinha explorado a casa, embora no tivesse entrado em nenhum quarto 
alm do seu, e nem no escritrio particular de Rick. Ele no se ofereceu para mostr-lo, mas mostrou-lhe os jardins da propriedade e a plantao.
Vendo muitos homens trabalhando, Emma perguntou quantos empregados ele tinha.
- Centenas durante a colheita, mas no tantos em outras ocasies.
Olhando em volta para os vrios hectares de cana-de-acar, cujas folhas balanavam suavemente com o vento, Emma ficou curiosa em saber onde viveria um nmero to 
grande de empregados, uma vez que no havia nenhuma casa  vista.
Rick explicou pacientemente que muitos deles viviam em suas prprias cidades.
- Muitos de seus ancestrais eram prisioneiros de guerra da rebelio de 45... Escoceses, que, em vez de serem enforcados, receberam o perdo real, e foram trazidos 
a Barbados para sempre. Alguns deles passaram a possuir as suas prprias plantaes.
Mais tarde, como ambos estivessem sentindo calor, ele resolveu que procurariam uma praia mais ao norte, para que pudessem tomar um banho de mar antes do almoo.
- Ns podemos deixar Bridgetown e outros locais de turismo para outro dia - disse ele, depois de se assegurar de que Emma havia trazido o seu biquni.
A gua estava um pouco quente, mas agradavelmente revigorante, apesar de que, com Rick a seu lado, ela no conseguia se descontrair.
- Nunca nade aqui sozinha - ele recomendou, quando estavam saindo da gua.
- Mas voc nem sempre vai ter tempo para vir at aqui comigo. 
Ele a surpreendeu, dizendo:
- Talvez venha uma vez ou outra. Mas, quando eu no puder, use a piscina do jardim.
- Ben poderia me trazer - retrucou ela, irritada com a indiferena dele.
- Eu prefiro que ele no faa isso.
- Mas ele  muito amvel.
- No quero que venha com Ben!
O sorriso de Emma desapareceu quando Rick olhou demorada-mente para o seu corpo magro, para os seus cabelos loiros, de onde ainda escorria gua. Naquele momento, 
suas feies eram puras e inocentes como as de um beb. Os olhos dele se estreitaram, como se de repente estivessem vendo alguma coisa diferente nela.
- E se eu sentir vontade de ter um pequeno romance? - perguntou ela, procurando dirigir-lhe um olhar zombeteiro para provoc-lo. Emma no estava interessada em ter 
um caso com Ben, nem com qualquer outro homem, mas Rick no precisava saber disso.
Um instante depois, ela se arrependeu de sua pergunta temerria, quando ele a puxou em sua direo e a beijou. Envolvida nos braos dele, Emma percebeu que era tarde 
demais para fazer qualquer coisa. A presso da boca mscula aumentou, e, por mais que se contorcesse, ela no conseguia se soltar.
Erguendo a cabea, Rick fitou seus olhos ofuscados e disse suavemente:
- Eu j lhe disse antes que voc tem uma boca muito provocante. 
Emma estava erguendo as mos para afast-lo, quando uma enorme onda moldou seus corpos num s. Quando ela tentou se afastar de Rick, uma nova onda obrigou-a a agarrar-se 
a ele.
Ela no pesava muito, mas ele tambm perdeu o equilbrio. E os dois caram na gua, com outra onda cobrindo-os completamente.
Meio engasgada com a gua do mar e com uma sensao quente de desejo, Emma no pde fazer nada quando Rick beijou seus lbios de novo. E sentiu como se cada parte 
do corpo dele fizesse parte do seu. Estava inebriada e era capaz de qualquer coisa naquele instante.
- Emma... - murmurou ele, com a boca encostada em seus lbios trmulos. - Emma, deixe-me am-la.
Se Rick no tivesse falado, ela no lhe teria recusado nada. Mas por que ele pedira? Por que simplesmente no a tomara?
Quando Emma se recusou, sem desejar realmente isso, ele exclamou, ressentido:
- Voc no recusou outros homens.
A mar recuou e ele segurou seus cabelos, afastando-se por tempo suficiente para olh-la fixamente. Ela viu, embriagada, que os olhos dele estavam em chamas. Rick, 
excitado, a estava desejando, mas qualquer mulher talvez servisse.
- Solte-me, Rick. - Emma falou com dificuldade, pois no era isso que queria dizer. Sabendo que o amava e que estava recusando uma oportunidade de lhe pertencer, 
seus olhos se encheram de lgrimas. Ela as sentiu escorrer pelas faces enquanto ele a abraava com fora.
De repente, Rick a soltou, com desprezo.
- Voc s gosta de provocar - disse, levantando-a.
Incapaz de responder de maneira coerente, Emma ficou em p, balanando a cabea. Notando a sua aflio, ele perguntou friamente: - Eu a machuquei?
- No... - Mas a sua voz falhou.
- Ento, por que est chorando? - Porque qualquer mulher chora!
- Sim, mas por qu? Geralmente, as mulheres choram para conseguir as coisas que querem. Mas os homens vo ficando empedernidos contra esse tipo de chantagem, especialmente 
com algum igual a voc.
- Oh, deixe-me em paz - murmurou ela. E, dando meia-volta, saiu correndo pela praia.
Ao chegar onde estavam as suas roupas, Emma sentiu que o odiava, porque ele era incapaz de imaginar que ela pudesse sentir tudo o que uma mulher normal sente. Odiava 
a si prpria tambm, por chorar por um homem que no gostava dela.
Eles almoaram, em silncio, num dos vrios hotis que pontilhavam a ilha. Foi s quando j estavam tomando o cafezinho que Emma encontrou coragem para fazer a Rick 
algumas perguntas a respeito de Barbados, que lhe parecia um assunto mais seguro do que outro qualquer.
- Gostaria de me falar sobre S. Lusanda? A suai plantao ali  igual  de Coral Bay?
- Quem lhe falou sobre S. Lusanda? - Rick a assustou, perguntando rispidamente. - Eu, certamente, no falei nada.
- No. - Emma compreendeu que quase cometera um engano estpido. Fora Blanche quem lhe falara, e isso no agradaria a Rick.
- Eu... eu no me lembro - gaguejou nervosamente. - Deve ter sido algum...
- Voc no mente muito bem, no ? Aposto que foi Blanche. Emma acenou tristemente que sim.
- Ela s disse que voc passava muito tempo l.
- E ela no aprovava isso?
- Voc sabe que no. Mas era s porque no gostava da idia de v-lo longe dela.
- E ela gostava ainda menos da perspectiva de ter que passar algumas semanas l, comigo, no?
Foi impossvel para Emma negar isso.
- Talvez ela achasse que seria muito solitrio.
- Estou comeando a pensar que escapei por pouco - comentou Rick cinicamente. - Mas  claro que se trata de um caso de pular da frigideira para o fogo - acrescentou, 
olhando friamente para Emma.
- A idia de passar uma lua-de-mel comigo numa ilha solitria a desencorajaria, minha querida Emma?
Embora soubesse que ele estava tentando embara-la de propsito, seu corao deu um pulo e a mo que segurava a xcara de caf tremeu.
- Est tremendo de medo ou de expectativa? - zombou ele, de maneira cruel, olhando para seu rosto ruborizado.
- Por que eu deveria estar tremendo por causa de uma simples hiptese? Rick, ser que no podemos conversar sensatamente? Luas-de-mel  parte, eu gostaria de conhecer 
a sua ilha. Quando for, voc quer me levar?
- No, acho que no. Por que eu deveria? No existe nenhum divertimento em S. Lusanda. Ns teramos que nos divertir sozinhos, e voc j deixou bem claro que no 
tem nenhuma inteno de se divertir comigo.
O que ele quis insinuar no poderia ser mais claro. O rubor das faces de Emma aumentou e, num esforo para se defender, ela perguntou:
- Voc j levou Vernica Ray at l?
- Sim, levei.
Emma simplesmente entrou num silncio amargo.
- Ela  muito bonita - disse finalmente.
- Sim.
- Voc gosta mais dela do que de mim?
- Eu a conheo mais do que a voc. - Rick se levantou, com um suspiro de impacincia. - Se j terminou, Emma, ns podemos ir andando. Eu no tenho nenhuma inteno 
de passar por um interrogatrio.
Trs dias depois, ele partiu para o Canad, onde tinha interesses comerciais. Isso no a deixou muito surpreendida, pois ela j ouvira falar que o Canad tinha muitas 
ligaes comerciais com a ilha de Barbados.
Quando Emma perguntou a Rick sobre o dia em que pretendia voltar, ele disse que no tinha certeza. De certa forma, ela se sentiu aliviada ao v-lo partir, pois o 
fato de estar perto dele todos os dias estava se transformando numa coisa insuportvel. Desde o dia em que a levara para nadar, Emma quase no o vira, exceto na 
hora do jantar. Certa noite Rick jantara fora, e Gail sugerira que ele no estava sozinho, o que s servira para aumentar o sofrimento de Emma.
Durante os primeiros dias depois da partida dele, Emma se sentira muito inquieta. Rita e Gail, agora que ela j no parecia mais representar uma grande ameaa  
segurana que elas desfrutavam em Coral Bay, passaram a toler-la, embora nunca se mostrassem muito amistosas. Ben foi quem salvou a sua sanidade mental depois que 
Rick partiu sem ao menos dar-lhe um beijo de despedida. Sem o companheirismo cordial e sereno de Ben, ela nunca teria suportado.
Os efeitos do excesso de trabalho durante os ltimos trs anos, combinados com as tenses das ltimas semanas, no podiam ser eliminados imediatamente, mas Emma 
foi conseguindo isso pouco a pouco. O fato de ter muito mar e muita areia  sua volta, alm de contar com apenas dezenove anos, devia ter ajudado.
Ben a levava para pescar, ou pelo menos ensinou-a a manejar o barco enquanto ele pescava. Ela se tornou muito competente, merecendo a admirao irrestrita do rapaz. 
Sua capacidade de nadar tambm melhorou. Tinha sido muito boa nadadora na escola, e, sob a orientao dele, logo recuperou a antiga forma.
Enquanto Ben estava ocupado com a propriedade, ela saa para explorar a ilha sozinha ou passava algum tempo em Bridgetown. L, encontrou um excelente cabeleireiro, 
especialista em beleza, que se mostrou mais do que disposto a dar prosseguimento ao trabalho de seus colegas de Paris. A pele de Emma logo foi perdendo toda a aspereza, 
e logo comeou a ficar suave e saudvel. Seus cabelos tambm comearam a brilhar com os cuidados profissionais. At seu corpo melhorou muito mais do que ela esperava. 
Tinha adquirido curvas, estava se tornando, como Ben dizia, com uma franqueza chocante, "espantosamente sedutor".
- Rick no vai reconhecer voc - ele falou. - Toda a ilha est falando da maneira como voc mudou.
- Toda a ilha?
- Voc me conhece... eu s vezes exagero - Ben sorriu sem constrangimento -, mas desta vez no estou exagerando, Emma. Logo que voc chegou, as mulheres viviam fazendo 
comentrios maldosos. Elas ainda fofocam muito, mas agora  por inveja. Algumas delas dariam tudo o que possuem para terem a sua aparncia de agora, e tambm para 
saberem como voc conseguiu.
Emma fechou a cara. Nunca tivera nenhuma ambio de atrair esse tipo de ateno.
- Eu no fiz nada, Ben. Acho que apenas recuperei...
- Recuperou o qu, pelo amor de Deus? - perguntou ele, curioso.
- Oh, s uma coisa ou outra. - Ela procurou rir, embora no soubesse realmente do que estava falando. Poderia ter contado sobre os anos de trabalho duro e de negligncia 
para consigo mesma, mas preferiu esquecer isso.
O prprio Ben mudou de assunto e continuou a estud-la. De repente, quando ela se virou em sua direo, por estar se sentindo embaraada com aquele exame minucioso, 
ele suspirou.
- Emma, se algum dia voc se cansar de Rick, case-se comigo.
- Sem mais nem menos? - Ela riu, recusando a lev-lo a srio.
- Por que no? Voc sabe que eu no a negligenciaria como Rick faz.
Seria tolice negar isso e Emma ficou calada. O silncio continuou e ela viu compaixo no rosto de Ben.
- Talvez, se eu fosse bonita como Vernica Ray... - murmurou, com ar triste.
- Vernica no pode ser comparada a voc.
Isso prova que a minha aparncia no melhorou tanto quanto eu imaginava, pensou Emma.
Quando Rita lhe disse, depois do almoo, que Vernica havia convidado a todos para mais uma das pequenas festas que ela gostava de dar, Emma ficou surpresa.
- Tem certeza de que eu estou includa? Rita garantiu-lhe que sim.
- Talvez ela tenha ouvido dizer que a rival est melhorando - Gail insinuou descuidadamente -, e queira ver com seus prprios olhos.
Rita examinou Emma com uma leve expresso de surpresa, mas no era muito dada a admirar as outras mulheres.
- A aparncia no  tudo - ela afirmou friamente, falando com a filha como se Emma no estivesse presente. - Um homem precisa de algum que seja capaz de ajud-lo 
socialmente. Eu duvido que Rick continue satisfeito com ela durante muito tempo.
Emma ainda estava abalada com os comentrios francos de Rita quando chegou  festa de Vernica com a famlia de Rick, poucos dias depois. Ben, apesar da evidente 
desaprovao de Rita, recusou-se a sair do lado de Emma. Ele era to atencioso que ela comeou a se sentir embaraada. Ele parecia estar se arvorando em seu protetor. 
Mas no era o nico a desejar para si essa posio.
Miles Ray, irmo mais novo de Vernica, no conseguia tirar os olhos dela.
- Eu no sei como no reparei em voc antes - ele exclamou, de um jeito que fez Emma se lembrar estranhamente de Rick.
Ben amarrou a cara quando Miles a convidou para danar, mas no podia impedi-la de ir.
Antes de terem danado duas msicas, Miles j a convidara para almoar com ele no dia seguinte.
- Se voc acha que estou sendo apressado,  porque no quero que ningum me passe  frente - explicou ele, falando bem srio.
Emma estava para recusar educadamente o convite, quando parou para pensar. Por que no? Por que no deveria almoar com Miles? Ele era um homem muito atraente, de 
trinta anos, e ela sentia instintivamente que talvez tivessem muitas coisas em comum. Alm disso, no seria mais sensato no depender tanto de Ben, como vinha acontecendo? 
Ela gostava dele como de um irmo, mas isso era tudo.
E sorriu de maneira encantadora para Miles. 
- Eu adoraria almoar com voc amanh.
Vernica no parecia desaprovar aquela amizade, o que era surpreendente considerando-se sua antipatia por Emma. 'Isso deixou Emma muito espantada.
Miles ia todos os dias a Bridgetown, onde trabalhava muito, ajudando a dirigir uma enorme loja de departamentos. Emma ficou espantada com o tamanho da loja e com 
a qualidade das mercadorias.
Ela j a tinha visto antes, mas s para fazer algumas compras apressadas na seo de cosmticos.
Um tanto aturdida, parou para admirar um lindo bracelete que estava trancado no interior de uma vitrine. O bracelete era cravejado de brilhantes e de outras pedras 
cintilantes de valor inestimvel. Emma sorriu de admirao.
Miles chamou logo uma balconista que estava por perto e lhe pediu para ir buscar a chave da vitrine, para retirar o bracelete. Depois que ela fez isso, ordenou-lhe 
que o embrulhasse.
Ento, ao ver Emma pestanejar, indecisa, suspendeu a ordem.
- No - ele disse, voltando-se para Emma -,  melhor experiment-lo primeiro. Se no gostar dele, existem outros.
Emma arregalou os olhos para Miles, surpresa e levemente chocada. No poderia aceitar um presente to caro de homem nenhum, a no ser de seu marido. De repente lembrou-se 
de Rick. Ele no vivia dizendo que ela devia esquec-lo, que o casamento deles estava terminado? Ele no pretendia tornar isso pblico?


CAPITULO VII

Emma recusou a jia que Miles lhe oferecia. Se aceitasse o bracelete naquelas circunstncias, ela nunca mais teria paz. O problema era dizer isso a Miles. Enquanto 
estava pensando na melhor maneira de fazer isso sem mago-lo, Vernica Ray chegou.
Os olhos dela foram passando do bracelete rutilante para Emma.
- Ele lhe ficaria muito bem, Emma. Mas Rick no a mantm bem suprida dessas coisas?
Emma corou ligeiramente, e Miles dirigiu  irm um olhar furioso.
- Por que voc no some, Vernica? O que est vendo aqui no  da sua conta.
- , acho que no. - Mesmo assim Vernica no fez meno de se afastar. - Mas voc no pode me culpar por estar interessada. Este bracelete aqui faz aquele que voc 
e Harley me deram no meu aniversrio parecer uma bijuteria barata.
- Voc j tem bastante, e  s minha irm - ele acrescentou asperamente, como se isso explicasse tudo.
- E o fato de Emma ser esposa de outro homem no importa? Miles ficou branco.
- Se no calar a boca e no sair, Vernica, eu vou cuidar disso pessoalmente. Emma e eu nos entendemos.
- Puxa, como Rick vai gostar de ouvir isso! - exclamou Vernica, acostumada demais a discutir com seus irmos, para permitir que um atrito como aquele a perturbasse. 
- Aposto que voc est torcendo para que logo haja um divrcio, no?
- Se Emma se sentir do mesmo jeito que eu... - Ele segurou a mo fria de Emma com fora. - Eu a amo, mas no pretendo fazer nada pelas costas de ningum, muito menos 
de Rick Conway. Eu vou lhe dizer pessoalmente que quero me casar com ela.
Essa declarao surpreendente tirou p flego de Vernica por um momento, mas ela logo se recuperou.
- Ento Emma poder ser minha cunhada?
- Se ela me quiser.
- Oh, por favor! - To plida quanto Miles, Emma interrompeu-os com um suspiro de protesto. Aquilo que tinha comeado como um convite casual para um almoo estava 
se transformando num pesadelo. Ela simpatizava com Miles, mas isso era tudo. E certamente no queria saber de mexericos maldosos. Se isso acontecesse, Rick ficaria 
furioso, mesmo que fosse s porque ela usava o seu nome. - Eu no posso aceitar o bracelete, Miles. Foi muita gentileza sua...
- Tem gente demais aqui, querido - disse Vernica ao irmo. - Guarde-o no seu bolso at mais tarde, Miles. Eu preciso me lembrar de mencionar isso a Rick.
- Voc quer calar a boca? - disse Miles, com os dentes cerrados, mas ainda continuou com o bracelete, enquanto conduzia Emma para fora da loja.
Ele no olhou mais para Vernica. No carro, jogou bruscamente o bracelete no painel e disse a Emma:
-  melhor voc ficar com ele.
Emma nunca se sentira to embaraada em toda a sua vida.
- Eu no posso aceit-lo, Miles, voc deve saber disso! No enquanto eu estiver casada com Rick.
Os olhos dele se estreitaram.
- Isso d a impresso de que voc no estar casada com ele para sempre.
- Eu... oh, eu no sei! - Emma ficou confusa e desorientada demais para saber o que estava dizendo. - Talvez no, mas, enquanto estiver, eu no quero fazer nada 
que possa mago-lo.
Miles mordeu o lbio, esforando-se visivelmente para no fazer mais comentrios a esse respeito.
- Vernica  louca. A sua chegada foi inoportuna, mas eu estava falando a srio quando disse que queria me casar com voc.
- Voc sabe que tambm no posso fazer isso.
Ele estendeu a mo, segurou-lhe o queixo e virou o rosto dela em sua direo.
- No fique to triste, meu bem. Acho que compreendo mais do que voc pensa. Voc  doce e leal, sempre sincera, e eu a amo. Se no puder t-la, nunca mais vou querer 
outra mulher.
Por que Rick nunca confiara nela assim? Ele partira h seis semanas e nem tentara falar com ela pessoalmente. Sempre que ligava para casa, falava com Rita, com Ben 
ou ento com seu supervisor. Perguntava por Emma, mas nunca pedia para falar com ela. Ao mesmo tempo, ela achava impossvel at mesmo pensar em ser infiel a ele.
- Eu sinto muito, Miles. - Com os olhos marejados, Emma se virou para o outro lado. - Seria melhor voc se esquecer de mim.
- Veremos... Por que no vem tomar uma xcara de ch comigo, antes de eu lev-la para casa? Voc no pode me recusar tudo.
Para evitar de lhe dar uma falsa impresso de que o estava encorajando, Emma disse firmemente, ao entrarem na linda sala de visitas dos Ray:
- Seria melhor que no nos vssemos mais, Miles.
Os olhos dele ficaram tristonhos. Depois, Miles deu de ombros e sorriu.
- Como queira, mas eu prometi ir  festa que Rita vai dar no fim da semana, e por isso terei que v-la l. Depois disso, veremos o que fazer... Por que no deixamos 
assim? Voc de repente pode descobrir que gosta mais de mim do que de seu marido.
Emma retribuiu o sorriso e suspirou, mas no pde responder porque Vernica se aproximou, apesar do olhar glacial do irmo.
Vernica estava estranhamente bem-humorada e durante a meia hora seguinte foi uma anfitri perfeita. Ela lembrava a Emma uma a gata que tinha acabado de caar um 
camundongo e se preparava para brincar com ele. 
No dia da festa, tanto Ben como Miles garantiram a Emma que ela era mais bonita que todas as outras mulheres. Alm disso, estava se tornando muito popular tambm 
entre o pessoal mais jovem.
Emma, pensando em sua nova popularidade, s vezes ficava surpresa com a memria curta das pessoas. Logo que ela chegara, todo mundo a ignorava. Agora era diferente, 
mas, embora aceitasse alegremente as novas amizades que lhe eram oferecidas, ela no sabia se algum dia se acostumaria quele meio social to interesseiro.
- Voc est to distante! - Ben lhe deu uma leve sacudidela enquanto estavam danando.
Ela corou, sem jeito.
- Eu sinto muito. Sim, acho que estava mesmo.
- Quem  o felizardo?
- Quem  o qu? - Ela olhou espantada para ele. - Oh, sim, entendo...
- No queira negar - disse ele secamente, e viu-a corar de novo. - Apesar de Rick a negligenciar, voc vive pensando nele!
- Uma moa precisa viver pensando em algum...
- E por que no em mim? - Os braos de Ben a apertaram mais de encontro a seu corpo. - Eu a amo, boneca.
Emma sorriu, meneando a cabea para ele, mas ficou aliviada quando a dana terminou. Ben estava comeando a ir longe demais. Duas noites antes ele lhe suplicara 
por um beijo de boa-noite. Se Rita soubesse disso, ficaria furiosa, pois j tinha escolhido uma moa para ele, filha nica de pais ricos.
Quando comeou a tocar outra msica, Ben relutou em entregar Emma a Miles.
- Voc no deve danar com ele - resmungou, de maneira insolente.
Miles ficou ruborizado, mas procurou levar na brincadeira.
- Espero que eu seja to bom quanto voc Ben.
Emma colocou ansiosamente a mo no brao de Miles, afastando-se com ele. Notou que Vernica os observava em silncio, com rancor no olhar. O que  que ela estaria 
cochichando para Rita? Por que as duas estavam olhando para ela com tanto desprezo?
Sentia-se to constrangida que ficou grata quando Miles sugeriu que parassem de danar.
- Estou sentindo um pouco de tontura - disse ele. - Voc se incomoda se formos para o jardim?
- No. - Emma olhou para ele, preocupada. - Voc deveria ter falado isso antes. Quer que eu v buscar alguma coisa?
- No. Eu s preciso de um pouco de ar fresco e de uma oportunidade de conversar com voc.
Eles saram do terrao e atravessaram uma das alamedas largas do jardim.
- Conversar comigo? - Emma no o via desde a tarde em que tomara ch com ele e com Vernica. Talvez no fosse conveniente estar com Miles l fora, mas ele parecia 
tenso e abatido.
Ela suspirou. Nunca sonhara ser capaz de atrair um homem... Mas, pensando bem, se Miles e Ben no se sentissem atrados seriamente, no lhe teriam proposto casamento...
- Sobre o que voc quer conversar? - ela perguntou de repente.
- Sobre voc - disse ele, parando na alameda. - Sobre voc e o seu casamento, acho.
- Isso... - Ela hesitou, corando e respirando fundo. - Eu no quero conversar a respeito disso, Miles. O meu casamento s diz respeito a Rick e a mim, e acho que 
outro dia lhe pedi para me deixar em paz.
- Ento, agora no  de minha conta - resmungou ele, cerrando os dentes. - Oh, Emma, sabe muito bem que te amo, e acho que voc me deu motivos para acreditar que 
gosta de mim. - Seus olhos estavam cheios de dor, quando ele olhou para ela. - Eu no me esqueo por um minuto sequer que voc  casada. Acha que eu poderia? Como 
um homem pode se esquecer de uma coisa que machuca como um punhal cravado no peito? Meu nico consolo  que o seu casamento no  normal. Vernica me contou que 
Rick admite isso.
- Miles, por favor! - Emma ficou plida e abalada, ao pensar em Rick conversando sobre a vida deles daquele jeito. Ele talvez pudesse, mas ela no conseguiria falar 
sobre seu casamento com ningum. Continuar em silncio era quase insuportvel, mas era o nico jeito.
- Emma! - Miles se recusava a tomar conhecimento de sua aflio, acreditando saber a causa. - Emma, eu te quero... mas como minha esposa. Procure conseguir o divrcio... 
 muito fcil hoje em dia. Eu te amo. Quero me casar com voc, para poder cuidar de voc pelo resto da vida.
Cus! Ser que todos os homens da ilha estavam ficando loucos? No! Emma fez fora para se acalmar. Eram apenas Ben e Miles que iam to longe. Mas Rick ficaria furioso 
se essas histrias chegassem a seus ouvidos. Ela estremeceu. Como tinha sido tola!
- Diga alguma coisa, Emma, por favor! - E Miles segurou seus ombros tensos. - Voc sabia dos meus sentimentos. Eu no tinha certeza do que voc sentia por mim, at 
que aceitou o meu bracelete.
- Solte-a, Ray! 
Horrorizada, Emma se contorceu nos braos de Miles. Ben parou diante deles, com o rosto lvido de clera.
- Ela me pertence! - gritou ele para Miles, apesar dos esforos de Emma para silenci-lo. -  melhor voc sair daqui!
- No seja tolo, Ben - disse Miles rispidamente. - Use a cabea. Voc no pode dar a ela aquilo que eu posso. E no creio que ela goste de voc.
Para Emma, aquilo era um pesadelo. Diante da afronta, Ben procurou aliviar sua frustrao da melhor maneira que conhecia. Quando a raiva superou o bom senso, ele 
atacou Miles violentamente.
Emma, aterrorizada com o que ia acontecer, tentou se interpor entre os dois, mas recebeu de raspo o impacto do punho de Ben no lado do rosto.
Ben no pareceu ouvir o seu grito de dor. Ele sempre sentira averso por Miles Ray, e achava que havia chegado a hora de se vingar. Cego de cime, ele afastou Emma 
com um empurro, e ela foi cair numa moita de espinhos, ferindo ainda mais seu rosto j machucado.
Aturdida, Emma abriu os olhos e viu, horrorizada, a briga que se seguiu. A luta estava equilibrada, embora Ben fosse mais jovem e mais forte. Um soco atingiu Miles 
em cheio, e este caiu com o baque.
No se sentindo derrotado, Miles levantou-se com um salto e continuou lutando. Enquanto isso, Emma levantou-se, cambaleante, e tentou separ-los. Ela nunca soube 
de quem era o cotovelo que a atingiu, mas, meio desfalecida com o impacto, caiu ao cho, com lgrimas de impotncia escorrendo-lhe pelas faces. E ela viu a briga 
continuar, sentindo-se to fraca que no foi nem capaz de sair correndo para buscar socorro.
Ento, de repente, vindo inesperadamente da escurido, outro homem apareceu. Ele resolveu a situao em poucos segundos, separando os dois lutadores. Sacudiu-os 
como se fossem ratos, enquanto usava uma linguagem nada refinada.  luz do luar, seu rosto apresentava uma expresso de clera que ultrapassava a dos dois homens 
que estava segurando.
Apavorada, Emma encolheu-se toda e cobriu seu rosto machucado e molhado de lgrimas com as mos, enquanto tentava fazer de conta que Rick no estava l.
Ele se virou para ela no mesmo instante e seu tom de voz ainda era cheio de fria.
- Que diabos voc andou fazendo, Emma? Foi s eu virar as costas.
Ele estava fora h quase sete semanas! Emma gostaria de ter dito isso, mas estava sufocada demais com os soluos e com o choque, para conseguir dizer uma nica palavra 
em sua defesa.
- Escute aqui, Conway, deixe-me explicar. - O rosto de Miles estava vermelho enquanto tentava recobrar tanto sua dignidade como o flego.
- Cale a boca! - rosnou Rick, virando-lhe as costas.
Ben ofegava e resmungava, olhando com dio para Miles. Miles sabia bater com fora, mas Ben tinha certeza de que seria ele o vencedor se Rick no tivesse interferido.
- Ele pensa que  dono de Emma, s porque tem sado com ela. Rick, olhando para a sua esposa, ordenou-lhe que voltasse para casa.
- Suma da minha frente... e fique por l!
Emma no conseguia olhar para ele, pois sentia-se apreensiva demais quanto  reao de Rick quando estivessem a ss. Ele certamente a odiaria mais do que nunca. 
E isso a atormentava mais do que os golpes que recebera.
Subindo para o seu quarto, deixou-se cair pesadamente na cama, como se a fora da fria de Rick j tivesse cado sobre ela. Desajeitadamente, conseguiu tirar o vestido 
e vestir um velho roupo de l que tinha trazido da Inglaterra. A noite estava quente, mas ela estava tremendo de medo.
Quando Rick chegou, Emma ainda estava deitada. Mantinha o rosto escondido de encontro aos travesseiros, pois seu estado era deplorvel por causa dos golpes acidentais 
de Ben e das lgrimas. Desejou ardentemente que a ira de Rick tivesse diminudo, mas compreendeu, pelo tom da voz dele, que no tinha.
- Eu no posso deix-la durante cinco minutos - disse ele rispidamente -, que voc volta a ser o que era antes de se casar comigo.
- E o que eu era?
- Uma ordinria!
Emma comeou a chorar de novo.
- No foi minha culpa, aquilo que voc viu - balbuciou incoerentemente.
- Ento de quem  a culpa? - O olhar de Rick como que a fuzilava. - Voc deve ter iludido aos dois e depois disse alguma coisa que os fez voltarem-se um contra o 
outro.
- Eu no encorajei nenhum dos dois. - Mas de repente Emma percebia que no poderia dizer isso com sinceridade. - No sei o que esperavam de mim. Eles tinham muitas 
idias tolas...
- A respeito de qu? - ele a incitou a falar, bruscamente, quando a voz dela comeou a falhar.
- Oh, nada. - Ela no conseguia dizer que tanto Ben como
Miles a haviam pedido em casamento. Era provvel que, a essa altura, ambos tivessem mudado de idia. Em todo caso, Rick jamais acreditaria que as intenes deles 
eram honestas.
Ela compreendeu que tinha razo, quando Rick declarou:
- Os homens no brigam por causa de uma mulher sem motivo. E de voc eles s poderiam querer uma coisa, uma vez que no possui beleza e nem uma educao refinada.
Desesperadamente magoada, Emma tentou conter os soluos.
- Voc est sendo muito injusto!
- Injusto! Voc no compreende que eu poderia ter cometido um assassinato esta noite, se algum no tivesse me avisado sobre o que voc andava fazendo?
- Algum o avisou? - Emma perguntou, desconcertada.
- Algum me contou que voc aceitou uma jia valiosa de Miles Ray.
- Mas eu no aceitei! - O choque deixou a voz de Emma rouca. - Ele... eu admito que ele queria me dar um bracelete. Chegou a lev-lo at o carro, mas eu recusei!
- Eu no quero mais ouvir mentiras! - Rick virou-se rapidamente e abriu uma gaveta da penteadeira. Ao tirar, as mos da frente de seus olhos horrorizados, Emma viu-o 
levantar o bracelete de Miles. - J que voc fica exibindo isto para outras pessoas, por que no o faz para mim? O que  que eu devo achar de tudo isso?
Totalmente perplexa, Emma fitou.o bracelete com os olhos arregalados, esquecendo-se de seu rosto machucado. A ltima vez em que o vira tinha sido no carro de Miles. 
Ele parar de insistir para que ela o aceitasse, e o deixara no carro quando entraram na casa dele para o ch. Depois disso, quando Miles a levara para casa, o bracelete 
no estava mais l, mas Emma no dissera nada. Ela conclura que ele devia t-lo guardado.
Algum havia colocado o bracelete na gaveta, mas quem? Estupefata, ela continuou olhando para as pedras cintilantes na mo de Rick.
- Eu... eu no sei o que dizer - gaguejou. - No sei como ele foi parar a, esta  a verdade.
- Voc por acaso conhece o significado dessa palavra? - perguntou ele, de maneira insolente, enfiando o bracelete no bolso. Depois aproximou-se e a fez sentar-se 
na cama bruscamente. Ficou to perto dele que a sua respirao parecia queimar-lhe a pele ferida.
Com tremores atravessando-lhe o corpo, Emma engoliu em seco, dizendo de maneira pouco convincente:
- Se eu tivesse aceitado esse bracelete idiota, por que no o estaria usando esta noite? Voc no acha que uma mulher de carter duvidoso o estaria exibindo? 
- Talvez voc tenha feito isso mesmo.
- Por que no procura saber?
- Cale-se! - Seu tom de voz era glido, e seus dedos se enterraram com mais fora na carne de Emma. - Eu j estou farto das suas mentiras. A sua famlia tem um raro 
dom para isso. E voc... voc s me causou problemas, desde que a conheci. E parece que ainda no est satisfeita.
- Voc me desprezava, mas isso no o impediu de me usar - retorquiu ela.
- Se voc serviu para alguma coisa, eu certamente estou pagando por isso - exclamou ele, os olhos examinando seu rosto machucado. - Agora, antes de mais nada, acho 
que tenho que lev-la para St. Lusanda, seno todo mundo vai comear a imaginar que a andei espancando.
- Foram Ben e Miles que me machucaram. - As lgrimas comearam a escorrer de novo. - Mas a culpa no foi deles. Eu entrei no meio da briga.
- E como  que eu explicaria isso? Ser que devo dizer: Vocs precisam desculpar minha esposa, acontece que seus dois amantes andaram brigando por ela?
- No! - O rubor no melhorou sua aparncia. - Eles no estavam... no so... 
- Ento pare de discutir - ele a interrompeu bruscamente. - Voc vai ficar em St. Lusanda at que eu diga que pode voltar. Algumas semanas na ilha s tendo a mim 
como companhia talvez produzam resultado. Se me der vontade, posso at lhe dar uma lio que voc no vai esquecer to cedo!
Se Rick a amasse, Emma teria ficado encantada em acompanh-lo a St. Lusanda. Agora ela via essa perspectiva bom tristeza, pois ele a odiava. E, sozinha com ele na 
ilha, ela temia deixar transparecer o quanto o amava.
- Eu prefiro voltar para a Inglaterra - suplicou Emma, enquanto ele continuava a estudar seu rosto.
Olhando-a sombriamente, ele disse, semicerrando os olhos:
- Se voc fizesse isso, as pessoas de l s iriam achar o mesmo que as daqui. E, por enquanto, ainda no tenho a menor inteno de fornecer a Blanche provas irrefutveis 
da falncia do meu casamento.
Emma se encolheu, repetindo melancolicamente:
- Eu j lhe disse que foram Ben e Miles...
- E eles vo pagar por isso. - Os olhos de Rick de repente brilharam diabolicamente. - Pode estar certa de que eles vo sofrer muito mais do que voc.
- Rick... no... no v fazer nenhuma loucura. Eu... eu no mereo isso - acrescentou, temerosa de que ele fosse se meter em encrencas, e achando que talvez pudesse 
det-lo.
- Eu tambm acho. Mas sei cuidar de mim mesmo... e tambm de outras pessoas. Vou falar com Belasco para lev-la para St. Lusanda pela manh. Eu seguirei depois.
Ele parecia to implacvel que Emma se encolheu ainda mais dentro de seu velho roupo.
- Por favor, Rick, no me faa ir! Eu juro que no fiz nada que justificasse ser mandada embora desse jeito.
- No foi isso que eu ouvi dizer - retrucou ele, como se a sua insistncia o- enfurecesse. - Voc tem se comportado desavergonhadamente. Os ces no lutam a no 
ser que estejam disputando um osso.
- Eu no vou - exclamou Emma, embora se desse conta de que era intil continuar protestando. Rick jamais acreditaria que ela fosse inocente. Talvez lhe conviesse 
ach-la culpada das piores coisas.
- Voc vai!
Por um momento os olhos dele pareceram estar em brasa de tanta ferocidade. Ento, para aflio de Emma, Rick a puxou em sua direo, segurando-a, impotente, enquanto 
seus lbios desciam para silenciar-lhe o grito de protesto.
Quando a boca mscula esmagou cruelmente os lbios dela, Emma o odiou. Mas logo seu corpo reagiu de maneira traioeira, e ela se entregou aos braos dele.
O beijo foi brutal, mas breve. Antes mesmo de levantar a cabea, ele murmurou em seu ouvido:
- Todas as mulheres que eu levei  ilha, at hoje, a detestaram. O isolamento as deixa perturbadas, e ficam contentes quando voltam ao que chamam de civilizao. 
Para voc no vai haver essa possibilidade, mas eu prometo no priv-la para sempre das coisas que voc ama.
Belasco levou-a at a ilha, na manh seguinte, na possante lancha de Rick. A lancha possua equipamentos especiais, e Belasco contou-lhe orgulhosamente que o patro 
os usava para a pesca. Os motores cortavam as guas, deixando Barbados rapidamente para trs.
Agora, ao olhar para as guas azuis do mar das Carabas, Emma gostaria de saber o que lhe estava reservado. Por mais que, tentasse, no conseguia esquecer-se da 
fria no olhar de Rick, na noite anterior. O que ele pretendia fazer? Ela desejara conhecer a ilha dele, mas no daquele jeito!
Uma vez ou outra, durante a manh toda, Emma percebeu que Belasco a olhava com curiosidade. Esperava que ele no achasse que Rick era responsvel pelos machucados 
em seu rosto.
- Eu bati com o rosto numa rvore do jardim - disse ela finalmente, sentindo-se pouco  vontade. No pretendia dar-lhe nenhuma explicao, mas achou que podia satisfazer 
a curiosidade do homem.
- Sim, senhorita - Belasco respondeu, mas ela teve certeza de que estava duvidando de sua histria.
- Meu marido - e ela repetiu estas palavras, uma vez que Belasco a tinha chamado de "senhorita" -, meu marido me deu um remdio para passar, por isso logo vai ficar 
bom.
- Tudo logo vai ficar bom - disse Belasco, acenando afirmativamente com a cabea.
Emma simplesmente deu de ombros, virando-se para o outro lado, incapaz, naquele momento, de ligar para o que quer que fosse.
St. Lusanda era certamente diferente de Barbados. Emma percebeu isso no mesmo instante em que chegaram l. A ilha era maior do que ela pensava. Belasco pareceu confirmar 
isso, quando lhe contou que muitas pessoas viviam l, e que vrias delas tinham os seus prprios negcios enquanto no estavam trabalhando nos canaviais.
Eles atracaram num molhe que ficava numa linda laguna azul-esverdeada, e alguns ilhus que estavam l reunidos olharam para ela sem muita curiosidade. Ao v-los, 
Emma se lembrou das manchas roxas em seu rosto. Ela procurara disfar-las com .uma pesada maquilagem, mas no havia conseguido totalmente.
Nenhum dos ilhus parecia saber que ela era a nova esposa de Rick Conway, e Belasco no lhes contou. Emma ficou grata a ele por preservar seu anonimato, embora soubesse 
que logo descobririam quem ela era. Numa ilha do tamanho daquela, seria impossvel manter um segredo durante muito tempo.
Havia um motorista esperando por eles. Mais uma vez, Belasco segurou-a delicadamente ao ajud-la a descer do barco para o ancoradouro, e de l para o carro. Ele 
tomou um cuidado especial para que ela ficasse sentada confortavelmente, antes de ele prprio sentar-se e dizer ao motorista que poderiam partir.
A estrada era irregular, mas de modo algum intransitvel. Alm disso, a paisagem era to linda que Emma nem teria notado se ela fosse pssima. A ilha de St. Lusanda 
era rodeada de areias de uma tonalidade prateada. Mais para o interior, havia montanhas verdejantes. Tudo isso mergulhado numa paz perfeita. Mas ela tambm comeou 
a sentir alguns sintomas do isolamento sobre o qual Rick falara. No entanto, no foi bem isso que a fez reprimir um estremecimento repentino. Foi, isso sim, um pressentimento 
assustador de que, quando deixasse aquela ilha, ela seria uma mulher muito diferente daquela que era agora.


CAPITULO VIII

Ao chegarem  residncia, Emma logo compreendeu o que Rick queria dizer quando falara que nenhuma mulher que levara at l havia simpatizado muito com a casa. Embora 
grande e de construo slida, ela no tinha nada das linhas elegantes da outra de Barbados. Por dentro, era muito espaosa, limpa e bem cuidada, mas Emma no conseguia 
imaginar Vernica ou Blanche gostando dela.
Na parte de cima havia quatro grandes dormitrios, todos eles decorados com mveis antigos e escuros. Ela viu logo qual deles pertencia a Rick. O quarto estava to 
bem-arrumado quanto os outros, mas havia uma pilha de livros na mesa-de-cabeceira. Quando olhou nas gavetas da velha cmoda polida, viu diversas camisas dele. Tendo 
descoberto isso, escolheu para si prpria o quarto mais distante daquele. Belasco lhe disse que havia um casal com filhas, que moravam na parte de trs da casa e 
que cuidavam de tudo. O jantar estaria pronto dentro de uma hora, o que lhe daria bastante tempo para desfazer as malas e guardar suas coisas.
A governanta chamava-se Josephine. Ela disse que o seu nome era de origem francesa, e mandou a filha, uma moa amvel, desfazer as malas de Emma, que, sem nada para 
fazer, foi tomar um banho e trocar de roupa. Apesar disso, depois do jantar ela se encontrava cansada demais para fazer outra coisa, seno enfiar-se na cama.
Na manh seguinte, depois de um sono agitado e cheio de sonhos, Emma ficou feliz ao levantar-se da cama e se vestir. Pegou apressadamente um short e uma camiseta, 
e, depois de comps sua toalete, viu que sua aparncia no estava to ruim assim.
Descobriu depois que o tempo na ilha caminhava, preocupaes imediatas, ela passava seus dias ociosamente, que seus pensamentos continuavam a atorment-la, mas em 
geral, sentia-se mais descontrada. Josephine e sua famlia eram to atenciosos que no havia mais nada para ela fazer seno se divertir. Isso Emma fazia explorando 
a ilha, ou simplesmente nadando e se deitando na areia quente, enquanto, a uma distncia discreta, Belasco e outro homem a olhavam constantemente.
Uma vez, sabendo o quanto toda a famlia confiava nele, Emma perguntou a Belasco como eles estariam se arranjando sem a sua presena em Barbados. Belasco simplesmente 
riu, sacudiu seus largos ombros e disse que no sabia.
- Isso no vai lhes fazer nenhum mal, srta. Emma. - Ele sorriu. - Talvez as senhoras desejem que eu volte logo, mas no posso fazer isso at o patro chegar.
Embora no incio Emma receasse pela chegada imediata de Rick, ele s veio quase uma semana depois. Ela tinha comeado a pensar que ele no viria mais.
Rick a pegou de surpresa. Ele entrou, certa noite, pouco antes do jantar, e a surpreendeu quando ela vinha voltando da praia.
Emma, que havia entrado na casa pela cozinha e deixara Belasco conversando com o marido de Josephine, ficou perplexa. Seu corao comeou a bater mais depressa, 
e ela lutou para se recompor enquanto seus olhos se arregalavam diante da figura alta e dominadora de Rick.
Tremendo sob aquele olhar penetrante, ela no sabia o que esperar, e ficou surpresa quando ele comentou, de maneira bastante casual:
- Vejo que voc j se ps  vontade.
- Sim - respondeu ela, tentando adotar uma atitude fria, mas falhando. Depois perguntou, com nervosismo: - Como foi que chegou aqui?
- De barco. Eu tenho mais de um, e pesquei um pouco a caminho daqui.
- Entendo... - Ento ele no tivera pressa...
Como que perdendo o interesse, Rick virou-se e fez que ia subir.
- Eu quero tomar uma ducha antes do jantar. Voc vai subir?
- Acho que sim. - Ela o seguiu, apreensiva. - Agora que voc est aqui, acho que espera que eu me vista para o jantar.
- Eu gosto de conservar certos hbitos, mas ns no precisamos ser to normais quanto somos em Barbados. No deve ser impossvel encontrar um vestido curto. - O 
olhar dele desceu por suas percas compridas e esguias, que o short deixava expostas. Por que ele zombava tanto dela?
- Eu estive na praia - disse Emma, procurando se desculpar. Rick simplesmente acenou com a cabea e parou em frente  porta do quarto dele. Quando Emma tentou passar, 
ele segurou seu brao.
- Aonde pensa que vai?
- Ao meu quarto. - Ela achou impossvel encar-lo e enfrentar o cinismo que sabia que havia em seus olhos. - Voc no tem quartos que se comunicam aqui, por isso 
escolhi aquele.  muito agradvel...
- E eu no sou?
Havia alguma coisa no tom de voz dele que a deixou atrapalhada. Um leve estremecimento de seu corpo a traiu.
- Eu... eu no estava falando sobre voc - protestou.
- No estava mesmo? - ele zombou. - Bem, este  o meu quarto, por isso  seu tambm.
Emma tentou no cerrar os punhos, no querendo que ele percebesse a sua agitao crescente.
- Ns... ns no dormamos no mesmo quarto em Coral House!
- No. Eu queria lhe dar tempo para se acostumar comigo. Infelizmente, os gestos nobres raramente so reconhecidos. Outro homem foi mais rpido.
- O que, exatamente, voc est tentando dizer, Rick? - perguntou Emma, apesar de estar tremendo.
- O que quero dizer  que no sou nenhum bobo. Eu senti como voc reagiu em meus braos depois daquele fiasco no jardim. Acho que voc simplesmente fechou os olhos 
e imaginou que eu fosse Miles ou Ben, mas percebi por seus beijos que voc havia aprendido muita coisa. E essa no foi a nica mudana que notei - acrescentou Rick, 
de maneira insolente, seus olhos azuis brilhando de clera.
Percebendo o que ele estava querendo dizer, Emma sentiu um aperto no corao.
- Se quiser saber - ela disse impulsivamente -, voc  o nico homem que eu j beijei.
Para sofrimento dela, ele inclinou a cabea para trs e deu uma sonora gargalhada.
- Ora, bolas! - exclamou Rick, com o olhar chispando de raiva.
- Se voc me contar mais uma mentira, eu no serei mais responsvel pelo que possa fazer.
No parecia haver lgica na discusso que estavam tendo. Ele simplesmente no acreditaria em nada que ela dissesse. Desesperada, Emma abaixou a cabea.
- Deixe-me ficar no outro quarto, Rick - pediu ela. - Como podemos partilhar um quarto, quando voc me odeia tanto?
Ignorando isso, ele falou abruptamente:
- V buscar suas coisas. Vamos comear por onde deveramos ter comeado, logo que nos casamos. Afinal - seu sorriso era ainda mais cruel que sua gargalhada -, por 
que no podemos nos divertir um pouco, enquanto estivermos juntos?
Sentindo-se um pouco nauseada, Emma olhou fixamente para ele. Alguma coisa dentro dela a fez sentir um terror estranho.
- Eu vou me vestir e arrumar as minhas coisas.
Quando Rick concordou com um gesto da cabea e soltou seu brao, ela ps a mo onde ele a tinha segurado com fora e saiu correndo.
Rapidamente, entrou em seu quarto e foi ao banheiro tomar banho, mal percebendo o que estava fazendo. Enxugou-se apressadamente e vestiu o primeiro vestido que encontrou, 
que era simples, de algodo.
Ao sair, viu a porta do quarto dele aberta mas no ouviu nenhum som. Achou que Rick tinha descido sem ela. J ia atravessando o corredor para descer a escada, quando 
ele apareceu.
Ignorando seu olhar desapontado, ele disse:
- Vou ajud-la a trazer as suas coisas. Voc me parece bem recuperada da sua dose excessiva de popularidade, mas no podemos facilitar. Voc parece um pouco fraca.
Como ele conseguia ser detestvel! Como era possvel um homem parecer to atencioso, e, ao mesmo tempo, to sarcstico?
- Eu no tive tempo para arrumar as minhas coisas - disse Emma.
Rick deu risada e seus olhos cintilaram.
- Voc s vai atravessar o corredor, e no viajar at o outro lado do mundo. No estava pensando em arrumar tudo direitinho, estava? Eu posso trazer tudo facilmente.
Quando ele juntou suas roupas nos braos, ela ficou sem coragem de protestar. Rick ps tudo em duas gavetas vazias, pendurando os vestidos ao lado de suas roupas, 
enquanto ela o observava com o rosto plido.
- Pronto - murmurou ele suavemente, como se estivesse falando com uma criana assustada. -  bastante simples, como voc pode ver. Ficaremos muito bem aqui, s ns 
dois.
Ser que ele achava realmente isso? Ser que queria que ela dormisse naquela cama imensa e antiga com ele? Seu rosto plido ficou vermelho e Emma engoliu com dificuldade.
- Rick... voc sabe que isso no fazia parte do nosso... acordo...
- E Miles tambm no. - Ele deu de ombros, com uma brandura enganosa. - Foi voc quem quebrou primeiro o acordo que havia entre ns, quando tentou arrastar o meu 
nome na... como direi? Na lama de Barbados. Em vista disso, por que devo procurar cumprir as regras?
Enquanto o jantar estava sendo servido, Rick estudou-a com curiosidade do outro lado da mesa. Emma, temendo que ele voltasse ao assunto, apressou-se a perguntar:
- Voc no me falou como se saiu no Canad.
- To bem como sempre - respondeu ele calmamente, mas no disse mais nada.
- Voc no me escreveu e nem me telefonou.
- Voc esperava que eu fizesse isso?
- No - disse ela, hesitante. - Mas pensei que voc talvez o fizesse. Eu... me senti muito sozinha.
- E, quando a sua solido se tornou insuportvel, voc foi se consolar com outros homens...
Sentindo-se impotente, Emma franziu a testa. No era isso que queria dizer.                           
- Sim, eu sa com Ben algumas vezes. Ele me ensinou muitas coisas...
Os olhos de Rick ficaram frios como ao.
- Ele no vai mais fazer isso. Ele vai para a Austrlia.
- Mas... espero que no seja por minha causa. - E Emma estremeceu ao pensar no dio de Rita.
- Foi a coisa mais sensata que ele poderia fazer. E vai partir muito em breve.
- Mas no vai imediatamente, no ? - Isso faz alguma diferena?
Furiosa com o sarcasmo que havia na voz de Rick, ela exclamou:
- Talvez faa, para Ben. Especialmente se a sua partida repentina for motivada por um engano.
- Eu acho que no - respondeu Rick asperamente, esvaziando seu copo e enchendo-o de novo.
- O relacionamento entre vocs sempre foi bom. Ele praticamente o venera. Eu detestaria achar que fui responsvel por algum problema, mas...
- Esquea isso. J est tudo acertado.
- E Miles? - murmurou ela, assustada com tanta falta de compaixo. - O que voc fez com ele?
- Ah, vejo que est preocupada! - Um sorriso cruel repuxou sua boca. - Miles anda ocupado demais, alegando a sua inocncia, mas, como voc, ele no tem provas.
- Voc o acusou de alguma coisa?
- No houve tempo para isso.
Eu simplesmente lhe devolvi o bracelete e lhe disse o que achava dele.
Imaginando como teria sido, Emma estremeceu. O prazer que Rick havia sentido ainda estava refletido em seu olhar, J desesperada para mudar de assunto, ela abaixou 
os olhos.
- Voc ficou no Canad durante todo o tempo em que esteve fora?
- No.
- Isso  tudo o que tem a me dizer?
-  o que basta. - Rick ergueu seu copo com olhar zombeteiro. - Que tal voc me contar alguma coisa, para variar?
- O qu, por exemplo?
- O que  que voc acha de viver em St. Lusanda, por exemplo?
- Eu ainda no fiquei entediada, se  isso que voc quer dizer.
-  estranho. - Ele franziu as sobrancelhas, como se estivesse realmente intrigado. - O que voc tem feito aqui?
- Nada importante, infelizmente. - Emma sempre se sentia culpada por no ter nada para fazer. - Josephine e sua famlia cuidam de tudo. Eu s fao questo de arrumar 
a minha prpria cama...
- A nossa cama... a partir de hoje - disse Rick calmamente.


CAPITULO IX

Rick j tinha sado, quando Emma acordou na manh seguinte. Entorpecida, ela pensou nele e tentou rememorar tudo o que tinha acontecido.
Sentindo ainda em seu corpo o calor da pele de Rick, virou-se e escondeu o rosto no travesseiro. Era a cama de Rick, e de repente compreendeu que queria ficar nela. 
Tremendo, lembrou-se de como eles tinham feito amor, embora achasse impossvel recordar-se exatamente de algum momento de lucidez. A eletricidade que existia entre 
eles havia circulado sem impedimentos, como se fosse atravs de fios. Seus corpos se atraram numa sensualidade selvagem. Emma duvidava que qualquer um dos dois 
pudesse ter impedido o que aconteceu.
Nessa manh talvez fosse possvel contar a ele muitas coisas que no quisera sequer mencionar na noite anterior. Emma agora se sentia com foras para falar de seus 
sentimentos. Como se o amor fosse capaz de apagar o resto.
Quando ela terminou de tomar banho e se vestir, Rick ainda no tinha voltado. Achando que ele devia estar ocupado em seu escritrio e que tinha se esquecido das 
horas, ela desceu para ir procur-lo. No o encontrando l e nem na sala de jantar, foi at a cozinha, onde Josephine lhe contou que ele tinha sado.
- O patro sempre fica ocupado aqui em Lusanda - disse ela, olhando curiosamente para o rosto abatido de Emma.
Belasco entrou, pronto para partir para Barbados.
- Cheguei bem a tempo de me despedir, patroazinha. - Ele sorriu.
Patroazinha? Emma olhou-p, espantada. Ele no a chamava assim desde o dia em que a vira pela primeira vez, ao desembarcar do avio.
- Voc viu Rick? - perguntou ela, no fazendo caso do olhar eloqente de Josephine.
- O patro est no outro lado da ilha.
A expresso do rosto dele fez o corao de Emma ficar apertado. Controlando-se, ela procurou continuar sorrindo.
- Eu vou tomar o meu caf da manh, e depois tentarei encontr-lo.
- Ele no est de muito bom humor esta manh - disse Belasco, cautelosamente. Emma percebeu que ele estava tentando avis-la de alguma coisa. -  melhor esperar 
at que ele volte,  noite.
Ela sentiu um frio subindo-lhe pela espinha. Ento, tudo seria exatamente como tinha sido em Barbados? L, a nica hora em que via Rick era ao jantar. A no ser 
que Belasco estivesse enganado... Talvez conviesse no ser muito apressada. Rick no poderia se esquecer to depressa do que havia acontecido entre eles. Ela sabia 
que um homem tinha seu trabalho para fazer, mas ser que pelo menos nessa manh Rick no poderia t-lo deixado um pouco de lado?
Durante o resto do dia, enquanto esperava em vo por Rick, o corao de Emma foi ficando cada vez mais pesado. Que tola tinha sido, por imaginar que ele pudesse 
estar se interessando nela! Talvez fosse bom ele ter sado. Pelo menos lhe dera tempo para pensar, seno ela teria feito a tolice de lhe confessar que o amava.
Deitou-se na praia, mas sentiu-se desanimada demais para nadar. Depois do almoo, foi at seu quarto e sentou-se na cama, mas pensou no que Rick acharia se chegasse 
inesperadamente e a encontrasse l. No queria parecer uma escrava esperando por seu amo.
Gorando diante de sua tolice, desceu para a praia de novo. Deitou-se embaixo de uma palmeira e acabou adormecendo.
Mais tarde levantou-se e voltou para casa, a fim de se preparar para o jantar. Colocou um vestido de seda, que realava o bronzeado que tinha adquirido, e ficou 
linda. Mas apressou-se a. descer antes que Rick chegasse. Isso se ele viesse... Talvez Rick tivesse ido com Belasco, e ela ficaria sem saber nada at que ele enviasse 
uma mensagem de Barbados.
Quando Rick entrou, meia hora mais tarde, Emma estava folheando uma revista, j bastante preocupada. Ela tentou sorrir, mas seu rosto parecia rgido. Ele devia ter 
entrado pelos fundos da casa, como ela mesma fazia muitas vezes.
- Passou bem o dia? - Emma conseguiu perguntar, de maneira um tanto rspida.
Ele a cumprimentou com um aceno de cabea e foi se servir de usque.
- No muito - respondeu Rick, um pouco tenso. - E voc?
- Belasco foi embora e eu fui at a praia. - Ficando muito vermelha, porque nem agora conseguia olhar para ele calmamente, acrescentou: - No havia mais nada para 
fazer.
Olhando rapidamente para ela, Rick tomou seu usque num s gole. Em seguida, serviu-se de outro.
- Voc parece entediada.
Uma vez que Emma no respondia, ele a olhou de maneira penetrante, e lembrou-se de que no lhe havia oferecido nada para beber. Quando ela recusou um xerez seco, 
Rick no insistiu, mas seus lbios se comprimiram.
Emma receava que a bebida lhe desse uma coragem diferente. No queria que se repetisse o que acontecera na noite anterior, pelo menos no enquanto Rick a desprezasse. 
Por que ele achava que ela estava entediada? Ser que queria lhe oferecer um pretexto para deixar a ilha? Bem, ele que fosse pentear macacos! Ela gostava de St. 
Lusanda e iria ficar!
Com uma expresso desafiadora no rosto, Emma assegurou-lhe que nunca ficava entediada.
- Eu j lhe disse que gosto daqui - falou, enfrentando aquele olhar sombrio e tenso.
Para sua surpresa, ele respirou fundo e disse:
- Amanh, se voc quiser, posso lev-la para passear de barco. Poderemos levar o nosso almoo e descansar. Acho que faria bem a ns dois.
Ser que ele est brincando?, pensou Emma. Ela no confiava no brilho dos olhos dele. Ento, disse, hesitante:
- Mas voc no vai estar ocupado demais? Rick franziu o cenho e empalideceu.
- Talvez eu merea isso - murmurou, como se estivesse repreendendo a si mesmo. - Mas eu pensei bastante hoje. No... foi fcil.
Como nunca tinha ouvido a voz firme dele falhar, Emma arregalou os olhos.  Com o rosto vermelho sem nenhum motivo aparente, repetiu:
- Voc no vai perder tempo se for passear de barco?
- Sabe de uma coisa? - disse ele, sorrindo, aliviando um pouco a tenso de seu rosto. - Voc j est comeando  se parecer com uma esposa rabugenta!
Ela olhou para ele, espantada. Rick, de repente, estava sorrindo e conversando de maneira bastante natural. Era um homem que tinha traado para si prprio um rumo, 
e que fazia o possvel para se manter nele, no obstante as suas inclinaes mais profundas. Quando viu que ele parecia estar pedindo para fazer as pazes, Emma no 
acreditou. Homens como Rick Conway eram arrogantes demais para suplicar. Provavelmente ele s estava  procura de uma trgua at que se separassem. Sabendo disso, 
Emma sentiu uma grande relutncia em passar o dia seguinte com ele. Sendo Rick um homem a quem nada escapava, ela poderia facilmente se trair, mostrando que o amava.
Apesar de haver tirado essas concluses, ela conseguiu ouvi-lo calmamente, quando ele passou a hora seguinte falando sobre os lugares aonde poderiam ir e .sobre 
o que poderiam fazer. E, embora ele no tivesse tentado tocar nela nenhuma vez, quase no desviara os olhos de seu rosto jovem e cansado.
Depois de discutir todos os detalhes possveis sobre a viagem, ele a levou para a sala de jantar. Enquanto comiam, Rick lhe disse duas vezes o quanto estava linda 
- e de maneira to convincente que ela no pde deixar de acreditar em sua sinceridade. Depois, ele a surpreendeu ainda mais, tocando os discos preferidos dela e 
falando-lhe detalhadamente sobre a sua viagem ao Canad.
Teria sido uma noite perfeita se Rick tivesse subido com ela. Isso Emma admitiu para si mesma, com as faces queimando. Mas, s onze horas, ele simplesmente comentou 
que ela deveria ir dormir, j que precisaria levantar-se cedo. Disse que ainda tinha algum trabalho para fazer e que iria ficar acordado durante mais algum tempo.
Quando Emma despertou pela manh, no havia nenhum sinal de que Rick tivesse dormido na cama. Ela ficou curiosa em saber se ele havia dormido l embaixo, ou tinha 
continuado a trabalhar a noite toda.
Se havia trabalhado a noite toda, ele parecia muito bem-disposto quando ela o encontrou l embaixo, para o caf. Por um momento
Emma ficou em pnico ao v-lo. Ele estava usando apenas uma camisa de brim e um calo do mesmo tecido.
Ao atravessarem a baa, Emma achou tolice ter se preocupado com a viagem. Eles no estavam sozinhos. Dan, o jovem que tinha sido auxiliar de Belasco, estava com 
eles.
- Por que voc o trouxe? - perguntou ela a Rick.
- Por nada - respondeu Rick concisamente, mas ela percebeu que ele estava aborrecido. - Sinto muito, Emma.
No entendendo muito bem, ela olhou para ele, notando de repente as linhas de cansao em volta de sua boca e de seus olhos.
- Voc no dormiu nada esta noite? Eu no ouvi voc subir a escada.
Corando violentamente, ela se arrependeu de sua impulsividade, quando viu os olhos dele adquirirem um brilho estranho. Mas ele disse simplesmente:
- Eu tinha muita coisa para fazer.
- O seu empregado no cuida da maior parte dessas coisas? Ele apareceu em casa outro dia e tomou caf comigo. Parece ser um rapaz muito amvel e eficiente.
- Voc no mencionou isso - disse Rick.
- Devo ter-me esquecido.
O tom de voz dele se tornou spero.
- Bem... da prxima vez que ele aparecer, mande dizer que no est em casa. Apesar de que ele no vai aparecer de novo!
Emma mordeu o lbio inferior para conter seu tremor, mas no pde fazer nada quanto s lgrimas que surgiram de repente em seus olhos.
- Voc nunca vai aprender a confiar em mim, no , Rick?
- Oh, inferno! - resmungou ele baixinho. Ento, fazendo um esforo visvel para controlar seus sentimentos, falou de modo mais racional: - No  que eu no confie 
em voc, Emma...
Ela ficou vermelha novamente, enquanto os olhos de Rick percorriam todo o seu corpo.
Com a voz rouca, ele acrescentou: 
- Sinto muito, Emma. - E suas feies pareceram relaxar um pouco. - Parece que eu me deixei levar. Por que no nos concentramos em aprender a ser amigos, para variar? 
Podemos at descobrir que gostamos um do outro.
Meneando a cabea, Emma afastou-se, cambaleante, indo para o outro lado do barco. Ser que ele no compreendia que ela o amava?
Se tivesse que aprender alguma coisa, seria a viver sem ele, quando a mandasse embora.
Rick no a seguiu, mas disse, poucos minutos depois, que o caf estava pronto. Sentindo-se grata porque ele lhe dera tempo para se recompor, ela conseguiu voltar 
para o seu lado com um sorriso tranqilo.
O resto do dia transcorreu quase sem nenhum incidente, exceto aquele que aconteceu quando Rick veio ajud-la a tirar seu equipamento de mergulho, depois de terem 
explorado os arrecifes.
Eles tinham ancorado perto da praia de uma ilha deserta, onde as areias eram cor-de-rosa e brancas. Em volta dos exticos bancos de coral, a gua era clara e cristalina 
at uma profundidade superior a trinta metros. Dan ficara encarregado do barco, enquanto Rick mostrava a Emma um mundo submarino de uma beleza que a deixara estonteada. 
Talvez fosse por isso que, depois de sair da gua, Emma tivesse encontrado dificuldade para remover seu equipamento, e ele resolvera ajud-la.
Deixando bem claro que no desejava tocar nela, se pudesse evitar, ele suspirou com impacincia.
- Venha aqui, e deixe-me ver o que est fazendo. Eu nunca vi ningum complicar tanto as coisas!
Emma, um pouco aborrecida por ele ter conseguido em poucos segundos aquilo que ela no conseguira fazer em vrios minutos, disse:
- Por que voc tem sempre que ser to superior, Rick?
- Eu sou superior. - E ele bateu levemente com o dedo na ponta de seu nariz gracioso. - No se esquea disso!
- As mulheres so iguais aos homens.
- No as minhas mulheres. E certamente no a minha esposa.
- Rick... - murmurou ela, fixando seus olhos nos dele e se esquecendo de tudo, exceto de que estavam sozinhos.
Os dois ficaram se olhando detidamente. De repente ela se viu nos braos dele, sentindo o hlito quente em seu rosto e o corpo musculoso colado ao seu.
As mos de Rick acariciaram seus ombros aquecidos pelo sol, enquanto ele inclinava a cabea para procurar seus lbios. Emma sentiu-se tonta quando ele a puxou para 
perto de si. Sua boca se entreabriu diante da insistncia dos lbios dela, enquanto sua mente girava num turbilho ao perceber que ele a desejava. Desejava tanto 
que, se Dan no estivesse por perto, ele a teria possudo l mesmo.
Ento, quando Emma estremeceu, Rick deu um gemido abafado e a soltou. Tudo tinha acontecido to rpido que ela no conseguiu fazer outra coisa seno fit-lo, com 
os olhos arregalados. Por no existir razo para aquela sbita rejeio, ela sussurrou, suplicante:
- Por que, Rick?
Ele hesitou por um momento, olhando fixo para seus lbios trmulos.
- Existem motivos - respondeu tristemente.
Ser que um desses motivos no era Vernica? Mas, o que quer que fosse, Emma achou que devia se dar por feliz por Rick hav-la soltado. Como podia ter estado a ponto 
de se entregar to facilmente, uma vez que ele no se aproximara mais dela desde aquela noite? Com as faces frias de dolorosa humilhao, ela olhou vagamente na 
direo do barco.
- Parece que Dan est acenando. - Pouco importava que Rick acreditasse ou no. Talvez ficasse to contente quanto ela por ter uma desculpa para sair dali.
- Talvez seja melhor voltarmos - aquiesceu ele, com uma certa irritao que fez Emma se encolher.
Magoada com isso, ela comeou a andar apressadamente na direo do pequeno bote de borracha no qual Rick a trouxera para a praia.
- No  melhor voc se vestir? - Rick perguntou. E, quando ela se virou, ofegante, acrescentou: - No que o seu short adiante grande coisa, mas talvez ele impea 
que Dan tente me jogar no mar para conseguir alguma coisa com voc.
Percebendo que ele estava fazendo um esforo para aliviar a tenso, Emma tentou encontrar uma resposta dentro do mesmo esprito, mas no conseguiu. Amargamente, 
ela se ouviu dizendo, em vez disso:
- Acha que algum homem iria querer uma mulher como eu?
A expresso de Rick se fechou, mas ele pareceu receber o seu desafio com satisfao.
- Acho que ns j temos alguma evidncia disso.
- Evidncia! - O olhar de Emma de repente se tornou feroz. - Ben jurou que me amava, no entanto partiu sem nem dizer adeus. E Miles Ray, que tambm jurou que me 
amava, no fez nenhuma tentativa para me salvar.
- Voc lhe deu algum motivo para isso? Voc nunca fingiu que o amava?
Emma ficou branca, e dessa vez no respondeu. De que adiantava negar? J no o fizera, repetidas vezes, sem sucesso?
- Esquea isso, Emma. - Olhando-a, atentamente, ele suspirou. Tinha o rosto quase to plido quanto o dela. - Essa foi uma pergunta que eu no deveria ter feito, 
uma vez que j sei a resposta. Parece que j fiz, e ainda estou fazendo, uma tremenda confuso na minha cabea.
Quando o bote se aproximou do barco, Dan parecia ter acabado de acordar. Ficou surpreso por eles quererem partir to cedo. Resmungando alguma coisa, levantou-se 
com relutncia.
- Ns poderemos voltar - disse Rick cautelosamente, observando o rosto tristonho de Emma ao partirem.
- Durante quanto tempo iremos ficar em St. Lusanda? - perguntou ela, encolhendo os ombros tentando fingir que no ligava se voltassem ou no.
- Depende...
- De que, pelo amor de Deus? J que vamos nos divorciar, no seria melhor se nos separssemos o mais depressa possvel?
Respondendo com irritao, mas baixinho, para que Dan no ouvisse, Rick retrucou asperamente:
- Quartos separados... vidas separadas.  isso mesmo que voc quer?
- Voc insistiu nisso desde o comeo - balbuciou ela, zangada, recusando-se a pensar que talvez ele prprio no quisesse isso.
Os olhos dele flamejaram.
- E, quando a levei para o meu quarto, voc gostou do que eu lhe fiz?
Como uma mulher poderia responder a isso, quando o prprio ar estava frio de hostilidade? Na noite da qual ele falava, Emma se sentira tanto no cu como no inferno. 
Seu nico consolo era que Rick no sabia. E nem deveria saber!
- Eu no me lembro - mentiu,
- Devo me sentir lisonjeado? - perguntou ele asperamente. - Eu sei exatamente como se sente. No precisa me falar. Pode voltar para o seu quarto esta noite, que 
eu prometo nunca mais entrar nele.
Isso reduziu Emma a um silncio sofrido durante o resto da viagem, mas um novo choque esperava por ela ao se aproximarem de St. Lusanda. Gail e Vernica estavam 
no embarcadouro. Emma sentiu-se gelar e cambaleou.
Vernica no perdeu tempo!, pensou com amargura.
Rick estava olhando para as moas, quase to aborrecido quanto ela, Quando Dan, exibindo-se diante de sua glamourosa platia, fez uma curva bem aberta, Emma murmurou:
- Vernica e Gail...
- Sim. - Rick parecia irritado, e estava com um ligeiro rubor nas mas do rosto. De repente virou-se para Emma, encontrando seus olhos ansiosos. - Ns precisamos 
conversar urgentemente.
Por causa de Vernica? Emma olhou aturdida para ele, relutante em lhe perguntar isso. Rick devia estar com medo de que a moa descobrisse o que tinha acontecido 
entre eles. Ser que no sabia que ela nunca o trairia? Ela podia ser uma tola, mas jamais seria capaz de fazer isso.
- Urgentemente - insistiu ele, no sabendo ao certo se ela o tinha ouvido.
- Est bem. - Emma desviou os olhos rapidamente, para que ele no visse as lgrimas. - Elas... elas vo ficar durante muito tempo?
- Acho que no - Rick respondeu, com indiferena.
Emma, desejando que ele no a tivesse deixado com a impresso de que estava pouco ligando se elas ficassem, abaixou a cabea e no disse mais nada.
- Onde diabos voc esteve, querido? - Vernica, visivelmente aborrecida, amarrou a cara para Rick quando ele desceu ao ancoradouro. - Voc me disse que ficaria trabalhando 
- acrescentou, de maneira acusadora.
- Um homem precisa tirar uma folga de vez em quando. - Ele recebeu um beijinho de Gail no rosto, mas Emma notou que no fez nada para evitar uma saudao mais efusiva 
de Vernica.
Isso fez Emma tropear ao tentar descer do barco sozinha; foi s a pronta reao de Dan que impediu que ela casse. Quando a segurou, ela olhou para ele, agradecida.
- Eu cuido de minha esposa. - Parecendo aborrecido, Rick tirou-a dos braos protetores de Dan. O modo como a segurava era estranhamente possessivo, e ela teria gostado 
disso, no fosse pela mancha do batom de Vernica em sua boca.
- Voc est bem? - perguntou ele, com os olhos em seu rosto plido.
- Sim, obrigada - Emma respondeu, meio sem flego.
Rick conservou os braos em sua volta, como que para se garantir. Ela percebeu que Gail e Vernica tambm a olhavam fixamente.
Gail, notando a expresso severa de Rick, desviou o olhar e perguntou:
- Voc no acha ruim que tenhamos vindo, acha, Rick?
-  claro que ele no acha ruim! - Vernica se adiantou na resposta com toda nfase. - Voc no disse que eu poderia vir quando quisesse, meu bem? - E sorriu de 
maneira encantadora para Rick.
- Disse mesmo? - perguntou ele secamente, continuando a segurar Emma, embora ela se esforasse para se soltar. Seus dedos, como que para castig-la, se apertaram 
ainda mais na cintura fina, e ela ficou quieta.
Vernica continuou falando afetadamente:
- Tudo ficou to chato em Barbados, enquanto voc estava no Canad, querido. E voc s ficou em casa alguns dias, antes de fugir para c. Depois que jantamos juntos 
na outra noite, eu simplesmente compreendi que no agentaria mais ficar longe de voc.
Sentindo-se nauseada, Emma soltou-se do abrao de Rick, desta vez com sucesso. Prestes a sair correndo por causa da tristeza que tinha se apossado dela, procurou 
lembrar-se de diversas coisas. Rick no era sua propriedade, por isso no adiantava sentir-se mal cada vez que se lembrava disso. Mas como ele pudera fazer amor 
com ela, vindo praticamente direto dos braos de outra mulher?
Seus olhos de repente se encheram de lgrimas e ela o olhou com desprezo, no se importando com o fato de que algum notasse. Como a maioria dos homens, Rick obviamente 
no gostou de ver o seu caso revelado por Vernica, de maneira to espalhafatosa. Mas ele no tinha nada que fazer cara feia. No com Vernica, que estava pronta 
para se derreter nos braos dele, com olhos cada vez mais convidativos.
Vernica falou durante todo o caminho de volta para casa. Surpreendentemente, Rick se conservou ao lado da esposa na perua. Emma, sentindo a perna dura e musculosa 
dele pressionando a sua, procurou saber, pelo brilho daqueles olhos, se ele a estava provocando de propsito. Ela prendeu a respirao tentando conter uma sensao 
abrasadora que estava se apossando de seu corpo e procurou lembrar-se de que ele provavelmente s estava fazendo isso para deixar Vernica com cimes.
- Posso escolher o meu quarto, querido? - Vernica virou-se de maneira suplicante para Rick, ao descerem do veculo e entrarem na casa. - Quero um que no fique 
muito longe do seu, caso eu fique assustada durante a noite.
Emma era incapaz de imaginar que Vernica um dia tivesse ficado assustada em toda a sua vida. Se ela fosse procurar Rick  noite, no seria bem por causa disso. 
Vernica acreditava firmemente que ele no dormia com a esposa.
Emma enrubesceu quando se deu conta de que s ele poderia ter lhe contado isso. Estava para falar, irritada, quando Rick disse:
- Existem trs quartos l em cima, Vernica. Voc e Gail podem ficar com eles. O meu  o do fim do corredor.
- Oh, mas...
- So os nicos quartos que se encontram disponveis para hspedes, caso queiram ficar.
No mesmo instante, vendo que o seu tom de voz tinha se tornado spero, Vernica concordou.
- Oh, mas  claro que eles serviro muito bem, Rick. No importa onde vamos dormir.
As palavras de Vernica continham uma leve insinuao que fez Emma se retrair. Entretanto, Rick certamente no iria tentar manter um relacionamento clandestino com 
outra mulher em sua prpria casa. Mesmo assim, o simples fato de pensar nisso a perturbava, fazendo-a compreender, mais do que nunca, como o estava amando desesperadamente. 
J no conseguia ficar sem pensar em Rick um minuto e, apesar do trato, no sabia como iria viver longe dele.
- Com licena - murmurou ela, evitando o olhar sombrio de Rick. -  melhor eu ir dizer a Josephine que haver mais duas pessoas para o jantar.
Gail perguntou depressa, antes que Emma se afastasse:
- O seu simptico administrador vai jantar conosco, Rick?
- No! Bem... por que no? - Rick de repente pareceu mudar de idia, ao reparar no rosto tenso de Emma. - Se voc acha que ele conseguir distra-la, Gail, eu posso 
mandar-lhe um recado.
Depois de sair da cozinha, Emma subiu a escada. Seus passos eram arrastados e se sentia curiosamente dividida. Uma parte dela parecia estar entorpecida, com uma 
espcie de aceitao fatalista quanto ao futuro; a outra era ocupada por uma dor ainda no conscientizada plenamente. Ficou triste ao notar o cansao de seus olhos 
no espelho. Mas como Rick teria que entrar em contato com o seu administrador, isso lhe daria pelo menos uma hora para se recompor.
Entretanto, quando acabou de tomar banho, encontrou-o deitado na cama. Ele se levantou no mesmo instante e caminhou em sua direo.
- Emma - murmurou, levantando seu queixo com o dedo -, eu no queria que as coisas acontecessem desse jeito. Se pudesse, a teria poupado disso.
- No faz mal. No tem importncia, realmente.
-  claro que tem! - replicou ele, acariciando-lhe o rosto. - Escute, Emma, sei que no temos muito tempo, mas ns precisamos conversar.
- Eu... eu... prefiro no falar mais - murmurou ela, abaixando a cabea para esconder a dor que sentia, e que certamente estaria refletida em seus olhos. - Por favor, 
Rick, acho que no suportaria mais isso. Eu no agento mais!
- No mesmo?
- No! - exclamou ela, arfante. - Eu s quero que me deixem em paz... 
- Para que voc possa ter um caso com Miles Ray?
- No!
- Sua mentirosa! - Havia clera no olhar dele quando suspendeu o queixo que estava segurando, para que pudesse beijar seus lbios. Estranhamente, parecia que era 
ele quem estava sofrendo mais. - Eu a deixarei em paz quando estiver pronto para isso - murmurou, com voz arrastada -, mas no antes.


CAPITULO X

Ao ouvir o som do gongo ecoando pela casa, Emma respirou fundo e fez um esforo frentico para se soltar dos braos dele.
- Se no se apressar, Vernica vai comear a procur-lo por toda parte, Rick - exclamou nervosamente, quando ele levantou a cabea.
- E voc acha que ela no deve me surpreender fazendo amor com a minha esposa? - perguntou ele, em tom de mofa.
- No era essa a sua inteno.
- Qualquer que tenha sido a minha inteno, daqui a pouco eu no saberia mais o que estava fazendo. E tambm acho que voc me deseja quase tanto quanto eu a desejo.
Com lgrimas nos olhos, Emma virou o rosto para o outro lado. Ele era um homem viril e sensual e, s vezes, parecia que ela lhe despertava os sentidos. Mas era o 
seu amor que Emma queria, e este aparentemente pertencia a Vernica.
Sem responder e sem olhar para ele de novo, Emma pegou o primeiro vestido que encontrou e se trancou no banheiro, onde acabou de se arrumar. Ao sair, Rick no estava 
mais no quarto.
Quando o administrador chegou, eles estavam todos na sala de estar. Larry Turner era jovem e bem-apessoado, e era evidente que Gail gostava dele.
Emma adiantou-se para receb-lo. Ele parecia representar tudo o que era normal, comum e sadio, e, por notar isso, talvez houvesse no sorriso dela mais cordialidade 
do que deveria.
Rick, ela desconfiava, o tinha convidado principalmente para tirar de seus ombros um pouco da responsabilidade de entreter trs mulheres jovens sozinho. Mas, ao 
contrrio do que se esperava dele, Larry parecia se concentrar quase que exclusivamente em Emma, no obstante a desaprovao crescente nos glidos olhos azuis do 
patro.
Gail, que no estava acostumada a ser ignorada por um homem que lhe interessava, comeou a ficar cada vez mais emburrada, e Rick, como que percebendo isso, manteve 
Emma a seu lado durante o jantar. Mostrou-se atencioso, cuidando para que nada lhe faltasse, e at ps a mo sobre a sua em cima da mesa, brincando com seus dedos, 
enquanto conversava despreocupadamente com os demais. Emma compreendeu que isso era para mostrar a Larry Turner que ela no se encontrava disponvel, e para ajudar 
a irm dele. Sabendo disso, ela zombou de si mesma por causa de sua pulsao acelerada.
Emma tambm sentiu-se nervosa umas duas vezes, ao deparar com o olhar vingativo de Vernica. Tinha certeza de que a moa queria falar sobre Miles, mas a refeio 
prosseguiu sem que ele fosse mencionado. Entretanto, ela devia saber alguma coisa sobre o misterioso aparecimento do bracelete em seu quarto. Provavelmente tinha 
certeza de que os dias de Emma estavam contados...
Depois do jantar, Vernica e Gail quiseram ouvir msica e danar, e Rick pareceu disposto a fazer a vontade delas. Emma murmurou uma desculpa e saiu da sala. Quando 
voltou, viu, com grande alvio, que Larry estava danando com Gail. Mas no gostou nada de ver Vernica danando com Rick. A moa estava com os braos em volta do 
pescoo dele e o segurava bem junto a si.
Ele no tinha convidado Emma para danar, nem a convidou depois. E mais tarde, quando Larry saiu e as trs subiram para os seus quartos, Rick disse que tinha algum 
trabalho para fazer antes de ir dormir.
Emma ficou hesitante quanto a voltar para seu antigo quarto. Rick lhe tinha dado permisso para faz-lo, mas, j que ele ia passar a maior parte da noite no escritrio, 
ela no via motivo para voltar para o outro quarto imediatamente. No queria admitir que estava com medo de que Vernica descobrisse que Rick e ela no estavam dormindo 
juntos.
Os olhos de Vernica se mostravam muito calculistas quando elas subiram a escada. Alm disso, talvez os dois esperassem encontrar o quarto vazio. Bem, se esperavam 
isso, eles iriam ter uma surpresa.
Quando Emma se despiu e entrou na cama de Rick, tremia tanto que no conseguia dormir. Sabendo que devia fingir que estava dormindo, caso ele resolvesse subir, procurou 
escutar qualquer barulho de passos. Quando ouviu uma porta se abrindo no fim do corredor, ficou to agitada que saiu imediatamente da cama para ver quem era. Abriu 
a sua porta justamente a tempo de ver Vernica descendo a escada.
Sentindo uma agonia rasgando-lhe o corao, Emma voltou desolada para a cama. Todas as atenes de Rick essa noite no tinham significado nada! Ele dissera que tinha 
trabalho a fazer, mas devia ser tudo mentira. Estava simplesmente usando o trabalho como uma desculpa para ficar l embaixo e se encontrar com Vernica. Para o diabo, 
ele e suas mulheres! Primeiro Blanche, agora Vernica.
Com a amargura e a raiva reprimidas, ela se aconchegou tristonha-mente entre os lenis. Queria chorar, mas a mgoa era profunda demais. Ficou deitada, com os olhos 
fechados, como se isso pudesse apagar a imagem que ela tinha de Rick em seu estdio com Vernica em seus braos.
Ento, no mais que alguns minutos depois, Rick entrou. Emma receou por um momento que fosse Vernica que estivesse  procura dele, mas, quando ele fechou a porta 
e se aproximou da cama, ela sentiu que teria reconhecido seus passos em qualquer lugar.
Parando a seu lado, Rick chamou-a suavemente pelo nome. Vendo que ela no respondia, ele se despiu e foi tomar banho. Voltou e deitou-se a seu lado. Tinha obviamente 
concludo que ela estava dormindo.
Como Rick no falou nada de novo e nem tocou nela, depois de algum tempo Emma arriscou-se a dar uma espiadela. Ele estava deitado de costas, bem afastado dela, com 
os olhos abertos fitando a janela. Aos poucos, sentindo-se imensamente feliz por ele estar to perto dela, e no com outra mulher qualquer, Emma comeou a relaxar, 
at que, esgotada pelas emoes e tenses, de rebente adormeceu.
J eram mais de nove horas, quando ela acordou na manh seguinte e encontrou Rick sacudindo-a delicadamente.
- Acorde, sua preguiosa - ele estava dizendo, com brandura.
- Rick? - Seus olhos sonolentos se arregalaram de espanto ao se esforar para sentar-se. - Que horas so?
- Para voc isso no tem importncia. Mas eu tenho muita coisa para fazer. Preciso sair.
No estava realmente prestando muita ateno ao que Rick estava dizendo. S tinha conscincia de que ele estava a seu lado, olhando-a enigmaticamente.
- Voc dormiu comigo... esta noite? - sussurou ela.
- Sim. - Rick ps a mo em seu ombro, com um brilho provocador nos olhos. - Pensei que voc soubesse. - Ignorando a sua confuso momentnea, ele depositou um beijo 
rpido em seus lbios.
- Se voc me pedir com muito jeito, sou at capaz de fazer isso de novo.
Ela gaguejou, nervosa: - Eu... eu devo ter dormido profundamente.
- Dormiu, sim - resmungou ele, com um sorriso. - Melhor do que vai dormir no futuro... a no ser que me queira deixar louco de frustrao.
- Rick? - Ela engoliu em seco, sentindo dificuldade em fitar aqueles olhos ardentes. - Por que voc est agindo assim? Os olhos de Rick se estreitaram e ele se levantou 
rapidamente.
- Depois eu explico. Conversaremos mais tarde. - O tom de voz dele de repente ficou grave quando ele se inclinou para acariciar terna-mente seus cabelos desarrumados. 
- Quando conversarmos, quero ter todo o tempo do mundo  nossa disposio. Por isso, primeiro preciso resolver todos os meus outros problemas. Se ficar aqui com 
voc agora, eu talvez nunca mais possa resolv-los. At l, confie em mim.
Emma deixou escapar uma exclamao de espanto ao v-lo dirigir-se para a porta, mas Rick no se voltou. O que  que ele queria dizer com tudo aquilo? Ser que ele 
falara mesmo como se gostasse dela? No estaria sendo tola em lev-lo a srio? Seu corao comeou a bater acelerado diante da possibilidade de ele estar apaixonado 
por ela. Sentiu um aperto no estmago quando tentou imaginar o que isso poderia significar. Talvez a atitude dele fosse apenas um ardil para deixar Vernica com 
cimes... Talvez tivessem discutido na noite anterior, e nesse caso, Rick estaria apenas fingindo que gostava dela, s para irritar Vernica.
Surgiram tantas perguntas que Emma ficou cada vez mais confusa, pois no sabia as respostas. Contudo, ao sair da cama, a chama em seu corao recusava-se a ser apagada 
totalmente, e um novo otimismo comeava a tomar conta dela.
Vestiu-se rapidamente e desceu para ir se encontrar com os demais.
A casa, entretanto, estava vazia, e ela no conseguiu ver nenhum sinal de Gail e Vernica l fora. Josephine meneou a cabea quando ela foi  cozinha para ver se 
estavam l.
- Aquelas moas no entram em cozinhas, patroazinha. Elas no viriam conversar com a velha Jo. No, minha filha, elas ainda devem estar na cama.
- Acho que elas esto cansadas. - Emma, continuando a sentir-se alegre, seria capaz de encontrar uma desculpa at para o diabo, nessa manh.
Sorriu com brandura e atacou o seu caf da manh com renovado apetite. Tomou duas xcaras de caf e comeu vrios dos deliciosos croissants de Josephine, ainda quentinhos 
do forno, com bastante mel. Riu quando o mel lambuzou seus lbios e imaginou que, se Rick estivesse l, ele seria capaz de lamb-los de brincadeira.
Com as faces corando ligeiramente, Emma reparou no olhar curioso de Josephine. 
- Voc sabe aonde o meu... meu marido foi, Josephine?
- Acho que ele foi ver o sr. Turner.
Enquanto Emma pensava nisso, sem saber por que esse fato a deixava inquieta, Josephine encolheu seus enormes ombros.
- Espero que no me considere intrometida, sra. Emma, mas o patro disse alguma coisa a respeito de s poder estar com a senhora l pela hora do almoo. Ele vai 
levar todo mundo de volta a Barbados.
De volta a Barbados? Emma ficou toda gelada de perplexidade. Ento Rick tambm pretendia deix-la. Ele iria voltar para Barbados sozinho, deixando-a, talvez at 
que o divrcio estivesse consumado. Ela seria uma prisioneira, condenada a uma priso bonita mas solitria. Com o rosto plido, levantou-se cambaleando. E, murmurando 
uma desculpa para Josephine, dirigiu-se  praia.
A manh estava linda e a paisagem era deslumbrante. Emma, sem perceber, respirava profundamente o ar revitalizante. Comeou a andar a esmo, olhando distraidamente 
para as grandes ondas e para os pssaros multicoloridos. Tentou no pensar no dia anterior, quando sara de barco com Dan e Rick.
Se Rick no tivesse fingido que seus sentimentos com relao a ela estavam mudando... Talvez ele achasse que essa era a nica maneira de mant-la calma at que partisse. 
No entanto, Emma no conseguia conceber que algum agisse com tanta crueldade.
Depois de algum tempo desistiu de tentar decifrar tudo aquilo e, com o rosto abatido de tristeza, voltou para casa. J era mais de meio-dia. Talvez todos j tivessem 
ido embora. Ela esperava ansiosamente que sim.
Entrou na sala de estar pouco antes de Rick chegar. Intrigada por encontrar as duas moas ainda l, Emma procurou manter uma expresso impassvel no rosto. No era 
fcil, mas ela conseguiu. Tanto Vernica como Gail estavam com um copo na mo. Mas, enquanto Gail parecia apenas entediada e indiferente, Vernica estava obviamente 
agitada.
- Onde diabos voc esteve? - ela perguntou, irritada, para Emma.
Emma, perplexa com a clera manifestada por Vernica, ficou curiosa em saber se a sua ausncia tivera alguma coisa a ver com o fato de elas ainda estarem l.
- Eu fui at a praia. Estiveram procurando por mim? Vernica meneou desdenhosamente a cabea.
- Voc viu Rick por a?
- Eu no o vejo desde pela manh cedo - Emma respondeu, achando melhor no falar muito, com medo de perder a compostura... ou com medo de dizer alguma coisa da qual 
viesse a se arrepender depois.
Gail olhou com curiosidade para o rosto transtornado de Vernica.
- Josephine disse que ns vamos para casa, Vernica. Rick deixou ordens para que nos preparssemos para partir.
- Voc no precisa ficar repetindo isso! - disse Vernica, furiosa. - Eu ficarei feliz em partir, desde que Rick v tambm. Alm do mais, detesto esta ilha maldita.
- Eu no vou a parte alguma. - Elas ouviram a voz arrastada de Rick vinda da porta, e todas viraram a cabea naquela direo. - De onde foi que voc tirou essa idia, 
Vernica?
Quando Emma olhou para ele, estupefata, ouviu Vernica exclamar, de maneira triunfante:
- Voc deveria botar aquela velha cozinheira no olho da rua, querido. Eu sabia que ela estava dizendo bobagens!
- No, no estava - Rick respondeu friamente. Ignorando Vernica, ele aproximou-se de Emma, olhando com a testa franzida para o seu rosto plido. - Eu no sei o 
que aconteceu, Emma, mas espero que voc no esteja assustada.
Ciente de que a solicitude de Rick no estava agradando a Vernica, Emma meneou a cabea. Apesar da suavidade do tom de voz dele, ela no sabia o que achar daquilo 
tudo. Ele dissera que no iria embora, mas tudo que acontecera naquela manh parecia contradiz-lo. Ser que ele, por algum motivo, no estava tentando engan-las? 
Emma ficou surpresa ao sentir o brao dele em sua volta, enquanto falava com Vernica e com sua irm.
- Passei a manh toda providenciando algumas coisas com Larry Turner. Havia muitos assuntos para resolver, por isso demorou mais do que eu esperava. Para abreviar 
a histria, ele vai para Barbados, passar trs semanas de frias. Vocs duas vo voltar com ele, enquanto Emma e eu ficamos aqui.
- Voc e Emma! - O tom de voz de Vernica era de incredulidade. - Mas por que, Rick? Voc no pode estar falando a srio!
- Por que no? - Ele se mostrava friamente arrogante. - Acontece que ns estamos casados.
- Mas, e quanto a mim? Voc me fez pensar...
- O qu? - ele a incitou a continuar, enquanto seu brao se fechava com mais fora em torno da cintura de Emma. - Eu no me lembro de t-la feito pensar nada, Vernica.
- Talvez no - ela foi forada a concordar -, mas eu pensei... bem, todos pensaram, mesmo enquanto estava noivo daquela outra garota... que voc realmente me amasse. 
- A voz dela se elevou belicosamente. - Rita tinha certeza disso!
- As pessoas tendem a ver o que querem ver - Rick respondeu secamente. Quando ela abriu a boca para protestar, ele continuou a falar calmamente: - Ns sempre nos 
entendemos bem, Vernica. Mas nunca tivemos um caso... e nem mesmo fingimos que gostvamos um do outro.
- Ora, voc no pode gostar dela! - O rosto dela estava tomado pelo dio. No suportava sentir-se desprezada, especialmente em pblico. Se Rick no estivesse perto 
de Emma, seria capaz de faz-la em pedaos. - Voc simplesmente no pode gostar dessa criatura vulgar!
- Eu no vejo nenhum sentido em continuarmos com essa discusso - disse ele rispidamente, com uma frieza que pareceu fazer Vernica perder o resto de seu autocontrole.
- Voc  um mentiroso, Rick! - gritou ela. - Como  que pode ficar com ela, quando nem ao menos confia nela? Talvez voc esteja apaixonado, mas uma vez voc me disse 
que no acreditava num amor sem confiana. Foram estas mesmas as suas palavras.
- Acho que voc est se referindo ao tempo em que seu irmo resolveu se colocar no meu lugar no ? Esse episdio j est encerrado, e no se fala mais nisso.
Longe de faz-la calar-se, como ele certamente pretendia, o desprezo de Rick s pareceu estimular Vernica a ir mais longe ainda.
- Eu s tive que sussurrar ao seu ouvido, na noite em que voltou do Canad, que Emma estava no jardim com Miles, para que voc assumisse uma expresso de dio. Voc 
acreditou no pior logo de cara. Ento, mais tarde, l em cima, voc acreditou que ela tivesse aceitado um bracelete valioso de Miles.
- Como foi que soube disso? - O tom de voz calmo de Rick no enganava Emma, que sentiu a ira dele aumentando, e estremeceu. Vernica tambm percebeu e no conseguiu 
responder  pergunta. Depois de uma breve pausa, ele continuou: - Muito bem, Vernica, embora eu espere nunca mais v-la de novo, voc tem razo. Mas no h nada 
que Emma e eu no possamos resolver sozinhos. Agora, Dan est esperando para lev-las ao embarcadouro. No estou querendo pr voc para fora, mas quer me dar licena 
enquanto me despeo de Gail?
- Aquele bracelete... - Vernica fez uma breve pausa. A despedida brusca de Rick a havia enfurecido ainda mais, e ela parecia resolvida a no sair dali at que dissesse 
tudo o que tinha a dizer. - Aquele bracelete... voc nunca descobriu que fui eu quem o ps no quarto de Emma? Voc atirou-o na cara de Miles e quase o matou. E jogou 
a sua preciosa Emma fora porque achava que ela estava tendo um caso com ele. Pensou que ela tivesse escondido o bracelete em sua gaveta, mas fui eu quem o coloquei 
l.
A voz de Rick estava rouca de fria. 
- Voc! Meu Deus!
- Sim! - Vernica confirmou, de modo desafiador. - E eu estava do lado de fora do quarto dela, quando voc o encontrou e a acusou de aceitar presentes do seu amante. 
Se a amasse d verdade, no teria duvidado quando ela tentou dizer-lhe que era inocente. E tambm teria compreendido que ela vive deslumbrada demais por voc, para 
enxergar qualquer outro homem.
O tom de voz de Rick ficou mais suave.
- Eu sinto vontade de lhe quebrar o pescoo, Vernica. Ou coisa pior!
Emma no esperou para ouvir mais nada. Soltando-se dos braos de Rick, saiu correndo da sala. Atravs de uma nvoa, ela viu Vernica se atirar histericamente no 
caminho de Rick, quando ele fez meno de segui-la.
Com uma vantagem de vrios minutos, Emma foi em direo  praia do lado sul da ilha, onde havia muitas grutas escondidas. Tinha descoberto essas grutas durante os 
seus passeios solitrios, antes que Rick viesse. s vezes, os pescadores da ilha deixavam seus barcos largados e ela talvez pudesse fugir de Rick para sempre, se 
encontrasse um deles.
Emma, sendo jovem e gil, corria rapidamente, com o desespero dando-lhe ainda mais foras. Vernica tinha razo: Rick nunca confiara nela. Ele s tinha fingido que 
gostava dela. Ou vai ver ele prprio achava que a amava, mas na verdade sentia apenas desejo.
Continuou correndo enquanto pensava nisto, com lgrimas escorrendo-lhe pelas faces vermelhas. Chegando finalmente a uma gruta que achava suficientemente escondida, 
deixou-se cair, exausta, sobre um leito de capim alto. Devia ter chorado at dormir e, quando despertou, estava enrijecida e dolorida, com o leito de capim no parecendo 
mais to confortvel.
Franzindo o cenho, ela continuou deitada, olhando para o cu. Melancolicamente, depois de acalmado seu primeiro mpeto de indignao, achou que precisava voltar 
para casa. Fugir num barco de pesca no era coisa para ela. Suspirou tristemente ao se lembrar de sua prpria loucura. Mas por enquanto ainda no podia encarar Rick. 
Cora desnimo, pensou no que iria dizer a ele, se  que ele ainda estava na ilha.
Seus pensamentos se voltaram para a espantosa conversa entre Rick e Vernica. Cada uma que se descobria! Vernica devia estar mesmo muito furiosa para agir daquele 
jeito. Mas pelo menos ela tinha revelado o ponto fraco de Rick, uma falha em seu carter, a sua falta de confiana.
Entretanto... Emma enxugou as lgrimas que tinham comeado a cair de novo. Se estivesse na situao dele, o que  que ela teria feito? No suspeitara de que Rick 
tinha um caso com Vernica, quando, na verdade, no tinha? Se tivesse descoberto alguma coisa pertencente  outra mulher em seu quarto, ser que ela tambm no teria 
tirado concluses erradas? Rick ficara muito zangado com a histria do bracelete de Miles, mas tinha razes de sobra para isso...
Sentindo-se de repente muito pequena e humilde. Emma se levantou e comeou a caminhar de volta, pelo caminha por onde viera. Se Rick estivesse na ilha ainda, ela 
precisava encontr-lo e pedir-lhe desculpas por ter fugido. Tambm havia outras coisas para dizer, se ele quisesse ouvir.
Tal era o seu estado de incerteza que Emma sentiu vontade de dar meia-volta e sair correndo de novo, quando viu ao longe Rick se aproximando. Ele estava montado 
num cavalo. Dan tambm o seguia, montado.
Quando Rick a viu, disse apressadamente alguma coisa a Dan, que saiu galopando imediatamente em outra direo. Aproximando-se dela, ele desmontou. Estava srio e 
tenso ao soltar as rdeas para segurar-lhe os ombros. Usava ainda a camisa fina e a cala de algodo que vestia antes do almoo.
Emma notou que ele estava plido, mas parecia muito bem controlado. Era difcil dizer se ele estava zangado ou no. Parecia preocupado, mas tambm era capaz de se 
preocupar com o mais humilde de seus trabalhadores, caso este desaparecesse.
Quando finalmente falou, seu tom de voz era to srio quanto seu rosto.
- Onde diabos voc esteve, Emma? Eu estava comeando a pensar que voc tinha sofrido um acidente!
Ela achou difcil enfrentar a expresso de ira daqueles olhos. Abaixou a cabea tristemente. 
- Eu sinto muito.
- Meu Deus... voc simplesmente pareceu sumir no ar! 
Sentindo um n na garganta, ela perguntou:
- Onde  que esto os outros?
- Se est se referindo a Gail e a Larry, eles esto a caminho de Barbados, com Vernica. 
- Vernica?
- No fale nela, Emma, por favor.
- Por que Dan estava com voc?
- Ns organizamos um grupo de busca quando eu no consegui encontr-la. Eu no podia arriscar.
Emma sentiu o arrependimento atingi-la em cheio.
- Sinto muito, Rick. No devia ter sado correndo daquele jeito, mas isso ajudou a clarear... minhas idias.
- Eu gostaria que tivesse acontecido o mesmo comigo - comentou ele secamente. - Fiquei quase louco procurando-a, mas no me parece que tenha feito muito bem a voc 
tambm.
- Eu estou muito bem, Rick, acredite. - Mas, antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, ele j a tinha iado para cima do cavalo, colocando-a  sua frente.
- Vamos para casa, menina, para um banho quente e uma boa dormida. Depois conversaremos, e desta vez no vai mais haver adiamentos.
- Eu j dormi - Emma protestou fracamente.
- Com areia, capim e lgrimas - ele replicou secamente, abraando-a mais fortemente, at que ela se sentiu em chamas. - Acho que nunca vi o seu rosto to branco, 
mas espero dar um jeito nisso.
Josephine j tinha preparado um banho quente, pois Dan havia corrido de volta para casa, avisando que Emma fora encontrada. Ela queria cuidar de Emma pessoalmente, 
mas Rick a dispensou.
De repente Josephine ficou toda sorridente ao lhes desejar boa-noite. Tinha deixado uma mesa de frios na sala de jantar. S precisavam esquentar a sopa e fazer o 
caf, avisou ela, com um ar inocente.
O prprio Rick experimentou a gua, antes de ordenar a Emma que se despisse e entrasse nela. Emma ouviu o barulho do chuveiro correndo na porta ao lado, e, quando 
voltou ao quarto, dez minutos depois, encontrou-o esperando por ela.
-  melhor nos vestirmos, no? - balbuciou ela, sentindo-se de repente embaraada por estarem usando apenas robes curtos.
- Venha c - ele disse, to energicamente que ela no ousou desobedecer.
Estava sentado na beira da cama e, quando Emma se aproximou, ele a puxou para si.
- Voc queria conversar, Rick - Emma lembrou-lhe apressadamente, quando alguma coisa no olhar dele quase paralisou a sua respirao.
- Mais tarde, meu bem. - Ele abraou-a com um mpeto que a fez tremer, enquanto seus lbios procuravam os dela com insistncia. - Eu a quero demais. Acho que no 
conseguiria pensar direito, e muito menos falar coerentemente sobre qualquer coisa...
- Rick... pense bem nisso. Eu no suportaria se voc me deixasse de novo. Depois que voc se foi, da ltima vez, no calcula o que eu senti...
- Voc se refere  primeira vez? - Ele se afastou um pouquinho, acariciando-lhe o rosto corado. - Meu amorzinho, deve ter adivinhado por que no toquei em voc de 
novo. Eu pensei... e voc me fez crer... que voc fosse experiente. Quando cheguei a um ponto em que no podia mais parar, compreendi que eu era o primeiro. - Rick 
fez uma pausa, suspirando. - Eu quase perdi o juzo. Senti que deveria afastar-me. Por que me deixou pensar que era a garota de Oliver, quando voc sabia muito bem 
em que tipo de garota isso a transformava? Se por acaso soubesse que era totalmente inocente, eu no teria me casado com voc.
- Foi por isso que no lhe contei, Rick. Eu queria deixar a fazenda, e esse me pareceu ser o nico jeito. Se lhe dissesse que nunca tinha sado com um homem antes, 
voc no teria me levado. Tive que tomar uma deciso rpida, mas me senti mais ou menos segura, quando voc me disse que seria apenas um casamento por convenincia. 
S que eu no contava apaixonar-me por voc.
Rick levantou a cabea de repente.
- Diga isso de novo - pediu. Quando Emma repetiu, ele disse: - Eu fui um bruto, meu bem. No mereo o seu amor, mas quero que saiba que tambm te amo. Desesperadamente...
- Eu no queria amar voc - Emma confessou, enquanto os braos dele se apertavam em volta de seu corpo. - Eu tentei lutar contra isso.
- No tanto quanto eu.
- Eu tentava no pensar no fogo que me consumia, quando voc me beijava - murmurou ela.
Com uma splica abafada, Rick comeou a beij-la de novo, at que ela comeou a tremer de emoo e de desejo em seus braos.
- Oh, meu amor - murmurou ele, com os lbios encostados nos dela -, voc me deixava furioso. Eu s vezes ficava louco da vida s de olhar para voc. Pensei que era 
isso que estava por trs das sensaes totalmente irreais que tinha cada vez que a beijava. Depois de minha ltima visita  fazenda, durante todos os dez dias em 
que estive fora, essa raiva estranha me obcecou a ponto de no conseguir pensar em mais nada. Eu detestava at pensar em Rex Oliver.
- Voc estava realmente convencido de que ele era... meu amante?
- Estava - confessou Rick. - Acho que nunca questionei o que voc e Blanche me disseram. Pensei ter chegado a uma idade em que me restavam poucas iluses a respeito 
das mulheres. Eu conheci Blanche e me senti momentaneamente atrado, mas, quando resolvi me casar com ela, foi com os meus olhos bem abertos. Sabia muito bem que 
Blanche no me amava mais do que eu a ela. Eu queria um filho e herdeiro, enquanto ela queria dinheiro. Pensei que, depois de resolvidas as necessidades de cada 
um de ns, poderamos nos separar sem problemas. - Ele sorriu ironicamente. - Quando voltei da Austrlia, imaginando encontr-la documente esperando por mim, o meu 
ego masculino sofreu um golpe considervel, quando descobri que ela estava em Paris com Oliver. Pensei que tivesse encontrado em voc... uma coisinha to feiosa... 
um instrumento perfeito para a minha vingana. Mas, mesmo antes de nos casarmos, comecei a perceber que eu estava derrotado. Voc fazia o meu corao disparar de 
um jeito que eu nunca tinha experimentado com Blanche e nem com qualquer outra mulher.
- Voc no parecia estar se apaixonando por mim - murmurou ela.
- Eu estava lutando contra isso, querida. Voc j deve ter ouvido falar de como um homem condenado se debate! Mas foi em Barbados que entrei realmente em pnico. 
- Ele sorriu ironicamente e acariciou os ombros dela. - Disse a mim mesmo que nenhuma mulher, muito menos uma pequena imatura, iria me conquistar! Eu fugi, pensando 
que a distncia resolvesse, mas, ao invs de me curar, cada dia longe de voc s serviu para aumentar o meu anseio. Quando voltei, estava quase disposto a me pr 
de joelhos e suplicar, mas encontrei dois homens brigando por sua causa e fui consumido pela raiva e pelo cime. Tambm notei uma grande diferena em seu rosto e 
em seu corpo. O bracelete, que julguei ter sido dado a voc por Miles, foi a gota d'gua.
Foi ento que Emma lhe contou sobre a morte de seu pai, e de como os difceis anos subseqentes vividos na fazenda a haviam feito emagrecer. Fora por isso que as 
semanas de lazer e de boa alimentao em Barbados tinham feito tanta diferena.
- Eu estava conseguindo melhorar a minha autoconfiana e a minha aparncia, quando voc chegou e estragou tudo. - Emma. suspirou. - Miles e Ben talvez achassem que 
me amavam, mas eu no creio que eles gostassem tanto assim.
- Eu sinto muito por ter tratado voc desse jeito, mas tudo me parecia to errado. E, ao descobrir aquele maldito bracelete, senti vontade de assassinar algum! 
Quando Vernica confessou esta manh que o havia posto em sua gaveta, fiz tudo o que pude para manter minhas mos longe dela.
- Ela tirou-o do carro de Miles. - Emma franziu o cenho, tentando se lembrar. - Miles deixou-o l, e quando Vernica chegou, pouco depois, ela deve t-lo visto e 
apanhado. Miles provavelmente pensou que estava comigo. Lembro-me de que ele olhou para mim com um olhar intrigado. Acho que foi por isso que agiu daquele jeito 
na festa de Rita. Acho que pensou que eu havia mudado de idia e aceitado o bracelete.
Rick disse baixinho, com seu hlito quente acariciando o rosto plido dela:
- Ontem  noite, enquanto voc dormia e eu a abraava, de repente compreendi que no era culpada de nenhum dos crimes dos quais a acusara. Isso no  desculpa para 
eu duvidar de voc, meu amor, mas acho que estava cego de cimes.
- Eu no devia ter sado com Miles nenhuma vez, Rick - respondeu ela, pesarosa. - Acho que eu o estava usando para poder esquecer voc, mas nunca demonstrei seno 
amizade por ele.
- Estou contente por isso. - A mo de Rick se fechou possessivamente em seu ombro. - J houve outras mulheres em minha vida, mas nunca depois que a conheci. Vernica 
vivia correndo para mim com seus problemas. Eu s vezes a levava a algum lugar para jantar, e a ajudava a resolv-los, mas nunca houve nada alm disso. Ela era mais 
como uma irm para mim... e, por sinal, irritante.
- Sofri tanto enquanto voc esteve fora. Acho que pensava que voc amava todo mundo menos eu. E ento voc falou em conseguir o divrcio!
- Como essa era a minha idia original, achei que devia me prender a ela. - Ele a beijou, e ento murmurou: - No vamos mais falar em divrcio, nem agora e nem nunca. 
Voc  minha por toda a eternidade... Ns vamos ficar pelo menos trs semanas aqui. Por isso espero que esteja disposta a me amar muito.
- Trs semanas? - Emma suspirou, contente, incapaz de imaginar outra coisa que desejasse mais.
- Sim - disse Rick, dando-lhe outro beijo. - Larry Turner vai ficar em Barbados at Gail resolver se foram realmente feitos um para  outro. Mas eu acho que talvez 
ela v para a Austrlia com Rita, para ficar com Ben. Depois que eles se forem, ns vamos voltar a viver em Coral House. Eu andei indagando sobre a sua tia na Inglaterra 
- acrescentou. - Soube que ela vendeu a fazenda e que foi morar com a irm. Por isso voc no tem mais com que se preocupar.
- S com voc - Emma brincou, enfrentando aquele olhar apaixonado, enquanto seu corao pulava de emoo.
- Eu te amo - ela sussurrou com ardor.
- Ns voltaremos com freqncia - prometeu ele, com brandura, enquanto os dedos de Emma deslizaram por seus ombros largos. - Voc est me torturando, mulherzinha!
- Oh, meu amor! - murmurou ela, puxando-o para si.
- Eu estou perdido... Estou to completamente escravizado que no consigo mais resistir.
- E pra que resistir? - Emma murmurou baixinho, enquanto Rick estendia a mo para apagar a luz.


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SABRINA 235
FEBRE DE VERO
Charlotte Lamb

Aquela parecia uma festa igual a tantas outras que costumavam acontecer em Londres. Mas, para a jovem pintora Sara Nichols, teve um sabor todo especial: foi l que 
ela conheceu Nick Rawdon, riqussimo banqueiro. E o amor entre eles explodiu como que por encanto, vigoroso, incandescente. Nick, porm, ficou revoltado quando soube 
que Sara morava na mesma casa de Greg, que era meio-irmo dela e tambm pintor. Ele achava que os dois eram amantes. Louco de cime, fez de tudo para expulsar Sara 
do seu corao. Sara sofreu as penas do inferno e resolveu nunca mais se encontrar com Nick. Estava tudo acabado ou ser que o amor ainda iria triunfar?



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SABRINA 236
O FRUTO PROIBIDO
Anne Mather

Quando Catherine voltou para a sua terra natal, pacata cidadezinha do Pas de Gales, reencontrou Rafe Glyndower, um querido amigo de infncia. Rafe estava casado: 
um fruto proibido para ela. E Catherine bem que tentou evitar que o amor acontecesse entre eles, mas a paixo surgiu, avassaladora. Os dois, porm, tinham que enfrentar 
a fria e calculista Lucy, esposa de Rafe. Lucy, apesar de desprezar o marido, no iria permitir que outra mulher a deixasse para trs. E ela sabia perfeitamente 
quais armas utilizar para destruir Catherine e evitar que a rival e Rafe pudessem viver a plenitude do seu imenso amor!
